Juro básico da economia deve ficar em 6,50% ao ano. Veja os reflexos

Regina Pitoscia

27 de julho de 2018 | 01h20

Na quarta-feira da próxima semana, o Banco Central (BC) se reúne para definir em que nível ficará a taxa básica de juro da economia, a Selic.

A expectativa do mercado financeiro é que o encontro do Comitê de Política Monetária apenas cumpra a agenda formal de reuniões prevista no calendário definido para o ano. Pelas projeções de analistas e economistas no boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo BC, o Copom deverá manter o juro básico em 6,50% ao ano.

É o nível em que vem rodando desde maio, quando o BC interrompeu o ciclo de cortes da Selic, e de resto 6,50% é também a previsão para a Selic no fechamento do ano, de acordo com os dados do mesmo boletim.

O horizonte mais próximo não acena, portanto, com mudança na remuneração de quem aplica na renda fixa nem no custo do tomador de crédito. Embora os juros nesses segmentos tenham como referência a variação da Selic, na prática a trajetória deles não é a mesma.

Mexida na Selic tem efeito quase imediato no rendimento de aplicações de renda fixa, títulos com CDB, caderneta e fundos de investimento. O mesmo não ocorre com os custos do crédito, em suas diversas modalidades, em que existe uma diferença brutal separando o juro básico dos juros cobrados nas linhas de financiamento.

Essa distância entre a taxa primária e as demais taxas cobradas no mercado faz com que uma política monetária de juros historicamente baixos seja incapaz de gerar uma retomada vigoroso do crescimento, que em geral é puxada pelo consumo estimulado pela oferta de crédito.

A diferença entre o juro básico e os demais demasiadamente elevados que sangram o bolso do consumidor é indicação de que, na crise que o País atravessa, uma política monetária branda, de juros baixos, não é suficiente para induzir e tampouco estimular a retomada de atividade.

Em termos práticos e no que realmente interessa, até agora o cidadão consumidor caminha à margem dos possíveis reflexos positivos que a redução da Selic poderia trazer à vida e ao bolso das pessoas.

O recuo da inflação trouxe alívio parcial ao orçamento das famílias, mas o corte do juro básico, como consequência da queda dos preços, ainda não se espraiou no tamanho desejado sobre os juros da economia e está, portanto, longe de beneficiar quem precisa de crédito.

E pelo desarranjo estrutural da economia, nem mesmo eventuais cortes adicionais da Selic poderiam corrigir distorções para reduzir e tornar os juros do mercado de crédito mais acessíveis e suportáveis ao consumidor.

Não apenas por isso, mas principalmente pelas incertezas que cercam os rumos da economia, agravadas pelas dúvidas com o processo eleitoral, especialistas em finanças orientam o consumidor a não assumir dívidas e compromissos que podem causar desarranjos em seu orçamento.

Juros x inflação

A provável manutenção da Selic em 6,50% ao ano não muda o rendimento nominal da renda fixa, remunerada por taxas de juro. A tendência é que o ganho de aplicações como CDB e fundos de investimento, DI e de renda fixa, além da caderneta, seja mantido nos níveis dos últimos meses.

Um alento poderá vir da desaceleração da inflação, que disparou em junho, mas dá sinais de arrefecimento em julho e baixas mais fortes a partir de agosto.

Nesse caso, embora o rendimento nominal permaneça o mesmo, a inflação mais baixa tende a ampliar a margem de ganho real, aquele que adiciona poder de compra ao dinheiro aplicado.

Em junho, o aplicador da renda fixa amargou perdas ao ser atropelado pela inflação de 1,26% medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o que pode repetir-se, em menor grau, em julho.

A expectativa é a inflação volte ao canal de baixa a partir de agosto, mês em que, de acordo com os economistas, o IPCA poderia despencar para o terreno da deflação (inflação negativa), puxado pelo recuo dos preços de alimentação e combustíveis, já detectado pelo IPCA-15 neste mês.

Considerado prévia da inflação, o IPCA-15 apontou uma desaceleração da alta de preços de 1,11%, em junho, para 0,64%, no mês corrente, influenciada pela perda de fôlego de alimentos e combustíveis.

Se houver deflação ou inflação negativa em agosto, como projetam os economistas, o rendimento das aplicações será tingido em sua totalidade de azul e reverterá integralmente como ganho real positivo para o investidor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.