Há R$ 835 bilhões na caderneta, é hora de sair dela

Regina Pitoscia

07 de fevereiro de 2020 | 00h47

A caderneta de poupança está pagando agora 0,24% ao mês, rendimento que se repetido em 12 meses resulta em 2,98%. A aplicação foi diretamente atingida pela queda do juro básico da economia, a Selic, de 4,50% para 4,25% ao ano, porque tem a sua remuneração fixada em 70% dele.

Não apenas porque houve uma redução em termos nominais, mas porque cresceu o risco de a remuneração paga ao investidor ser negativa, abaixo da inflação, a caderneta está cada vez mais contraindicada para quem tem o interesse de preservar e aumentar seu patrimônio.

Para 2020, as projeções de inflação do mercado financeiro apontam para algo em torno de 3,40%, o que supera em 0,41% os 2,98% a serem pagos pela caderneta. Se os números se confirmarem, na prática, o investidor que permanecer nessa aplicação terá perdas no poder aquisitivo do dinheiro ali depositado, porque o rendimento não terá reposto as perdas decorrentes da inflação.

O levantamento anual feito pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostrou que a caderneta continuou sendo a preferida pelos aplicadores pessoa física em 2019. Do total de investimentos dos brasileiros no mercado, 68,4% se concentraram na caderneta.

Um comportamento que não deixa de surpreender diante de seguidos cortes nos juros e, portanto, no seu rendimento ao longo do ano. Ao mesmo tempo, houve um aumento de 10% nos recursos que ingressaram nos fundos de investimentos, com patrimônio total de R$ 655,3 bilhões. Os de renda variável registraram um avanço expressivo: de 159% nos fundos de ações, e de 136% nos fundos imobiliários, ainda segundo a Anbima. Reflexo da movimentação do investidor para diversificar as suas aplicações e deixar de ser refém dos juros baixos na renda fixa.

Mesmo assim, o estoque aplicado em caderneta é ainda muito alto, R$ 835 bilhões no final de janeiro, pelos dados divulgados pelo Banco Central. A simplicidade na movimentação do dinheiro e a credibilidade conquistada por anos a fio podem explicar em boa dose a insistência do aplicador em ficar na caderneta.

No entanto, é hora de se dedicar mais ao planejamento das aplicações, de modo a identificar outras opções no mercado que possam proteger as finanças, de acordo com o perfil de cada um. Quem não gosta e não quer correr risco pode permanecer na renda fixa mesmo.

Especialmente para o dinheiro que tem a possibilidade de ficar depositado por prazos mais longos é possível encontrar nos títulos de renda fixa um rendimento bem mais interessante do que o da caderneta e com capacidade de cobrir a inflação. Para prazos menores, até de um mês, também há títulos rendendo mais (veja tabela abaixo).

Quem nunca saiu da caderneta ou da renda fixa precisa conhecer e entender o mecanismo da renda variável que, embora ofereça risco, é a que pode nesse momento proporcionar uma remuneração mais alta. Os fundos de ações, multimercados e imobiliários se colocam como opções, tanto que foram as que mais cresceram no ano passado, pela pesquisa da Anbima. E mesmo entre esses fundos o grau de risco é diferente, dependendo do ativo que estará na composição de sua carteira.

Assim, além de procurar por um fundo de renda variável adequado à sua disposição ao risco, o investidor deve ir entrando aos poucos com quantias relativamente baixas até sentir a dinâmica de funcionamento dessas aplicações e seu retorno. O mais importante é ter o interesse de buscar a melhor opção nas aplicações.

Renda fixa

E não é nada complicado encontrar aplicações mais rentáveis na renda fixa, e com alta liquidez, quer dizer, com possibilidade de saque em curto espaço de tempo. O buscador de investimentos Yubb (www.yubb.com.br) pode ajudar nessa tarefa. Uma rápida pesquisa feita nesta quinta-feira, dia 6, mostrou, pelo menos, dez aplicações em Certificado de Depósito Bancário, pelo prazo de um mês, com rentabilidade líquida, depois do desconto do Imposto de Renda, superior aos 2,98% da caderneta. Confira:

                                          CDB de um mês

Emissor            Distribuidor      Rend.líq.a.a.             Aplic.mínima R$

Bco Pine               Pine Online                 3,31%                              500,00

Bco Pan                Pan                                3,31%                              100,00

Bco Indusval       Órama                           3,30%                         1.000,00

Bco Pan                Pan                                3,30%                             100,00

Bco Sofisa            Sofisa                            3,26%                                  1,00

Bco Pan                Pan                                3,26%                             100,00

RCI Brasil            RCI Brasil                    3,26%                             100,00

Bco Sofisa            Sofisa                            3,23%                                  1,00

Bco Pine               Pine                              3,22%                             500,00

BR Partners        BTG Pactual                3,17%                          5.000,00

Fonte: Yubb

 

 

 

 

 

 

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