Fique atento ao custo de cada aplicação

Regina Pitoscia

27 de março de 2019 | 00h50

(*) Com Tom Morooka

Em meio a investidores que nem sabem que pagam para investir, outros acham que não pagam nada. Que é só aplicar o dinheiro e receber periodicamente o rendimento, sem nenhum custo.

A rigor, apenas a caderneta de poupança não exige custo algum. Todas as demais aplicações têm custo que, no fim das contas, redunda em rendimento líquido menor para o investidor.

Títulos bancários, como CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), não cobram taxa de administração. Nem por isso isentam o investidor de custo, ainda que implicitamente.

Note que esses títulos oferecem como rendimento determinada porcentagem do CDI ou juro DI, que roda emparelhado com a Selic. Um título que rende 85% do juro DI seria equivalente a essa porcentagem calculada sobre a Selic, ou 5,25% ao ano (85% de 6,50%). O custo fica embutido e corresponde à diferença entre a taxa cheia e a porcentagem do DI, que deixa de ir como rendimento ao bolso do aplicador.

Quem aplica em fundo de investimento paga uma taxa de administração. É a remuneração do gestor que administra o fundo.  A taxa é uma porcentagem ao ano, calculada sobre o valor aplicado, e descontada diariamente do valor da cota do fundo.

A queda da Selic, referência de rendimento para muitos fundos de investimento, estimulou a concorrência e as taxas cobradas caíram, embora continuem fatores determinantes do rendimento. Seu impacto cresce, principalmente em aplicações por prazos mais longos.

O aplicador que paga uma taxa de administração de 1% ao ano deixa ao cabo de cinco anos 5% do valor total aplicado para o gestor do fundo.

Zeragem de taxa

Com a Selic estacionada em 6,50% ao ano há quase um ano e sem perspectivas de que ela venha a subir tão cedo, bancos e corretoras estão optando pelo corte de custos como chamariz para tentar atrair os investidores para seus produtos financeiros.

Em iniciativa pioneira para um fundo de varejo no Brasil, desde o dia 15 de março o BTG Pactual digital, uma plataforma online de investimentos do banco BTG Pactual, reduziu de 0,08% ao ano para zero a taxa de administração do fundo BTG Pactual digital Tesouro Selic Simples FI RF.

O fundo é formado apenas por Tesouro Selic, versão da Letra Financeira do Tesouro (LFT), um título da dívida pública federal. A aplicação mínima é de R$ 500,00 e a movimentação mínima, R$ 100,00.

“Por conta de seu baixo risco e alta liquidez, esse é o investimento ideal para o que chamamos de ‘colchão’ financeiro de emergência. Além da facilidade do resgate, o Tesouro Selic oferece baixíssima volatilidade. É excelente opção à poupança e ao próprio Tesouro Selic (LFT) oferecido no Tesouro Direto”, diz Marcelo Flora, sócio do BTG Pactual digital.

A Órama é outra plataforma de investimentos que reduziu, desde o dia 18, a taxa de administração, de 0,20% ao ano para zero, do fundo Órama DI Tesouro. A ideia é tornar o investimento de liquidez diária mais vantajoso que o feito no Tesouro Direto.

“Por ser um investimento de baixo risco, o Tesouro Direto se popularizou muito nos últimos tempos. O que as pessoas podem não saber é que mesmo as aplicações no próprio Tesouro Direto possuem o custo da taxa de custódia, que é 0,25% ao ano”, explica Sandra Blanco, consultora de investimentos da Órama. “Nossa taxa já era mais vantajosa. Mas, agora, será possível obter a mesma rentabilidade, com os mesmos papéis e liquidez diária, sem pagar taxa alguma.”

Com a carteira formada por Tesouro Selic, título público com juro pós-fixado atrelado à taxa básica de juros, a Selic, o Órama DI Tesouro tem como objetivo de rentabilidade seguir a variação do CDI, versão privada da taxa Selic, usada pelo banco nas operações interbancárias.

O valor da aplicação inicial é R$ 1 mil. As movimentações seguintes são livres, as aplicações podem ser de qualquer valor. Nos últimos dois anos, segundo a Órama, o fundo rendeu 18% mais que a caderneta de poupança.

 

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