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Expectativa de crescimento do País pesa mais no rumo dos mercados

Regina Pitoscia

20 de janeiro de 2020 | 00h31

Com Tom Morooka

As expectativas sobre a economia têm sido o principal vetor da tomada de decisão de negócios nos mercados. Movimento que fica mais claro ao constatar o que ocorreu nos últimos dias, quando o sentimento de certo desapontamento com os dados da produção industrial e do setor de varejo em novembro provocou mau-humor entre os investidores, com desvalorização da bolsa de valores e retomada de alta do dólar.

Em uma primeira avaliação desses novos dados de fim de ano, o entendimento foi o de que a economia poderia crescer menos que os 2,50% estimados. Uma possibilidade que reacendeu debates e apostas em torno de novo corte na taxa básica de juros, a Selic, na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do ano, marcada para a virada de fevereiro, dias 4 e 5 do próximo mês.

O gestor de Investimentos da Porto Seguro, Fernando Camillo, diz que a economia está em recuperação, com maior participação do setor privado, mas, diante de dúvidas sobre seu ritmo, vê chances de uma redução de 0,25 ponto porcentual na Selic, de 4,50% para 4,25%.

Embora a economia não dê ainda sinais convincentes de que ganhou maior tração, a expectativa de Camillo é que a atividade deslanche e ganhe mais fôlego ao longo do ano, sobretudo no segundo semestre.

A perspectiva de retomada sustentada do crescimento, na sequência do período de recuperação cíclica que a economia atravessa, é o apelo que seduz o investidor que se sente cada vez mais atraído pela renda variável, principalmente ações.

O interesse pela renda variável, afirma Camillo, começou por uma queda estrutural dos juros. Queda essa promovida sobre uma expectativa controlada e ancorada de inflação. Em um primeiro momento, segundo ele, o investidor passou a trocar um pouco o mix de investimento, para tentar ganhar na bolsa o rendimento que ficava cada vez menor na renda fixa.

Após esse movimento inicial, o interesse pela migração para a bolsa de valores passou a ser estimulado por outros fatores que não apenas a redução dos juros na renda fixa. “As novas condições da economia, com a reforma previdenciária e a redução dos juros, reforçou as perspectivas de crescimento de lucro das empresas, a melhora da capacidade de geração de caixa e lucro pela troca de dívida cara por mais barata.”

Estimulam a aposta pela renda variável ainda, além disso, a perspectiva de que a retomada do crescimento leve a um aumento de renda e consumo. “Uma ativação da economia com PIB de 2,50% para mais levará a uma geração de lucros crescentes, porque a engrenagem da economia movimentada pelo setor privado, no lugar do público, começará a rodar.”

O gestor da Porto Seguro Investimentos vê um cenário doméstico positivo contando com a ajuda de um quadro internacional mais favorável, após a assinatura da primeira etapa do acordo comercial que reduz a tensão nas relações entre os Estados Unidos e a China.

A reativação econômica mais vigorosa esperada para este ano tende a favorecer o mercado de ações como um todo, o que fortalece o apelo do investimento em ações, mas alguns setores, como o de varejo e o de infraestrutura, podem ter mais destaque, de acordo com os especialistas em investimento.

Ações de empresas do setor de varejo são sempre lembradas pela expectativa de aumento de renda e de consumo em cenário de crescimento econômico. O setor de infraestrutura, como o de rodovias, energia elétrica, portos, são vistos como os de maior potencial para a atração de investimento privado e, portanto, de rentabilidade.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou sexta-feira com alta de 1,52%, com valorização acumulada de 2,58% na semana. O avanço no mês está pouco abaixo, em 2,45%, que é também o do ano.

Dólar ganha fôlego

O dólar recuperou o fôlego em janeiro. Em meio a incertezas, o dólar comercial chegou a bater R$ 4,20 durante as negociações da última quinta-feira. O temor seria que, com sinais de atividade econômica fraca e pouca tração, o País não tenha apelo suficiente para atrair capitais estrangeiros, seja para investimento em bolsa de valores, seja para o aumento da capacidade produtiva.

O estrategista de Moedas e Taxas de Juro do BNP Paribas, Samuel Castro, identifica, além desse, também fatores técnicos por trás do recente ajuste para cima do dólar.

De acordo com ele, o início do ano tem sido marcado por uma correção do prêmio (adicional, para cima ou para baixo, nos preços) dos ativos de risco, dentre eles o do dólar. A onda de otimismo que tomou conta do mercado em dezembro levou à queda acentuada da moeda americana, que agora passaria por uma recomposição de cotação.

Outra fonte de pressão, na esteira da divulgação de dados fracos da economia, é a expectativa de nova redução da taxa básica de juros, a Selic, na virada de fevereiro. Novo corte dos juros, explica, reduz a diferença entre as taxas de juro domésticas e externas, o que desestimula o ingresso de dólares para investimento em títulos de renda fixa locais.

Para Fernando Camillo, da Porto Seguro Investimentos, mesmo com a mudança estrutural na diferença entre juros domésticos e internacionais, o dólar comercial pode recuar e acomodar-se em torno de R$ 4,10.

O dólar comercial fechou a sexta-feira cotado por R$ 4,16, com valorização de 1,71% na semana. A alta acumulada no mês está em 4%, que é também a do ano, até agora.

 

 

 

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