Fintechs trazem vantagens a quem usa cartão de crédito

Regina Pitoscia

22 de março de 2019 | 02h24

Com a chegada das fintechs e o consequente aumento da concorrência na oferta de serviços financeiros, está mudando também a relação do consumidor com o cartão de crédito.

Visto como um dos principais vilões do endividamento do brasileiro, por ser um dinheiro sempre à mão, mas com juros bem salgados para quem não paga o total da fatura em dia, o cartão de crédito pode ser uma importante ferramenta na administração do orçamento e, hoje, a custos mais baixos de manutenção, além de oferta de alguns benefícios aos usuários.

Especialmente para atrair e reter cliente, são várias as instituições financeiras que fornecem o cartão sem cobrança de anuidade. Uma prática que vem ganhando força mais entre as fintechs – as plataformas de tecnologia que oferecem crédito, transferência de recursos, aplicações, entre outros serviços – mas que está sendo adotada também por alguns bancos tradicionais.

Justamente pelas condições mais favoráveis ao consumidor, o momento é oportuno para conseguir um cartão sem custos, afirma o CEO do ComparaOnline, um site que lista e compara diferentes opções de crédito e seguro, Paulo Marchetti. “Basta ver que quando alguém liga para falar que quer cancelar o cartão, a administradora logo oferece um ano grátis de cartão ou outras vantagens. Há espaço para a barganha” argumenta ele.

O site(www.comparaonline.com.br) traz as condições de seis cartões com anuidade zero: o do Nubank, Cartão Neon, Cartão Free do Banco Original, Cartão Inter, Cerdicard Zero e Santander Free.

O executivo explica que no Chile, onde sua empresa também atua, “os cartões já não cobram mais anuidade, falar de isenção lá é chover no molhado”. A competitividade passou a recair, segundo ele, sobre outras recompensas, como por exemplo a devolução de parte dos gastos (cashback ou dinheiro de volta).

Por aqui, o mercado apresenta iniciativas nesse sentido além das conhecidas e populares milhas – despesas pagas que se transformam em descontos na compra de passagens aéreas – ou dos pontos que podem ser trocados por produtos. Todo atrativo é bem-vindo, mas dependendo do perfil financeiro do usuário nem sempre vai valer a pena assumir um custo para ter determinado cartão.

Marchetti chama a atenção para particularidades em relação a isenção ou outros benefícios, e cita o Santander Free que oferece gratuidade no cartão, mas desde que haja um gasto mensal mínimo de R$ 100. Para quem sabe que terá sempre despesas a partir dessa quantia a cada mês, o cartão trará vantagens. No entanto, quem não tem esse perfil de consumo não deve pedir o cartão apenas para ter a isenção. “Pode ser um estímulo ao consumo e levar a gastos acima das necessidades”.

O Nubank, um dos pioneiros a oferecer o cartão isento de anuidade passou a contar também com o sistema Nubank Rewards. Por ele, a cada R$ 1,00 de despesa o usuário acumula um ponto e o total de pontos pode ser usado para pagar gastos da própria fatura. Mas haverá a cobrança de uma mensalidade de R$ 19,00 para quem quiser contar com essa possibilidade.

O executivo explica que, diante dessas condições, a modalidade será vantajosa, e o consumidor terá de fato o retorno, quando os gastos atingirem um determinado nível. E o próprio banco explica isso de forma muito transparente em seu site, indicando o cartão para quem tem despesas acima de R$ 1.600. Caso contrário, não vai compensar assumir a mensalidade de R$ 19,00, porque não haverá um retorno nos descontos equivalente a esse custo.

O conceito está baseado em quanto maior o gasto maior o incentivo oferecido pela administradora, explica o CEO. De todo modo, ele elogia esse acesso dado ao usuário de pegar os pontos acumulados diretamente em sua fatura e eliminar determinadas despesas, através do aplicativo.

“O retorno é mais concreto, quando o consumidor percebe que com o bônus conseguiu pagar, por exemplo, uma corrida do Uber”. Já no esquema de milhagem, a recompensa está mais distante do dia a dia do usuário. Nem sempre ela é palpável de forma imediata por não ser possível saber até onde pode ir com aquelas milhas, ou se vai conseguir comprar a passagem desejada e pelo preço pretendido.

Além de dar visibilidade ao que os principais cartões do mercado oferecem, a plataforma ComparaOnline conta com outro serviço, em que usuários relatam e avaliam suas experiências com as administradoras dos cartões. Informações que podem servir de base e orientação para quem for contratar os mesmos serviços. “Assim, o aspecto de reputação da empresa pode estar mais próximo do consumidor no momento de decisão, de modo a garantir que ele faça uma boa escolha”.

O diretor identifica mudanças relevantes pelas quais passou o segmento de crédito. “A forma de distribuição financeira mudou”, constata ele. “Se antes o consumidor tinha até medo e constrangimento de entrar numa agência para pedir um empréstimo e ser obrigado a sair de lá com um seguro, um título de capitalização para ajudar o gerente a bater suas metas, hoje ele faz isso pela internet com as fintechs”.

Houve uma inversão, argumenta Marchetti, porque o interessado sem sair de casa pode conhecer as opções, saber quem quer lhe emprestar dinheiro e pelas condições mais favoráveis. “O consumidor não precisa mais ser refém das instituições financeiras, e deve ter a consciência de que tem mais poder de escolha, porque há uma disputa por ele”, finaliza.

 

 

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