Estratégias para ganhar mais passam pela diversificação de aplicações

Regina Pitoscia

25 de janeiro de 2019 | 00h56

Todos os caminhos para tentar embolsar um rendimento mais atraente, nestes tempos de juros baixos, levam à diversificação da carteira de investimento.

A estratégia consiste em distribuir de forma balanceada, de acordo com o perfil de cada um, os recursos entre as aplicações de renda fixa e de renda variável para aumentar as chances de um rendimento mais encorpado que os proporcionados pelas taxas de juro, na renda fixa – algo como 0,38% ao mês ou 4,90% ao ano, em média, pelas projeções de momento.

Uma estimativa de rendimento que, frente à perspectiva de preços bem comportados ao longo deste ano, pode até ser interessante. Ela acena com margem positiva de ganho, ainda que residual, ou empate em relação à inflação ao redor de 4% projetada no boletim Focus por analistas e economistas de mercado financeiro consultados pelo Banco Central.

Mas basta dar uma espiada no desempenho do mercado de ações, na renda variável, para que o investidor fique atiçado no desejo de querer mais. Isso tanto pelo que a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, já rendeu em 2018 (valorização de 15,03%), como neste início de ano (alta acumulada de 11,14%, até quinta-feira), que supera com folga o avanço da taxa Selic de 6,50% em um ano.

Parte dos analistas acompanha o fôlego do mercado de ações com cautela, já que a bolsa de valores avança embalada pela expectativa positiva dos investidores com as reformas econômicas, sobretudo a da Previdência Social, que o governo do presidente Jair Bolsonaro promete tocar.

O pronunciamento do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a reforma que está sendo preparada poderá gerar economia de R$ 700 bilhões até R$ 1,3 trilhão em dez anos, soou como música aos ouvidos do mercado. A avaliação é que isso, ao colocar as contas públicas no caminho do ajuste fiscal, vai pôr também a economia na rota do crescimento sustentado. Mas, por enquanto, a sensação de boa parte do mercado é que a bolsa sobe no vazio, puxada pelas expectativas otimistas com a retomada do crescimento, estimulado por novos investimentos que o andamento das mudanças promoveria na economia.

As chances de materialização das expectativas positivas existem, assim como o risco de frustração – seja pela pouca abrangência das medidas, seja pela eventual resistência do Congresso em aprovar as propostas. Uma possibilidade que poucos analistas parecem considerar, mas que poderia levar a uma reviravolta na tendência do mercado de ações.

Ainda assim, os investidores não parecem dispostos a perder a carona do bom momento da bolsa de valores. Afinal, a aposta de que dê tudo certo na economia é grande, e motivos não faltam: a inflação está baixa e sob controle, os juros nas mínimas históricas, contas externas em ordem, escoradas por reservas cambiais de US$ 380 bilhões, e elevada capacidade ociosa das empresas que garantiria um crescimento de atividade sem pressão sobre a inflação por bom tempo.

Para fechar esse cenário positivo, faltaria apenas o ajuste fiscal, que estaria a caminho com as mudanças nas regras da aposentadoria e um programa de privatizações, com venda de empresas estatais que anteciparia, em um primeiro momento, a entrada de recursos nos cofres do Tesouro, antes mesmo dos ganhos proporcionados pelas reformas.

Risco e proteção

A diversificação é a única opção para tentar ganhar mais nas aplicações, mas embute risco, que é tanto mais elevado quanto maior for a possibilidade de retorno mais atraente.  O investidor em ações tem chance maior de obter ótimo retorno, com a valorização das ações, mas também pode ser malsucedido se as cotações recuarem.

É importante, portanto, diversificar o investimento, mas sem colocar todo o dinheiro em uma única aplicação. Os recursos mantidos como reserva precisam ficar protegidos em uma aplicação mais conservadora, embora rendendo menos, para necessidades emergenciais.

Nessa diversificação, apenas uma pequena parcela dos recursos, no máximo até 20%, deve ir para a renda variável, por melhores que sejam as perspectivas para as ações e sedutores os acenos de valorização.

Uma aplicação que atende melhor ao objetivo de diversificação, de acordo com os especialistas, são os fundos multimercados, que aplicam os recursos em diversos ativos (títulos, moedas, ações) no País e no exterior. É uma modalidade de aplicação que, além de aproveitar a onda favorável da renda variável, pode oferecer mais proteção contra as bruscas oscilações dos ativos, com carteiras mais flexíveis que possibilitam a reformulação em sua composição de acordo com diferentes cenários.

 

 

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