Estabilidade ou alta para os juros? Decisão sai na quarta-feira

Regina Pitoscia

18 Junho 2018 | 00h21

As previsões do mercado financeiro estão divididas em relação à decisão que o Banco Central (BC) deverá tomar sobre o rumo da taxa básica de juros, a Selic, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira, dia 20.

Parte de analistas aposta que o efeito negativo da escalada do dólar sobre a inflação deve levar o BC a retomar a alta da Selic nesta semana. Outra ala prevê a manutenção da taxa básica em 6,50% ao ano, já que, apesar da pressão sobre os preços vinda do esticão do dólar, a expectativa é que a inflação feche o ano abaixo da meta fixada de 4,50% para este ano.

O BC, de sua parte, tem insistido no recado de que a decisão sobre a Selic será tomada depois que ficar mais claro o impacto e a duração dos efeitos da greve dos caminhoneiros, que provocou desabastecimento momentâneo de produtos no fim de maio, e da alta do dólar sobre os preços.

Em termos práticos, uma alta ou estabilidade da Selic terá efeito marginal sobre o rendimento das aplicações financeiras, já ajustado aos juros que rodam nas mínimas históricas. Embora seja a taxa de referência para a formação dos demais juros da economia, a Selic tem como função básica definir o custo de rolagem diária da dívida pública federal no mercado financeiro e a taxa de captação de recursos pelos bancos.

A taxa de juro que baliza o rendimento das aplicações, especialmente as com juros prefixados, é a estimada pelos analistas e investidores no mercado futuro. Estas, sim, têm andado cada vez mais descoladas da Selic, embicadas para o alto, apesar das previsões de que a taxa Selic poderá permanecer rasteira, em torno dos atuais níveis, por longo tempo.

A alta do dólar influencia as expectativas no mercado futuro de juros e as taxas dos contratos de DI, versão privada da taxa Selic, para vencimentos futuros, que não param de subir. Na quinta-feira, quando o dólar disparou e avançou 2,64%, para R$ 3,81, a taxa do juro DI de janeiro de 2021 avançou para 10,35% ao ano, bastante acima da Selic corrente de 6,50%.

Se nas aplicações com juros pós-fixados o rendimento acompanha a variação da Selic, nos prefixados o rendimento varia de acordo com os juros projetados no mercado futuro, que influenciam o valor dos títulos emitidos com juros mais baixos que estão sendo negociados no mercado à vista.

Uma elevação dos juros futuros provoca desvalorização do valor desses papeis prefixados, lançados ao mercado com juros inferiores aos que são projetados no mercado futuro.  É nessa situação que o investidor que fizer o resgate antecipado, temendo o prejuízo contábil momentaneamente previsto, terá perdas que ficariam neutralizadas se o título for resgatado no vencimento. Nesse caso, o investidor receberá o valor do capital aplicado mais o rendimento combinado no momento da compra do título.

Prejuízos assim acontecem com títulos de renda fixa, públicos e privados, com juros prefixados, como a Letra do Tesouro Nacional (LTN), a Nota do Tesouro Nacional da série F (NTN-F) e com os fundos de renda fixa ou de commodities que têm esses papéis na carteira.

Como ocorre nas aplicações individuais nesses títulos, o prejuízo passageiro com a alta dos juros futuros nesses títulos só se materializa se os cotistas do fundo fizerem resgate – já que o valor do título é recalculado, no processo chamado de marcação a mercado, à luz das expectativas futuras de alta das taxas de juro.

O processo é distinto em aplicações com juros pós-fixados, em que o rendimento é calculado apenas no momento do resgate, de acordo com a taxa prevista na hora da aplicação. Caso de CDB (Certificado de Depósito Bancário) pós-fixado e da LFT (Letra Financeira do Tesouro) ou sua versão em aplicação pela internet no Tesouro Direto, o Tesouro Selic.

Nesses títulos, o investidor recebe o rendimento calculado com o juro combinado na hora da aplicação. Em fundos de investimento como o DI, que acompanha a variação da Selic, eventual alta da Selic durante a aplicação é incorporada ao rendimento do fundo.

Esse é o motivo pelo qual especialistas indicam as aplicações com juros pós-fixados quando existe a expectativa de elevação das taxas de juros e as aplicações prefixadas em cenário de queda dos juros, porque o investidor trava um juro alto que, ao longo do tempo, poderá estar rodando mais baixo no mercado à vista.