Eleito o novo presidente do País, o que deve influenciar os mercados agora

Regina Pitoscia

29 de outubro de 2018 | 00h27

(*) Com Tom Morooka

Passada a eleição, e sacramentado Jair Bolsonaro como novo presidente do País, as atenções se voltam para o detalhamento do programa de governo. É isso que o mercado financeiro espera, sem disfarçar a ansiedade. Os investidores deverão reagir às novidades, de olho também na definição de prioridades e nas estratégias para a adoção das medidas mais urgentes.

Além de Paulo Guedes já confirmado como ministro da Fazenda, não fogem às expectativas a escolha de outros nomes que formarão a equipe do próximo governo, principalmente na área econômica, e as articulações políticas para a construção de ampla base de apoio parlamentar no Congresso.

É esse conjunto de decisões que passará aos investidores uma ideia do que poderá ser o pontapé inicial do governo Bolsonaro que toma posse em 1º de janeiro de 2019. O foco serão as iniciativas e as propostas do novo governo, do presidente e da equipe econômica, e também o jogo de forças do Congresso, de quem depende a aprovação das reformas constitucionais, como a da Previdência Social, com votos de dois terços dos congressistas.

Os desafios que se colocam à frente do novo comando são gigantescos e não haverá tempo a perder, segundo especialistas em investimento. A avaliação é que Jair Bolsonaro estará mais confortável se aproveitar a lua de mel com os eleitores e com o Congresso para encaminhar e tocar rapidamente as propostas de reforma mais importantes logo no início da gestão.

Ainda que a troca de faixa presidencial no Palácio do Planalto ocorra apenas daqui a dois meses, na virada do ano, são as ideias, propostas e as escolhas do presidente eleito que influenciarão e conduzirão, daqui para frente, as expectativas da sociedade e, sobretudo, do mercado financeiro. É a política, mais uma vez, influenciando os rumos da economia.

A confirmação de Paulo Guedes como ministro da Fazenda, economista de ideias consideradas liberais e reformistas, tende a ser bem recebida pelo mercado. Mais ainda, suas primeiras declarações de que enfrentará o desequilíbrio das finanças do País com a reforma da Previdência, a reforma do Estado com enxugamento da máquina pública, e redução da dívida e pagamento dos juros acelerando o processo de privatizações, deverão soar como boa música aos ouvidos dos investidores.

Essas perspectivas podem reduzir o estresse dos mercados em relação à outra escolha, a do nome de quem comandará o Banco Central (BC). Há uma clara torcida pela permanência do atual presidente, Ilan Goldfajn.

Outra medida, esta na área tributária, mas com forte impacto fiscal seria a reformulação do sistema tributário, que poderia incluir a criação de imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos e o recolhimento semestral de imposto de renda, o chamado come-cotas. Atualmente, essa tributação recai sobre os fundos de investimentos oferecidos ao público e passaria a ser aplicada também sobre os fundos de investimento fechados.

São medidas que, para entrar em vigor em 2019, precisam ser aprovadas ainda este ano, pelo atual Congresso e sob o governo do presidente Michel Temer, o que parece altamente improvável. Caberia, então, ao novo governo elaborar desde já uma estratégia para aprovação no ano que vem se essas medidas estiverem na agenda de propostas.

Nem por isso, o investidor deixará de acompanhar com atenção às movimentações tanto do atual presidente como do eleito, porque poderão estar em pauta novidades que deverão influenciar os rumos do mercado financeiro.

A definição de outros nomes do time econômico atrai o interesse dos investidores porque também tende a sinalizar ações no manejo dos dois principais instrumentos de política econômica: as políticas monetária e cambial.

A monetária consiste na condução da taxa de juros para o controle da inflação, sustentada pela política de metas inflacionárias. Bem-sucedida no atual governo, essa política calibrou a taxa básica de juros, Selic, a seu nível histórico mais baixo, de 6,50% ao ano, e derrubou a inflação.

A política de câmbio flutuante, em que as intervenções do BC são mínimas, apenas para reduzir oscilações mais bruscas, e as cotações reagem às forças de oferta e demanda de dólar, também tem gerado resultados positivos, porque, escorada também em uma montanha de reservas internacionais, tem mantido o País à margem da instabilidade externa.

Uma escolha que venha ao encontro das expectativas dos investidores tende a levar a uma reação positiva e à continuidade do bom humor no mercado financeiro, especialmente nos segmentos de ações e dólar.

 

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