Entenda as mudanças no rotativo do cartão de crédito

Regina Pitoscia

30 Abril 2018 | 01h32

Vêm mais mudanças no cartão de crédito por aí. Faz um ano que o Banco Central acabou com a farra do crédito rotativo, aquele em que o usuário podia pagar 15% do saldo devedor e jogar o restante para o mês seguinte, indefinidamente. Uma engrenagem que levou a dívidas impagáveis.

Em abril de 2017, a permanência no rotativo ficou limitada a apenas 30 dias. Ao término desse período, o consumidor ficou com duas opções, ou quita a fatura integralmente ou renegocia a dívida dentro do chamado parcelado migrado. Uma linha de crédito com taxas de juros e parcelas prefixadas.

As medidas surtiram efeito, porque acabaram com o modelo incontrolável e perverso de financiamento do saldo devedor do cartão e promoveram uma queda dos juros. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito, Abecs, a taxa média do rotativo há 12 meses estava em 466,4% ao ano ou 15,5% ao mês. Já em março deste ano, o juro médio do parcelado migrado, cobrado na renegociação, girava em torno de 207,1% ao ano ou 9,8% ao mês, em março.

Embora em modalidades de crédito diferentes, o fato é que de lá para cá efetivamente houve uma queda do custo para o pagamento de dívidas do cartão. Há de se questionar, no entanto, que algo perto de 10% ao mês, em uma dívida que já precisou ser renegociada por sufoco financeiro do consumidor, está longe de aliviar e resolver a situação.

Ao mesmo tempo em que restringiu o uso desse crédito por 30 dias, o Banco Central baixou outras novidades: foi feita uma distinção entre o rotativo regular, aquele em que há o pagamento mínimo de 15%, e o rotativo não regular, quando não há essa amortização da dívida, e o usuário é obrigado a renegociar o total em parcelas.

Essa divisão gerou outra distorção no sistema. As taxas do rotativo em atraso mantiveram-se em níveis mais altos do que naquele que houve o pagamento mínimo. De acordo com dados do BC, em março deste ano, a média dos juros do rotativo não regular ficaram em 340% ao ano ou 13,1% ao mês, já no rotativo regular, em 244% ao ano ou 10,8% ao mês.

Para tentar eliminar essa diferença, o Conselho Monetário Nacional aprovou medidas que vão entrar em vigor a partir de 1º de junho. O objetivo é nivelar por baixo as taxas das duas modalidades. Não vai haver mais a exigência de pagamento da parcela mínima de 15%, cada operadora vai estabelecer o seu tamanho. E a cobrança dos acréscimos em casos de atraso será limitada a juros do rotativo, multa e juro de mora. Atualmente, além desses componentes, são cobradas taxa de inadimplência e taxa de saque.

Para que você tenha uma ideia mais clara sobre as diferenças nos juros cobrados entre o rotativo regular e o não regular do cartão de crédito, observe as taxas nos cinco maiores bancos do País entre os dias 6 e 12 de abril.

Perceba que tanto o Itaú como a Caixa mostram equilíbrio nos juros cobrados no regular e no não regular, são praticamente os mesmos. O Banco do Brasil pratica taxas diferentes, mas a grande diferença se encontra no Bradesco e no Santander. É essa distância que as autoridades monetárias esperam ver diminuída a partir de junho, com as novas regras.

JUROS DO CARTÃO AO MÊS

 Banco                    Rotativo regular               Rotativo não regular

BB                                       8,93%                                       11,04%

Santander                       10,11%                                         18,50%

Itaú                                  10,12%                                         10,13%

Caixa                                11,00%                                         11,15%

Bradesco                         11,27%                                         19,00%

                                   JUROS DO CARTÃO AO ANO

Banco                    Rotativo regular                   Rotativo não regular

BB                                  179,09%                                         251,40%

Santander                    217,59%                                         666,55%

Itaú                               217,84%                                         218,38%

Caixa                             249,88%                                        255,42%

Bradesco                      260,14%                                         706,39%

Fonte: Banco Central