Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Fundos imobiliários: ganhos com dividendos e alta das cotas

Regina Pitoscia

27 de dezembro de 2019 | 00h31

Um dos investimentos que estão na berlinda, após os seguidos cortes na taxa básica de juro, a Selic, que derrubaram as taxas de juro das aplicações às mínimas históricas, são os fundos imobiliários. Os fundos de base imobiliária disputam acirrada competição, ao lado de fundos de ações e fundos multimercados, na disputa de investidores decididos a sair da renda fixa para um investimento de renda variável que neutralize ao máximo a volatilidade e, portanto, o risco de fortes oscilações.

O momento de retomada do crescimento e as perspectivas econômicas parecem credenciar os fundos imobiliários a esses critérios de exigência.

O fundo imobiliário é uma aplicação que combina em sua rentabilidade a distribuição de dividendos e a possibilidade de ganhos com a valorização das cotas na bolsa de valores.

Para especialistas em investimentos, raras vezes, nos últimos tempos, o cenário esteve tão favorável ao desempenho desses fundos. A começar pelos juros na mínima histórica, um dos principais aliados desses fundos, que sempre tiveram nos juros altos o principal concorrente que desviava os investidores para outras aplicações.

Juros nanicos, que aparentemente vieram para permanecer baixos durante bom tempo, têm encorajado cada vez mais investidores a assumir riscos e a diversificar nesses fundos. O aquecimento do mercado imobiliário fecha esse arco de condições favoráveis, fortalecendo a expectativa de ganhos maiores com os fundos imobiliários.

O ano de 2019, de acordo com os especialistas, termina superando as expectativas mais positivas e acenando com melhores perspectivas para o próximo ano. Alimentam essa renovada torcida desde a ideia de manutenção dos juros baixos, a aceleração do crescimento econômico, a ampliação da oferta de crédito até o aumento de interesse dos investidores institucionais, como os fundos de pensão, e a retomada de impulso do ciclo imobiliário, peça-chave desses fundos.

A recuperação da vacância (ou queda do nível de desocupação dos imóveis) e o aumento do valor dos aluguéis na renegociação de contratos com os inquilinos são fatores específicos do mercado que reforçam o otimismo com o desempenho dos fundos imobiliários em 2020.

O índice de fundos imobiliários (Ifix), da B3, já antecipa essa visão positiva dos investidores, ao acumular uma valorização de 24,67% no ano, até 6 de dezembro, comparada com uma valorização de 26,44% do Ibovespa (Índice Bovespa, o principal índice da B3), em igual período.  O desempenho parelho deixa claro que o segmento de ações e o de base imobiliária têm andado em linha no processo de diversificação de investimentos que permeia o mercado de investimentos.

O indicador de fundos imobiliários ou Ifix reflete uma combinação de valorização das cotas com o rendimento mensal ou dividendos (dividend yield) distribuídos pelos fundos.

Uma enquete da XP Investimentos com as principais gestoras dos fundos imobiliários revela que o otimismo com o desempenho desses fundos em 2020 está mantido, embora pouco mais modesto que o deste ano. A valorização do Ifix esperada por 38% dos gestores gira ao redor de 15%.

Em relação ao segmento que deve apresentar o maior crescimento dos aluguéis em 2020, fonte de rentabilidade dos fundos, a resposta de 81% dos gestores aponta para o segmento de lajes corporativas.

Quem quiser aplicar em um fundo imobiliário deve procurar uma corretora de valores, um caminho parecido ao de quem compra ou vende ações. A dica é uma corretora que não cobra taxa de corretagem na negociação –  cresce o número delas que concede isenção dessa taxa. Outra forma é ir direto ao home broker, uma ferramenta que possibilita a compra e a venda de cotas de fundos imobiliários e ações pela internet.

É na corretora ou no home broker que o investidor escolhe o fundo imobiliário ou seu respectivo código do qual pretende comprar as cotas. Existem fundos com vários tipos de carteira, cada qual com nicho próprio. As opções vão desde os fundos de lajes corporativos, passando pelos de recebíveis, com operações lastreadas em imóveis, hospitais, galpões, shoppings, até os fundos imobiliários híbridos.

Os fundos imobiliários híbridos podem investir em qualquer nicho do segmento imobiliário, uma diversidade de carteira interessante, porque por meio de uma gestão ativa o administrador tem flexibilidade para tentar obter o melhor retorno para o investidor.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: