Juros mais baixos não tiram o apelo da aplicação no Tesouro Direto

Regina Pitoscia

26 de dezembro de 2018 | 00h18

As taxas de juro dos títulos públicos disponíveis às pessoas físicas para compra pela internet na plataforma de investimento do Tesouro Direto (www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto) estão cada vez mais baixas.

A queda tem sido gradual e reflete uma taxa básica de juros, a Selic, de 6,50% ao ano, que insistiria, de acordo com as estimativas do mercado financeiro, em permanecer nesse nível recorde de baixa por bom tempo.

Mais que uma previsão, é uma expectativa que ganha força diante do cenário positivo de evolução dos preços projetado por analistas e economistas. Por uma série de motivos. A começar pela apatia do ritmo de retomada de atividade, em meio a uma folgada capacidade ociosa da economia, aparentemente capaz de crescer inicialmente sem gerar pressão inflacionária originada na demanda ou no consumo.

Pelo menos durante o período considerado de retomada de crescimento cíclico, que se sucederia à recessão de mais de dois anos – o período recessivo prolongou-se do segundo trimestre de 2014 ao fim de 2016 – e antecederia a nova fase de reativação vigorosa da economia, oxigenada e impulsionada pelas esperadas reformas econômicas, principalmente a da Previdência Social.

Juros nominalmente baixos, mas adequados a um cenário que combina crescimento cíclico da economia, livre de maiores pressões inflacionárias, ao qual se esperaria, na esteira do andamento das reformas, um ciclo virtuoso de atividade. O risco inflacionário maior, se houver, poderia vir da pressão sobre o dólar, seja pelo agravamento do cenário externo, seja pelo fracasso na agenda do processo de reformas.

Na hipótese de as reformas econômicas desandarem, o cenário seria outro e alguns dos títulos públicos do Tesouro Direto, pelas taxas que oferecem no momento, podem redundar em prejuízo para o investidor. Especialmente os com taxas de juro prefixadas e de prazos mais longos de vencimento.

Está aí um dos pontos que precisam ser bem avaliados pelo investidor antes de embarcar nesses papéis. Como os títulos têm prazos elásticos para o vencimento, exigindo, portanto, que o dinheiro fique aplicado por longo período, só deve ir para a aplicação a parcela dos recursos que o investidor poderá deixar ancorado no papel por bastante tempo.

Embora exijam tempo de aplicação maior, os títulos públicos são considerados pelos especialistas mais rentáveis que outras opções, também do nicho conservador, como CDB (Certificado de Depósito Bancário), caderneta e fundos de investimento, de renda fixa e DI.

Um dos títulos da vitrine do Tesouro Direto, o Tesouro IPCA 2024, para vencimento em agosto de 2024, ofereceu ao comprador na sexta-feira juro real de 4,57% ao ano mais correção monetária equivalente à inflação oficial calculada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Apenas pelo juro de 4,57% ao ano, o Tesouro IPCA 2024, versão da NTN-B (Nota do Tesouro Nacional da série B) na compra pela internet, estaria rendendo mais que a caderneta – com a Selic em 6,50% ao ano, a poupança está remunerando com 4,55% ao ano. Enquanto a taxa básica for inferior ou igual a 8,50% ao ano, esse será o ganho anual da caderneta.

Outro atrativo do Tesouro IPCA, principalmente para o investidor que desconfia da evolução dos preços na economia, é a garantia da correção monetária, de acordo com a variação da inflação oficial.  Além da reposição da parcela desvalorizada pela inflação, o investidor tem assegurado o juro real oferecido pelo título.

Prefixado

O Tesouro IPCA combina em seu rendimento uma parte prefixada, a taxa real de juros, e outra pós-fixada, que é a correção monetária.

Um título prefixado puro do Tesouro Direto é o Tesouro Prefixado, versão em aplicação pela internet da LTN (Letra do Tesouro Nacional). O Tesouro Prefixado 2021, o de vencimento mais curto, ofereceu na sexta-feira taxa de juro de 7,39% ao ano – rendimento que combina juro real e suposta correção monetária.

Quem comprar o título por essa taxa só obteria rendimento real positivo se a inflação a cada ano ficar abaixo de 7,39%. Se ela ficar acima, o investidor ficaria com rendimento negativo, já que a remuneração seria insuficiente para compensar sequer a inflação.

Está aí um dos motivos pelos quais especialistas em investimento consideram aplicações prefixadas, incluído o Tesouro Prefixado, indicadas apenas em cenário de inflação em queda.

Pós-fixado

Um título também considerado de risco menor, em rentabilidade, é o Tesouro Selic, versão para a internet da LFT (Letra Financeira do Tesouro), que remunera o investidor de acordo com a Selic. O título de prazo mais curto oferecido na sexta-feira foi o Tesouro Selic 2023, com vencimento em março de 2023.

Um título com rendimento pós-fixado acompanha a variação da taxa de juros. No caso do Tesouro Selic, a evolução da Selic.

Tributação

Os títulos públicos recolhem imposto de renda sobre o rendimento nominal no momento do resgate. As alíquotas são escalonadas e variam de acordo com o período que o dinheiro permanece aplicado.

A alíquota mais alta é 22,50%, para aplicação de até 180 dias, e cai para 20%, para aplicação de 181 a 360 dias; para 17,50%, para aplicação de 361 a 720 dias; e para 15%, a alíquota mais baixa, para aplicação por período acima de 720 dias.

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