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Economia fraca divide com reforma a atenção do mercado

Regina Pitoscia

03 de junho de 2019 | 00h09

(*) Com Tom Morooka

Mais um fator de expectativa, além do andamento da reforma previdenciária, passou a fazer parte do radar de investidores e mercado financeiro. Os dados do IBGE que indicam que a economia anda para trás, sem capacidade de esboçar uma retomada, desviou o foco dos investidores também para as possíveis medidas que o governo pode adotar para vitaminar e devolver fôlego à atividade.

O recuo de 0,2% na atividade econômica no primeiro trimestre, sinalizando que o País pode estar caminhando para nova recessão, inspirou de bate-pronto uma declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo a qual o governo pode vir a liberar resgates de recursos do FGTS e do PIS-Pasep fora das condições de saques previstas.

A medida seria uma forma de tentar reativar a economia, via estímulo ao consumo, mas o mercado financeiro quer mais. Com a reforma da Previdência Social vista como bem-encaminhada no Congresso, após o rearranjo na articulação política e compromisso entre os Poderes, investidores aguardam medidas da equipe econômica que coloquem o País no rumo de retomada consistente da economia.

Uma das iniciativas nessa direção poderia ser a retomada de corte na taxa básica de juros, a Selic, um tema que voltou ao debate entre analistas e economistas como possível medida para tentar dar alento à recuperação econômica.

O comando do Banco Central parece não concordar com a ideia de flexibilização dos juros, dada as incertezas que ainda cercam a reforma previdenciária, mas a discussão poderá ganhar força no mercado à medida que se aproxima a reunião do Copom (Comitê de Política o Monetária), marcada para os dias 18 e 19 de junho. Por enquanto, a aposta majoritária dos investidores é pela manutenção da Selic em 6,50% ao ano.

Embora passe a dividir o radar com possíveis medidas econômicas que   o governo poderá anunciar, a reforma que propõe mudanças nas regras da aposentadoria não sairá do foco do mercado. Com novos lances à vista.

Na semana que passou, terminou o prazo para a entrega de emendas parlamentares ao projeto, o que possibilitará a elaboração do relatório pela Comissão Especial que seguirá depois para debate em plenário, etapa de votações em que se prevê um debate mais acalorado entre os deputados que defendem e os que resistem à reforma. Ainda assim, expectativas mais otimistas, no governo e no mercado financeiro, consideram que a reforma previdenciária poderá passar na Câmara ainda no primeiro semestre.

Um cenário que combine perspectiva positiva para a aprovação da reforma e o anúncio de medidas econômicas para tirar o País do atoleiro poderia animar o mercado de ações. A ideia é que medidas de estímulo ao consumo, pela injeção de recursos do FGTS e PIS-Pasep, podem beneficiar principalmente empresas ligadas ao setor de varejo, como lojas de departamento, eletrônicos e supermercados.

A atenção dos investidores permanece concentrada no cenário doméstico, mas o mercado financeiro não está livre das influências do cenário externo em que o principal foco de atenção continua sendo a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China. As negociações em busca de um acordo comercial prosseguem, ainda que se tenham transformado em novela em que novos lances ficam por conta das declarações intempestivas do presidente Donald Trump que sempre agitam os mercados.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou o mês de maio com valorização acumulada de 0,70%. Embora discreto, o resultado positivo chamou a atenção. Foi a primeira vez em nove anos que a bolsa de valores fecha maio em alta. O dólar comercial acumulou valorização residual de 0,09%.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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