Inflação baixa e ganho real na renda fixa

Regina Pitoscia

06 de setembro de 2019 | 02h04

Ainda que em termos nominais o retorno seja miúdo, as aplicações conservadoras em renda fixa estão conseguindo pagar um ganho real ao investidor. Quer dizer, mesmo que em níveis mais baixos da história, os juros além de devolver ao dinheiro aquilo que foi perdido para a inflação proporcionam um rendimento extra.

O IBGE divulgou hoje a inflação oficial de agosto, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo: ficou em 0,11%. Exatamente no nível de projeções feitas pelo professor da Faculdade Fipecafi, George Sales, e publicadas aqui antes do anúncio do índice. Para ele,  a inflação mais baixa se deve principalmente ao nível elevado do desemprego (12,2 milhões de brasileiros), o que resulta na queda do consumo e justifica, assim, a redução de atividade econômica dos últimos dois anos.

Dessa forma, o rendimento pago pelos papeis e fundos de renda fixa em agosto, que na média ficou entre 0,40% e 0,50%, conseguiu superar a inflação com folga, o mesmo acontecendo até mesmo com o da caderneta de poupança, em 0,34% atualmente.

A caderneta pode se dar ao luxo de oferecer um rendimento menor, porque permite resgate a cada mês sem prejuízo da remuneração, desde que seja feito sempre no dia de aniversário, o de abertura da conta. Por isso ela é indicada para o dinheiro que precisa ser movimentado nesses prazos mais curtos, até porque é isenta de imposto de renda, enquanto em CDBs, RDBs e Letras de Câmbio (LC) e fundos de renda fixa para o prazo de um mês o imposto é de 22,5%.

Já para os recursos que podem ficar aplicados por prazos maiores são oferecidas pelo mercado opções bem mais rentáveis. No levantamento semanal feito pelo buscador de investimentos Yubb (www.yubb.com.br) aparecem papeis que podem render até 8,0% ao ano, já depois do desconto do imposto de renda, para aplicações por 6 anos.

O risco de perda, no caso, seria o de haver uma inflação superior a esse patamar durante o período da aplicação, ainda que não haja nenhuma indicação de que isso venha acontecer nos próximos anos. Ao contrário, as projeções do próprio mercado financeiro apontam para uma inflação bem-comportada, de 3,59% para esse ano, de 3,85% para 2020 e de 3,75% para 2021.

Há quem desconfie dessa rentabilidade mais atraente ofertada pelas plataformas digitais de investimentos ligadas a bancos e corretoras. Desconfiança que, geralmente, bate mais em quem está acostumado a trabalhar com os bancos tradicionais. O que é até compreensível. Mas é importante observar alguns pontos em relação a isso.

Antes de mais nada, vale dizer que para investimentos nesses papeis existe o aval do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Caso a instituição financeira que emitiu o papel venha ter problemas de liquidez, o FGC devolve até R$ 250 mil ao aplicador. Em relação a outra instituição envolvida na operação, a que distribuiu esses papeis, convém saber que suas atividades são regulamentadas pelos xerifes do mercado: Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Não que essas instituições financeiras, por seguirem a legislação, sejam imunes a problemas financeiros. Mas esse mercado novo, desconhecido, mais ágil e mais democrático não é terra de ninguém, como muitos imaginam. O BC vem demonstrando todo interesse em dar espaço para atuação das fintechs, de modo a estimular a concorrência no mercado em favor do aplicador.

O valor mínimo exigido pelas plataformas de investimento permite também aos que contam com um dinheiro mais picado tenham acesso a uma remuneração mais robusta.

                                                 Os mais rentáveis –  6 anos

Emissor/tipo                Plataforma          Rend.líq. a.a        Valor mínimo R$

Avista Fin.(RDB)              Avista Fin.                    8,00%                              5 mil

Máxima(CDB)                   Órama                           7,93%                               5 mil (*)

Máxima(CDB)                   Nova Futura                 7,82%                              500,00 (**)

Máxima(CDB)                   Guide                             7,68%                               8 mil

Caruana(RDB)                  Caruana Fin.                7,43%                              10 mil

Caruana (LC)                     Caruana Fin.                7,43%                              10 mil

Fibra(CDB)                        Nova Futura                 7,22%                              10 mil

Fibra(CDB)                        Guide                             7,12%                               10 mil

Pine(CDB)                          BTG Pactual                 7,11%                                 5 mil

Fibra(CDB)                         Nova Futura                7,11%                                10 mil

(*) Prazo de 5 anos e 10 meses

(**) Prazo de 5 anos e 11 meses

Fonte: Yubb

 

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