Fundo de investimento rentável reverte custo a projetos sociais

Regina Pitoscia

26 de junho de 2019 | 00h04

O VRB Multimercados não é apenas mais um fundo de investimentos. Ele conta com vários diferenciais: sua administração está a cargo de uma equipe de profissionais de excelência, sua rentabilidade tem sido atraente, é acessível ao pequeno investidor e, aspecto particularmente interessante, a taxa de administração é revertida a programas de impacto social.

A composição do “dream team” de gestores só foi possível porque havia a preocupação com o aspecto social, explica Tiago Fernandes, diretor executivo da VRB – uma instituição criada em 2016 com o apoio de alguns dos maiores investidores privados do País e também do megainvestidor global George Soros, com o objetivo de mobilizar agentes do mercado financeiro para uma agenda de transformação e geração de valor para a sociedade.

Foi então que algumas das principais e mais conceituadas administradoras de patrimônio do mercado, que apostaram e assumiram o projeto, cederam seus profissionais para compor o Comitê de Investimento do fundo VRB Multimercados. Em reuniões periódicas, esse comitê discute o cenário econômico atual e futuro, faz suas análises e projeções para então selecionar as classes de ativos em que os recursos serão empregados.

Mas há um reforço de expertises, porque o comitê também identifica os gestores que estão conseguindo as melhores performances em seus fundos para comprar cotas desses fundos. Na prática, o VRB é um fundo de fundos, o que permite replicar ao investidor final um desempenho diferenciado. Entre os fundos selecionados estão: Fundo Verde, Kapitalo Zeta, Gávea Macro Plus, SPX Nimitz, Vintage Macro, Ibiuna STH, SPX Falcon, Truxt Long Biased e Oceana Long Biased.

A maioria deles fechada para novos investidores e, quando abertos, sem acesso para o grande público por exigir valores relativamente elevados para aplicações, algo a partir de R$ 500 mil. E nesse sentido também houve inovação, porque a decisão foi a de oferecer o VRB pela corretora XP, disponível para valores a partir de R$ 10 mil.

A rentabilidade? O fundo apresentou uma valorização de 11,19% nos últimos 12 meses, bem acima do que vem proporcionando o segmento de renda fixa. Esse desempenho equivale a 168% do CDI, uma das taxas mais altas do mercado, a que é praticada entre os bancos. Em 24 meses, o retorno do VRB está em 24,05%.

Como qualquer fundo multimercado, o VRB aplica os recursos em diversos ativos (títulos, moedas, ações, juros, índices). É uma modalidade de aplicação que, além de aproveitar a onda favorável da renda variável, pode oferecer mais proteção contra as bruscas oscilações dos ativos, com carteiras mais flexíveis que possibilitam a reformulação em sua composição de acordo com diferentes cenários.

A taxa de administração do VRB de 1% ao ano é destinada a projetos, sem qualquer interferência na rentabilidade do aplicador. E no total, desde sua criação em 2016, mais de R$ 4 milhões já foram repassados a diferentes programas. “Conseguimos reunir o melhor dos dois mundos, o fundo busca o melhor rendimento e tem impacto social na veia. Há ganhos para o gestor e para o investidor, que não está preocupado somente com o retorno financeiro, mas também com resultados sociais”, afirma Tiago.

Ainda incipiente no Brasil, esse modelo de fundo já é bem difundido na Europa e nos Estados Unidos. “São iniciativas que ganham liderança no processo de vanguarda”, diz Fernandes, que trouxe o conceito e estruturou a versão brasileira de investimentos com preocupações sociais. E nela, igualmente importante, foi formar um comitê consultivo com especialistas em programas sociais para que a identificação de ações e a aplicação dos recursos fossem otimizadas.

Fazem parte desse Comitê nomes como os de Edmar Bacha, Anna Victoria Lemann, Bernardo Sorj, Simon Schwartzman, Rubem César Fernandes e Aik Brandão.

A seleção dos projetos é feita pela VRB e atualmente há três deles sendo tocados com as verbas repassadas pelo fundo. Um está ligado à segurança na cidade do Rio de Janeiro e voltado para a capacitação de policiais com a proposta de reduzir o número de mortes entre eles. “Polícia que menos mata é a que menos morre”, ressalta Tiago.

As diretrizes do programa foram traçadas por ex-policiais com muitos anos de experiência e que, dessa forma, tiveram condições de identificar as ações mais adequadas e necessárias para a instrução e valorização do policial.

Educação financeira para escolas municipais de ensino médio em São Paulo é outro programa desenvolvido pela VRB. Na prática, uma combinação da disciplina de matemática com o uso consciente do dinheiro, “que vai permitir ao jovem montar e controlar um orçamento, por exemplo, com impacto direito na vida deles e das famílias”, relata o executivo. O projeto inclui a capacitação dos professores para o curso.

A terceira ação compreende um clube de futebol para refugiados, com sede em Paty do Alferes, município do interior do Rio de Janeiro. A ideia foi a de acolher por meio do esporte e da educação integrantes do Haiti, Síria e Venezuela, além de brasileiros. Assim foi formada a Academia Pérolas Negras, que aposta no resgate da autoestima desses jovens, que estão entrando na adolescência. “Um projeto que consegue atravessar fronteiras e continentes e permite enxergar os refugiados como fonte de talento e não apenas como fonte de problemas”, finaliza Tiago.