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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Fintech Mutual oferece crédito social a pequenos empresários

Regina Pitoscia

24 de abril de 2020 | 01h31

Há um mês, o Banco Central reduziu o recolhimento compulsório que os bancos estão obrigados a fazer a seus cofres, de 25% para 17%, com o objetivo de aumentar a liquidez do mercado e facilitar as operações de crédito. Um socorro imediato a pessoas que ficaram sem renda ou a empresas, sem faturamento do dia para a noite, na crise trazida pelo coronavírus.

Na prática, não foi bem isso o que aconteceu. Com receio de calote, em meio à brecada abrupta na economia, os bancos se retraíram, demonstrando desinteresse em oferecer crédito ou facilitar a vida de seus clientes, em uma fase de sufoco financeiro. Isso sem falar nas taxas de juros que, já em nível elevado, acabaram subindo ainda mais. Quem foi atrás desse crédito, voltou de mãos abanando.

Mas são também esses momentos de extrema dificuldade que permitem o surgimento de saídas criativas e até mais apropriadas para a atual situação de caos financeiro e de saúde, que não permite deixar de lado o aspecto social. As fintechs, que já vinham atuando de forma diferenciada e mais voltada aos interesses dos clientes, também estão se apresentando para o jogo.

A Mutual é uma delas que, com sua plataforma que conecta quem precisa de dinheiro emprestado a investidores, decidiu voltar sua tecnologia e sua expertise para o crédito social. E tudo feito por meio de aplicativo, o Mutual, em operação chamadas de peer to peer lending (empréstimo P2P ou crédito P2P),

A iniciativa veio da observação do cenário dramático que se desenhou repentinamente para pequenos e médios empreendedores, relata Victor Fernandes, diretor de marketing e cofundador da fintech. A quarentena, que tirou as pessoas das ruas, paralisou as atividades de 60% das pequenas e médias empresas, interrompendo o seu faturamento, segundo o Sebrae.

A ideia, então, foi a de abrir a sua plataforma para a concessão de crédito, em operações que podem dar suporte aos empreendedores, ao mesmo tempo que oferecem oportunidades de ganho ao investidor, incluindo desde pessoa física a fundos de investimento interessados em apoiar financeiramente os pequenos negócios.

Pelo lado de quem vai tomar o crédito, os valores chegam a R$ 1 mil, com juros de 1% ao mês, em nove parcelas, com a possibilidade de pagar a primeira em 90 dias. Pelo lado do investidor, é possível fazer uma aplicação a partir de cotas de R$ 100,00 e escolher o negócio em que quer empregar o seu dinheiro, a partir de análise do perfil de cada empresa e empreendedor, em busca de crédito na plataforma.

O retorno desse investimento solidário virá em 9 parcelas, sendo que a primeira será depositada depois de 90 dias, com rentabilidade de 5% ao ano, o que não é nada desprezível diante de uma Selic de apenas 3,75% ao ano, que baliza o rendimento das aplicações em renda fixa. O risco da operação está ligado à falta de pagamento do tomador de crédito.

O executivo explica que o programa #InvistaNoPequeno, lançado há pouco mais de uma semana e vai até o final de maio, já conseguiu ajudar a mais de 300 pequenos empreendimentos. “Há casos interessantes, de cabeleireira que deixou de atender, passando por dificuldades, mas que se dedicou a ações sociais, cortando o cabelo de quem também não tinha dinheiro para pagar o serviço”.

A expectativa da fintech é que a iniciativa resulte em R$ 20 milhões de empréstimos aos pequenos empreendedores. Embora a Mutual faça uma análise das condições da empresa, e cuide de toda a intermediação, Victor ressalta que o investidor precisa ter o propósito solidário, de ajudar os pequenos negócios, sem visar apenas o retorno financeiro.

“Não teremos lucro com esse novo serviço, nossa comissão foi zerada. Estamos abrindo a nossa plataforma, em caráter excepcional, porque sabemos da situação difícil que milhares de pessoas estão enfrentando por estarem impedidos de trabalhar e sustentar suas famílias”, diz ele.

Pessoas interessadas em obter o empréstimo, entre trabalhadores autônomos e microempreendedores individuais, terão de se cadastrar no aplicativo Mutual Crédito (Apple Store e Google Play).  Quem for aplicar poderá fazê-lo pelo aplicativo Mutual Invest, e qualquer pessoa pode emprestar dinheiro a esses pequenos empreendedores, inclusive a um amigo, familiar ou conhecido.  Para mais informações sobre a campanha, basta acessar https://mutual.club/invista-no-pequeno.

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