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Fintech Jeitto: empréstimo sem juros e serviços para desbancarizados

Regina Pitoscia

15 de janeiro de 2020 | 00h13

As fintechs são bem-vindas por várias razões: porque eliminam burocracias, são ágeis, oferecem produtos e serviços financeiros a custos mais baixos, e aumentam a concorrência em um segmento monopolizado por quatro ou cinco instituições do mercado.

Além disso, com o uso da tecnologia, essas empresas estão cada vez mais atentas às reais necessidades do consumidor, criando produtos diferenciados e novas formas de consumi-los. Por exemplo, a Jeitto oferece o que pode ser chamado de microcrédito pessoal. Ela empresta valores baixos, entre R$ 25 e R$ 150, podendo chegar a R$ 500. É uma ponte no orçamento para atravessar o mês, sem cobrar juros.

Antes de qualquer outra facilidade, a Jeitto está voltada a uma população marginalizada no mercado financeiro: os desbancarizados, que não conseguem sequer abrir uma conta corrente em um banco tradicional por não ter renda, ou por não preencher os requisitos necessários.  E mesmo quando conseguem, não suportam depois manter a conta por precisar arcar com os custos de tarifas e outras taxas.

As dificuldades são ainda maiores na hora de conseguir um empréstimo. Primeiro, porque é raro encontrar um banco ou financeira que se disponha a emprestar um valor mais miúdo. O usual é empurrar sempre um valor mais alto do que o solicitado, levando o cliente a gastar além do que de fato precisa. Segundo, porque as exigências são muitas com alto nível de negativas na concessão e, terceiro, porque os juros são altos, proibitivos especialmente para os que estão com nome negativado.

Percebendo essas barreiras para o acesso aos serviços financeiros, Fernando Silva, um dos fundadores da Jeitto, aproveitou as experiências que vivenciou no mercado internacional, no Leste europeu e países africanos, para formatar a oferta de microcrédito pessoal.  “É um fluxo de caixa para a pessoa conseguir fechar o mês sem recorrer a um empréstimo tradicional”, explica ele. Por pesquisas feitas pela empresa, há 40 milhões de pessoas no País precisando de um financiamento nessas condições.

Tudo funciona por meio de um aplicativo, e o interessado não vai precisar de conta corrente para movimentar o dinheiro emprestado. Não há cobrança de juros, e sim de uma tarifa que pode variar de R$ 2,99 a R$ 7,99, dependendo do valor a ser financiado. No mês em que o dinheiro não é usado, não há esse custo. O pagamento é feito de forma idêntica ao de uma fatura de cartão de crédito, sempre no dia 10 de cada mês. Mas nesse momento, o crédito tem de ser pago integralmente, sem o crédito rotativo que pode levar o consumidor a um descontrole da dívida.

O cadastro é realizado somente com a informação do CPF, e o crédito é aprovado em 2 minutos. Parece simples, mas não é. Por trás dessa concessão há uma rigorosa análise de crédito, por meio de mecanismos de Inteligência Artificial ligados ao celular do consumidor, sobre seus hábitos de consumo e sua vulnerabilidade de pagamento. Foram anos de laboratório até chegar ao modelo atual.

Fernando explica que para liberar o crédito, há uma verificação antifraude, para saber se “o cliente é o cliente”, depois qual a sua capacidade de pagamento e, por fim, qual o valor ideal a ser emprestado, para que seja um “crédito de qualidade”, ou seja, que atenda às necessidades do consumidor e permita a ele bancar o compromisso. “Queremos um relacionamento de longo prazo”, diz ele.

A conveniência dos serviços da Jeitto não se limita ao crédito em si, mas abre as portas a quem não tem conta em banco de realizar seus pagamentos por meio do aplicativo: suas contas de água, luz, gás, além de viabilizar compras online, pela internet. Da mesma forma, permite pagar serviços de entrega de comida, ou de transportes, por exemplo. É o que valor concedido pelo empréstimo fica armazenado em uma conta digital que pode ser livremente movimentada pelo usuário.

Em nenhum momento há a liberação de dinheiro em espécie.  Para as compras online, o crédito será de até R$ 300. Segundo o empresário, 40% das vendas no e-commerce são de até esse valor, e os parceiros que oferecerem esse tipo de solução poderão aumentar a conversão das vendas em até 50%.

O aplicativo não só vem proporcionar a inserção das pessoas sem cartão de crédito no País, que chegam a 80% nas classes C e D, no segmento de compras online, como trazer mais praticidade e segurança para as empresas parceiras. É que para essas pessoas sem cartão, a opção de pagamento se torna, automaticamente, o boleto, que conta com alto índice de inadimplência e, por isso, compra cancelada.

Nesse caso, os parceiros não terão de fazer nenhum investimento em tecnologia para oferecer o serviço financeiro, porque a Jeitto cuidará da autenticação, análise, concessão e cobrança do financiamento.

A fintech já aprovou crédito para 70 mil clientes, com mais de 200 mil contas digitais aprovadas. Sua base de novas contas tem aumentado 30% ao mês e sua meta é de chegar a 2 milhões de contas digitais até 2022.

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