Fintech reduz custo do crédito e aumenta rentabilidade do investidor

Regina Pitoscia

24 de abril de 2019 | 01h22

Com as bênçãos e a aprovação do Banco Central vai começar a funcionar no País a primeira Sociedade de Empréstimos entre Pessoas (SEP). O início das operações está previsto entre os meses de junho ou julho deste ano, mas a fintech já está em fase de testes e aceitando inscrições de interessados em conhecer o sistema. A Mova é a primeira instituição a ter o aval do BC para atuar dentro de um novo modelo financeiro.

Em uma SEP, elimina-se a intermediação de um banco tradicional: quem vai aplicar empresta diretamente a quem está precisando de dinheiro (empréstimo P2P, ou peer to peer lending em inglês), e a fintech faz a ponte entre os dois, por meio de suas plataformas tecnológicas e suas análises rigorosas de crédito. O resultado é que a taxa de juros será mais baixa ao tomador de crédito e o retorno, mais alto ao aplicador, mesmo considerando a parte que cabe à fintech.

Por anos a fio se ouve falar do tal spread bancário, a diferença entre a taxa de captação (a que remunera o investidor) e a taxa de financiamento (a que é cobrada do consumidor). E também sobre a necessidade de redução dessa margem, de modo a estimular as operações de crédito.

Hoje um banco oferece ao aplicador em um de seus papeis, o CDB (Certificado de Depósito Bancário), um rendimento entre 0,40% a 0,50% ao mês, na tal taxa de captação, e cobra, em suas linhas de crédito, algo entre 5% ao mês, no empréstimo pessoal, e 14% ao mês, no cheque especial. A larga diferença é justificada pelos custos de operação, pelos riscos de inadimplência, carga fiscal e lucro do banco.

O novo modelo, amparado pela tecnologia, permite a redução dessa diferença entre as taxas, com um dinheiro mais barato a quem vai levantar um financiamento e uma remuneração mais interessante ao investidor. A começar pelo elo que faz entre as partes e pelos sistemas de operação da fintech, mais leves e ágeis do que em uma instituição financeira tradicional.

O diretor-executivo e sócio-fundador da Mova, Roberto Felipe Tesch, explica que, na formatação desse padrão, houve uma grande preocupação com a inadimplência nas transações. E aí a tecnologia entrou na história mais uma vez facilitando o levantamento de informações sobre quem está precisando de crédito.

Na prática, uma operação mais sofisticada de estruturação e modelagem da dívida, para empresas, que demandaria custos estratosféricos em um banco tradicional, por envolver equipes, auditoria, análise do setor em que uma empresa opera, e assim por diante, poderá ser feita com a mesma qualidade e precisão, mas de forma bem mais econômica a partir dos recursos tecnológicos.

Assim, dentro do novo figurino, o custo será o mesmo para uma operação de R$ 50 ou de R$ 2 milhões, viabilizando, portanto, esse tipo de serviço a clientes de menor poder aquisitivo, esclarece o diretor.

Nesse mesmo sentido, Roberto acredita que o cadastro positivo vai contribuir com a redução de custos para o levantamento de informações do cliente. E isso também tem reflexos na democratização e aumento de concessão do crédito.

Ao mesmo tempo em que consegue cercar a operação com as mesmas garantias de um banco tradicional, a fintech tem seus custos reduzidos, o que lhe permite oferecer a mesma operação, antes acessível apenas a grandes empresas e tomadores de crédito, a qualquer interessado.

Nas projeções de Tesch, o custo de um empréstimo, em operação cursada na SEP, deve cair para algo entre 16% e 30% ao ano, ou 1,24% e 2,21% ao mês, em termos nominais, sem considerar a correção monetária. Inicialmente além de crédito a empresas, pessoas jurídicas, a Mova vai financiar também cursos de pós-graduação para pessoas físicas.

A propósito, a fintech, em parceria com o grupo Omni, tinha como objetivo inicial operações de financiamento estudantil, intermediadas por bancos. No entanto, com o sinal verde do BC para a criação das SEPs, a decisão foi criar um produto já dentro dos novos moldes. O custo também deve ser bem mais baixo para os interessados em fazer pós-graduação.

Ganho nas aplicações

Se para o tomador do empréstimo o custo cai, para o investidor a remuneração será mais interessante. Pelos cálculos do diretor será possível pagar entre 15% e 25% ao ano, o que representa algo entre 250% e 300% do CDI ao aplicador em renda fixa.

E para oferecer mais garantias ao investidor, as aplicações serão pulverizadas para diferentes operações de crédito. Quer dizer, o dinheiro não ficará amarrado a apenas uma operação de crédito, mas distribuído por várias, reduzindo assim o risco de inadimplência.

Quem tiver interesse em conhecer mais detalhes sobre esse novo modelo de crédito ou de investimento pode acessar o endereço mova.vc.

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