Juros caem no cartão e cheque especial, mas ainda pesam no bolso

Regina Pitoscia

06 Junho 2018 | 00h36

Ainda que modesta e sem condições de aliviar de fato o bolso do consumidor, está ocorrendo uma queda dos juros no rotativo do cartão de crédito e no cheque especial. Resultado de mudanças promovidas pelo Banco Central nessas duas linhas de crédito.

Desde o dia 1º de junho entraram em vigor novas regras para o rotativo do cartão. Os bancos deverão cobrar a mesma taxa nas duas modalidades de rotativo, regular e não regular. Só lembrando que, em abril do ano passado, o Banco Central criou esses dois tipos de rotativo. Até então, havia apenas uma forma de financiar a dívida do cartão que não era paga no dia de vencimento da fatura.

Naquela época, com o objetivo de interromper a formação de dívidas impagáveis no cartão de crédito, já que o consumidor podia amortizar apenas 15% do saldo devedor e rolar o restante indefinidamente, o BC reduziu o prazo do rotativo para apenas um mês. Juntamente com essa alteração foram criados o rotativo regular, quando há o pagamento da parcela mínima da fatura, e o rotativo não regular, quando não há esse pagamento e a dívida é então renegociada em outras bases e com juros mais baixos.

Desde então, os bancos vinham cobrando taxas bem mais altas no rotativo não regular. Pela nova determinação, que está valendo desde o início deste mês, deverá haver uma unificação das taxas pelo o que estiver determinado em contrato para o rotativo regular. Portanto, em nível mais baixo. Para ter uma ideia do que vai ocorrer com os juros do cartão, veja as taxas cobradas de 15 a 21 de maio, nos cinco grandes bancos do País, portanto, antes das mudanças.

   Juros no rotativo do cartão – ao mês

Banco                   Rotativo regular       Rotativo não regular

Itaú                                 10,12%                              10,13%

Caixa                               11,00%                              11,15%

Bradesco                        12,44%                              11,11%

Banco do Brasil              9,09%                              11,00%

Santander                       10,03%                             17,54%

Fonte: Banco Central

Perceba que Itaú e Caixa já estão com as taxas bem próximas. O Bradesco, que cobrava mais de 19% ao mês no não regular há dois meses, vem derrubando essa taxa nas últimas semanas. E o Santander ainda terá de reduzir bastante o juro no não regular. A conferir em que nível as taxas serão padronizadas.

De todo modo, os juros do rotativo só podem ser cobrados por um mês. Depois o consumidor é obrigado a renegociar a dívida dentro do parcelado migrado. Nessa linha, os juros não estão muito mais baixos não: segundo levantamentos da Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito (Abecs), a taxa média das cinco maiores instituições financeiras do mercado nas renegociações ficou em 9,8% ao mês.

Por tudo isso, o uso mais adequado do cartão continua sendo calibrar as despesas, de modo a ter condições de pagar o total da fatura no dia de vencimento. Cair na roda viva do financiamento dos gastos aumenta os riscos de inadimplência.

É conveniente buscar outro tipo de crédito, como o consignado, o Empréstimo sob Penhor da Caixa Econômica Federal e até mesmo o crédito pessoal. Todas as linhas operam com juros bem mais baixos que o rotativo.

Há mais duas novidades:  cada banco é que vai definir o pagamento mínimo da fatura, antes fixado em 15% do total do saldo devedor; e quando o consumidor entrar no rotativo não regular, as administradoras poderão cobrar multa de 2% mais juros de 1% ao mês, no máximo.

Cheque especial

No cheque especial, os juros que ficaram cristalizados por mais de um ano acima de 12% ao mês, nas maiores instituições financeiras do mercado, estão sendo revistos para baixo. Itaú e Bradesco já levaram suas taxas abaixo desse nível; Banco do Brasil e Caixa mantém acima dos 12%, e o Santander cobra juros mais pesados, acima de 14% ao mês.

 Juros no cheque especial (*)

Banco                   Ao mês                    Ao ano 

Itaú                          11,79%                         281%

Bradesco                11,92%                         286%

BB                            12,03%                         291%

Caixa                       12,49%                         311%

Santander              14,77%                         422%

(*) No período de 15 a 21 de maio

Fonte: Banco Central

Tudo indica que esse ajuste no cheque especial prepara terreno para as novas regras que passam a valer a partir de julho. Toda vez que o cliente ultrapassar 15% do limite de sua conta, o banco terá de oferecer uma nova linha de financiamento com juros mais baixos, além de emitir avisos, alertando sobre os riscos de endividamento ao permanecer com a conta estourada.