Ficar na segurança da renda fixa, ou assumir risco para ganhar mais?

Regina Pitoscia

02 Janeiro 2019 | 01h05

Um dilema se põe diante do investidor mais conservador nesta virada de ano. Trata-se de uma escolha entre insistir na renda fixa, para continuar recebendo um rendimento que mal repõe a correção monetária, ou migrar com parte do dinheiro para uma aplicação de renda variável que, embora com risco maior, tenderia a oferecer uma rentabilidade mais atraente.

Antes de decidir, vale a pena dar uma espiada em alguns dados projetados para o cenário à frente por analistas e economistas, a partir de condições de momento.

Perspectiva de inflação baixa para 2019, ao redor de 4% – a expectativa do mercado financeiro, de acordo com a edição do boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, dia 24, aponta para uma inflação de 4,03% – pouco acima da de 3,69% estimada para 2018. A taxa básica de juros, a Selic, prevista para o fim de 2019 está em 7,25% ao ano.

A estimativa dos gestores aponta para uma inflação em 2019 ligeiramente acima da de 2018 e uma taxa Selic também pouco mais alta que a corrente. Nada, porém, que indique alterar significativamente o rendimento nominal das aplicações de renda fixa.

Também não muito diferente, portanto, da remuneração das principais aplicações de renda fixa no ano que acabou. Em 2018, a caderneta encerrou o ano rendendo 0,37% ao mês ou 4,55% ao ano; os fundos DI, 6,25%, em média, e fundos de renda fixa, 6,23%, na média – rendimento dos fundos equivale ao bruto, sem desconto do imposto de renda e da taxa de administração.

Renda variável

Ao contrário da perspectiva de repetição da mesmice na renda fixa, especialistas trabalham com projeções otimistas para a bolsa de valores no ano que começa. O fator alentador que impulsionaria o mercado e a valorização das ações, apostam, viria da aprovação das principais reformas econômicas, sob o governo do presidente Jair Bolsonaro, que recolocariam as contas públicas, hoje com brutal rombo, no caminho do ajuste fiscal.

A ideia é que com mais confiança na economia, como resultado das reformas, o investidor fique com mais apetite para a compra de ações. A expectativa é que o capital estrangeiro, que vendeu ações e foi embora no fim do ano, também retome as compras no mercado doméstico de ações.

Se tudo correr bem com as reformas, como espera o mercado financeiro, e se elas forem consistentes para recolocar a atividade econômica na rota do crescimento sustentado, a bolsa de valores avançaria para novos patamares de valorização, avaliam analistas e economistas.

Diversificação

Apesar do otimismo, a aprovação das reformas econômicas, especialmente da previdenciária, não passa por enquanto de uma torcida dos aplicadores, porque depende do Congresso. Uma possibilidade que, se materializada, poderia render ganhos atraentes a quem apostar fichas na bolsa de valores.

Para não ficar fora e perder a oportunidade, analistas indicam a aplicação de uma parcela, de 20% a no máximo 30%, dos recursos em ações, seja pela compra direta na bolsa de valores, com orientação de algum especialista, seja por meio de um fundo de ações.

Essa migração de recursos da renda fixa para a variável é sugerida para quem tem volume médio ou elevado de dinheiro para aplicação e possibilidade de mantê-lo investido sem data prevista para o resgate. A compra de ações com data definida para a saída não é bom negócio, desde o início, porque aumenta o risco de perda caso a venda coincida com um momento de queda da bolsa de valores.

Pé na renda fixa

Há situações ainda em que pode ser mais vantagem manter o dinheiro na renda fixa, apesar do juro baixo. A dica vale para volumes baixos de aplicação ou para o dinheiro que será usado em pouco tempo, para alguma finalidade definida antecipadamente.

Nesse caso, a opção mais indicada seria a caderneta de poupança, isenta de imposto de renda. A poupança não cobra também a taxa de administração, como os fundos de renda fixa e DI, o que reduz ainda mais o rendimento líquido desses fundos.

Para quem insiste em aplicar nos fundos, é importante fazer uma pesquisa das taxas de administração cobradas. Com a Selic baixa, apenas fundos de investimento com taxa de administração abaixo de 0,50% teriam condições de competir com a caderneta, em rentabilidade.

A remuneração pode melhorar também com a permanência do dinheiro por tempo mais longo no fundo, porque, quanto menor o prazo de aplicação, maior será a alíquota de tributação e mais pesado o imposto.

Tesouro Direto

Quem puder aplicar por períodos mais elásticos, acima de um a dois anos ou mais, dependendo do título, poderá obter melhor rentabilidade em títulos comprados pela internet na plataforma do Tesouro Direto.

Principalmente depois da recente redução dos custos de aplicação nessa modalidade. Primeiro foram bancos e corretoras que deixaram de cobrar a tarifa da taxa de intermediação, entre o investidor e o Tesouro Nacional, e agora a redução da taxa de custódia.

A partir desta virada de ano a taxa de custódia cobrada pela B3, a BM&FBovespa, para a guarda dos títulos públicos comprados na plataforma do Tesouro Direto caiu de 0,30% para 0,25%. A redução foi anunciada pelo Tesouro Nacional na última quinta-feira, dia 27.