Inflação mais baixa devolve um pouco de brilho à renda fixa

Regina Pitoscia

07 Dezembro 2018 | 00h44

A inflação baixa prevista para estes dois últimos meses do ano, com a possibilidade de números negativos, pode dar um pouco de alegria que os juros baixos deixaram de proporcionar há algum tempo ao investidor em renda fixa. Isso porque em relação aos juros, persiste a ideia de que a taxa básica de juros permanecerá rodando em níveis inferiores ainda por bastante tempo.

A expectativa de analistas e economistas do mercado, de acordo com os dados do último boletim Focus, é que a taxa básica chegue ao fim deste ano em 6,50% ao ano e em 7,75% ao ano no término de 2019. Por enquanto, o dado não passa de palpite, feito a uma distância de um ano, mas serve para indicar o otimismo dos investidores e do mercado com a trajetória da Selic para os próximos meses.

E na combinação dessas duas variáveis que se pode apostar em rendimento positivo em aplicações mais conservadoras do mercado, que rendem a taxa Selic.

Para que o ruim não fique pior, do ponto de vista de remuneração para quem aplica em renda fixa, resta torcer ainda para que a inflação não suba e carregue parte do poder de compra do minguado rendimento que recebe em sua aplicação.

Fora isso, não há o que fazer ou inventar para o pequeno e médio aplicador cativo da renda fixa.  Importante mesmo é não deixar o dinheiro, o pouco que sobra no bolso, parado ou guardado em casa.

Dinheiro ocioso não rende, nem a correção monetária que bem ou mal repõe o poder aquisitivo corroído pela inflação. Juntar dinheiro, poupar é, ademais, uma forma de criar reserva, à margem da tentação do consumo, e de educação para uma vida financeira mais equilibrada e organizada.

Por isso, a escolha das aplicações tradicionais como caderneta de poupança e fundos de investimento – de renda fixa e DI – precisa ser cada vez mais criteriosa e seletiva para atender a cada perfil de investidor, ao volume de dinheiro disponível, ao tempo que poderá permanecer aplicado e, principalmente, à destinação dos recursos.

Embora as opções nesse segmento estejam com rendimentos emparelhados e nivelados por baixo – no intervalo entre 0,35% e 0,45% ao mês –, a escolha de uma delas deve levar em conta as condições específicas de cada investidor, como o volume de dinheiro, o tempo de aplicação e o que se pretende com ele.

A escolha mais simples, por atender de forma geral a essas condições, é a caderneta. A poupança rende 0,37% ao mês e vai permanecer miúda enquanto a Selic for igual ou inferior a 8,50% ao ano, porque aí a sua remuneração será equivalente a 70% disso – no momento, a taxa básica está dois pontos porcentuais abaixo dessa linha, em 6,50% –, com crédito do rendimento a cada 30 dias. Ela rende igual para todo poupador, sem distinção do valor, e não cobra imposto de renda nem taxa de administração. Simples assim.

A caderneta é indicada para o dinheiro já comprometido com alguma destinação, em curto ou médio prazo, e precisa de proteção contra a inflação. Especialistas comentam que, pelo baixo nível da taxa Selic, de onde deriva seu rendimento, não dá para classificar a caderneta como opção de investimento, capaz de adicionar maior valor ao capital.

Os fundos de investimento como o de renda fixa e DI também têm frustrado os investidores, com a baixa rentabilidade, também como efeito do achatamento da taxa Selic. Com desvantagem em relação à caderneta, porque o investidor paga imposto de renda e taxa de administração, custos que podem fazer o ganho ficar abaixo do da poupança.

A taxa de administração cobrada por bancos e corretoras nos fundos varia bastante, mas em geral é mais elevada para volumes baixos de aplicação. O imposto de renda é cobrado com diferentes alíquotas. São quatro, de acordo com o prazo de aplicação. É de 22,50% para aplicação de até 180 dias; de 20% para aplicação de 181 a 360 dias; de 17,50% para aplicação de 361 a 720 dias, e de 15%, para aplicação acima de 720 dias.

Em aplicação por prazo inferior a 29 dias, o aplicador recolhe ainda o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que somado com o imposto de renda leva praticamente todo o rendimento do aplicador.

Pela atual Selic, os fundos de renda fixa e o DI só levam alguma vantagem sobre a caderneta, em rendimento, nas aplicações por prazos mais longos, desde que a taxa de administração não seja superior a 0,50% ao ano.