Em janeiro, bolsa é líder no ranking de ganhos, e dólar fica na lanterna

Regina Pitoscia

01 Fevereiro 2019 | 00h39

(*) Com Tom Morooka

Após o tropeço em dezembro, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, retomou a valorização no primeiro mês de 2019 e também do novo governo, comandado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Entre idas e vindas, para a alegria dos investidores que apostaram na alta das ações, liderou o ranking das aplicações financeiras, com ganho acumulado de 10,82%, após bater seguidos recordes nominais de alta, em número de pontos. O último deles na quinta-feira, quando imbicou acima de 98 mil pontos, embora tenha fechado abaixo dessa linha de pontuação.

O dólar comercial, que havia ocupado o topo em dezembro, emparelhado com o ouro, escorregou para a rabeira, com desvalorização de 5,58%.

Tanto a alta da bolsa de valores quanto a queda do dólar refletiram o otimismo dos mercados com a política econômica, alinhada com reformas e privatizações, conduzida pela equipe do ministro Paulo Guedes no governo de Bolsonaro, que completou um mês na quinta.

Os primeiros 30 dias não tiveram o anúncio de medidas de principais mudanças econômicas, sobretudo as da Previdência Social, mas tampouco a falta de propostas concretas arranhou a confiança dos aplicadores em relação à disposição do Executivo de levar adiante as reformas no Congresso.

O porta-voz da Presidência, Otávio de Rego Barros, declarou que não há ainda data definida para o anúncio da reforma previdenciária, reconhecidamente o principal desafio do governo no primeiro semestre.

Para o administrador de investimentos Fabio Colombo, “é a perspectiva de reforma robusta da Previdência que anima os mercados”. De fato, os segmentos de ações e de dólar antecipam expectativas.

A perspectiva de transformações na economia estimula a compra de ações porque apontaria para um ajuste fiscal. Uma arrumação de contas públicas que, se materializada, traria de volta a confiança dos agentes econômicos. Mais do que isso, viria com ela também os investimentos que fariam deslanchar a atividade, que ainda patina, mesmo que o período recessivo mais severo tenha ficado mais para trás – terminou no quarto trimestre de 2016.

Tudo o mais dentre os principais indicadores macroeconômicos já estaria pronto e engatilhado para essa retomada econômica mais vigorosa de atividade: a inflação está baixa e sob controle, as taxas de juro nas mínimas históricas e as contas externas, confortáveis, com folgado fluxo de dólares que financiam a diferença entre a entrada e saída de capitais externos.

Faltariam apenas, nesse cenário, as reformas fiscais que levariam ao reequilíbrio das contas públicas que têm registrado seguidos déficits nos últimos anos e levado preocupação ao mercado com eventual perda da capacidade do governo de honrar compromissos.

O ambiente favorável que impulsionou a bolsa de valores derrubou o dólar, em queda mais acentuada nos últimos dias. Isso combinado com a sinalização do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) de não subir os juros americanos levou investidores a desmontar posições de proteção no dólar, cuja oferta ampliada fez as cotações deslizarem a R$ 3,65 no último dia de janeiro.

As aplicações de renda fixa continuam cumprindo seu papel de, mesmo com a taxa Selic na mínima histórica, tentar proporcionar, além da correção monetária, alguma margem de ganho real, acima da inflação.

Em janeiro, tudo indica que desempenharam esse papel, embora as estimativas apontem para uma inflação de 0,39%, mais que o dobro da de 0,15% calculada pelo IBGE em dezembro.

Balanço

Confira quanto renderam as aplicações em janeiro, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Aplicação                                                               Rendimento

1º – Bolsa de Valores de São Paulo                           10,82%

2º – Título indexado ao IPCA                          de 0,63% a 0,73% – indicativo

3º – Fundos DI                                                   de 0,49% a 0,59% – médio bruto

4º – Fundos de renda fixa                               de 0,49% a 0,59% – médio bruto

5º – CDB                                                             de 0,47% a 0,57% – médio bruto

6º – IPCA                                                                         0,39% – estimativa

7º – Caderneta                                                                0,37%

8º – IGP-M                                                                      0,01%

9º – Ouro                                                                        -2,03%

10º – Euro                                                                      -5,54%

11º -Dólar                                                                       -5,58%

Perspectivas

Tudo faz supor que os fatores que balizarão as decisões no mercado financeiro em fevereiro irão além das expectativas que animaram os negócios em janeiro. E o horizonte adiante poderá ser diferente do que estimulou o ambiente de negócios até agora.

Além do anúncio das propostas, entra em cena, com a volta dos parlamentares ao trabalho, o jogo pra valer nas relações entre o governo e o Congresso. Um relacionamento que poderá dar aos agentes econômicos uma ideia do tamanho do desafio que o Executivo terá pela frente. Do entendimento entre ambas as partes vai depender a aprovação e, portanto, a adoção das principais reformas, especialmente a da Previdência.