Inflação é risco para as aplicações em julho

Regina Pitoscia

02 Julho 2018 | 00h14

(*) Com Tom Morooka

A forte aceleração da inflação em junho, ainda que considerada momentânea, é a grande fonte de incerteza para quem aplica em renda fixa. É que, com a taxa Selic em 6,50% ao ano, esse segmento está rodando com rendimento líquido médio mensal em torno de 0,40%. A caderneta de poupança, a mais popular, rende 0,37% ao mês.

Esse nível de rendimento em aplicações como fundo DI, fundo de renda fixa e poupança, todas na esteira da Selic de 6,50% ao ano, foi insuficiente para assegurar margem real positiva de juro, no mês passado. Isso depois de descontada a inflação que está estimada acima de 1% em junho.

A inflação calculada pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), que sofre forte influência da variação de preços no atacado, fechou junho com alta de 1,87%, como apontou o índice divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na quinta-feira, dia 28.

A expectativa é que pelo menos parte do avanço de preços no atacado captada pelo IGP-M seja repassada aos preços ao consumidor, no varejo, e refletida pelos índices que medem essa inflação mais popular, incluído o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), régua da inflação oficial.

O IPCA de junho passou a ser projetado acima de 1% depois que o IPCA-15, considerado índice preliminar de inflação, divulgado pelo IBGE no último dia 21 apontou uma alta de preços de 1,11% em junho.

A torcida dos investidores em renda fixa, que vão amargaram perda real em junho por causa da aceleração da inflação, é que os preços voltem a ficar mais comportados em julho, já que a taxa básica de juros, referência da rentabilidade nesse segmento, permanece em 6,50% ao ano.

Até porque o investidor mais conservador, arredio ao risco, não tem para onde migrar com o dinheiro, sem abrir mão da segurança, fora do segmento de renda fixa.

Trancos na renda variável

O mercado de renda variável deverá continuar permeado por elevada instabilidade, com fortes solavancos nos preços das ações, sobretudo das de maior liquidez ou mais facilidade de negociação, como Petrobrás, Vale e do setor financeiro, representado por papeis de grandes bancos.

São ações que os investidores giram em negócios rápidos, com compras e vendas até mesmo em um mesmo dia, para tentar ganhar dinheiro com as bruscas oscilações de preços. Uma movimentação que põe em risco os investidores que compram ações com o objetivo de formar uma carteira estável de papeis que proporcione ganhos no médio e longo prazo.

Diante do ambiente instável do mercado de renda variável, incluído o de dólar, mesmo com perdas momentâneas, o mais indicado para o investidor conservador é não arredar pé da renda fixa, à espera de um cenário mais claro em questões políticas e econômicas para depois decidir eventuais mudanças.

O mercado de investimentos passa por um momento de turbulências, sacudido por incertezas e pessimismo com o cenário político-econômico. Nesse cenário, o aplicador deve preocupar-se mais com proteção para seu dinheiro do que mudanças de posição, em opções de maior risco, à procura de rentabilidade mais atraente.

Quem ganhou e quem perdeu

O desempenho do mercado financeiro e das aplicações vem sendo influenciado cada vez mais pelo cenário de incertezas externas – ligadas sobretudo aos efeitos nocivos, sobre a economia mundial, da alta dos juros americanos e da tensão crescente na disputa comercial entre Estados Unidos e China – e domésticas – associadas ao pessimismo com o cenário de agravamento da crise político-econômica do País.

Confira quanto rendeu sua aplicação em junho e nos primeiros seis meses do ano, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

                Desempenho em junho

Aplicação                                                Rendimento

1º – Euro                                                     3,92%

2º – Dólar                                                   3,77%

3º – IGP-M                                                 1,87%

4º – Título IPCA                                        1,50 a 1,60%

5º – IPCA                                                    1,24% (*)

6º – Fundos DI                                         0,45% a 0,55%

7º – CDB                                                    0,45% a 0,55%

8º – Fundos de renda fixa                     0,40% a 0,50%

9º – Caderneta                                         0,37%

10º – Ouro                                                0,29%

11º – Bolsa de São Paulo                      -5,20%

(*) Estimado

 

          Desempenho no 1º semestre

Aplicação                                           Rendimento

1º – Dólar                                                16,99%

2º – Ouro                                                15,78%

3° – Euro                                                 14,24%

4º – IGP-M                                               5,38%

5º – Título IPCA                                      4,56% (*)

6º – Fundos DI                                        3,05% (**)

7º – CDB                                                   3,00% (**)

8º – Fundos de renda fixa                     2,86% (**)

9º – IPCA                                                  2,59% (***)

10º – Caderneta                                       2,32%

11º – Bolsa de São Paulo                       -4,76%

(*) indicativo

(**) média indicativa

(***) estimativa