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Juro no chão e bolsa instável: como cuidar do dinheiro?

Regina Pitoscia

29 de maio de 2020 | 02h57

(*) Com Tom Morooka

Renda fixa ou renda variável? Foi-se o tempo que o investidor tirava de letra essa dúvida, sem pensar nem inventar. Tempo que a renda fixa com seus juros altos assegurava, sem uma pitada de risco da renda variável,   suculento ganho nominal e real, acima da inflação.

Em tempos de juros no chão, a renda variável passou a ser a única opção. A migração para a bolsa de valores, com mais exposição ao risco, não tem levado ainda ao ganho que muitos investidores acalentam, por causa da penca de incertezas que alimentam instabilidade e deixam o mercado financeiro sem tendência no curto e médio prazo.

Uma indefinição de cenário que dificulta a escolha de onde aplicar o dinheiro nestes novos tempos que o mercado de investimento vive. Com o juro referenciado na taxa básica de juros, a Selic, de 3% ao ano, a renda fixa rende, grosso modo, 0,001% ao dia ou 0,25% ao mês. É o rendimento bruto médio de quem aplica em CDB e fundos DI e de renda fixa.

Descontando o imposto de renda e a taxa de administração, se for fundo de investimento, a rentabilidade encolhe mais e pode emparelhar com a da caderneta. A poupança rende 70% da Selic de 3%, o que dá 2,10% ao ano ou  0,17% ao mês, isento de tributação. Quem tem um saldo de R$ 100 mil em uma dessas aplicações recebe rendimento ao redor de R$ 170 a 180 por mês.

Uma das opções sugeridas pelos especialistas em investimento é formar uma carteira balanceada de acordo com o cacife, perfil e objetivo do investidor. São pontos que devem ser avaliados para uma estratégia que pode combinar, juntos ou separadamente, produtos de renda fixa e renda variável, explica o administrador de investimentos Eduardo Santalucia.

O investidor que pensa em obter rentabilidade no médio prazo, em período acima de dois ou três anos, e não se preocupa com a inevitável volatilidade da bolsa de valores sobre seu patrimônio não tem o que pensar, “vai direto para um fundo de ações”, de um banco em que confia.

Analistas e especialistas se dividem sobre as características desse fundo quanto ao objetivo. Santalucia aponta como mais interessantes os fundos de ações considerados passivos, que têm como meta de rentabilidade a variação do Ibovespa, principal índice da B3 formado pelas principais ações ou blue chips do mercado, como a de empresas exportadoras de commodities, entre elas Vale e Petrobrás, e do setor bancário, dentre outras. Outros especialistas preferem os fundos ativos, sob argumento de que essa modalidade dá mais liberdade ao gestor na escolha de ações, para a formação de uma carteira competitiva que suplante o Ibovespa.

Quem tiver um perfil mais moderado ou menos agressivo, com tolerância ou capacidade de suportar volatilidade ligeiramente mais baixa, poderá optar por fundos multimercado, afirma Santalucia. A carteira desses fundos mescla, em sua formação, títulos e ativos de renda fixa e de renda variável, de forma que, na combinação de desempenho dos dois, o rendimento supere o proporcionado pelas taxas de juro.

Para quem não abre mão da renda fixa e prefere beliscar algum ganho, em vez de deixar o dinheiro guardado em casa ou dormitando em conta corrente, Santalucia indica uma LCI (Letra de Crédito Imobiliário) ou uma LCA (Letra de Crédito Agrícola) de um banco que o investidor tenha bom relacionamento e garanta uma taxa próxima do CDI ou da Selic de 3%.

Como esses títulos são isentos de imposto, o rendimento bruto corresponde ao líquido, sem nenhum desconto. Além do banco emissor, esses títulos têm a garantia de ressarcimento do valor aplicado, até R$ 250 mil por banco e CPF, se a instituição financeira passar por dificuldades que impossibilitem o resgate do papel no vencimento.

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