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Lendico lança crédito que permite acesso ao comércio eletrônico

Regina Pitoscia

08 de julho de 2020 | 00h44

As compras pela internet tiveram um crescimento robusto de fevereiro a maio deste ano: 71%, segundo levantamento do Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado, especializada em e-commerce. A expectativa é a de que o setor feche o ano com faturamento de R$ 90,7 bilhões.

Se conseguiu faturar R$ 75,1 bilhões e avançar 22,7% em 2019, ano de instabilidade econômica no País, este ano o comércio eletrônico ganhou um impulso inesperado com a pandemia, que trouxe uma situação inusitada de isolamento social, restrições de circulação e fechamento do comércio.

Muito consumidor que não tinha hábito ou sequer usado o e-commerce foi forçado a recorrer à internet para adquirir o que precisava. Além da conveniência, um aliado importante para evitar sair de casa e, portanto, os riscos de contágio.

Um produto lançado pela fintech de crédito Lendico, o Boleto Parcelado, torna-se oportuno para o contexto atual, embora tenha sido concebido e desenvolvido bem antes da chegada do coronavírus por aqui. “A demanda já existia para a inclusão de pessoas ao consumo on-line, porque nem todo mundo tem cartão de crédito”, esclarece o presidente da empresa Marcelo Ramalho. É que para uma compra pelo comércio eletrônico é preciso informar e fechar a operação com o número de um cartão.

Na prática, o Boleto Parcelado é a concessão de um crédito vinculado à compra de um determinado produto, um Crédito Direto ao Consumidor (CDC), diferente do crédito pessoal que permite o uso livre do dinheiro. Essa modalidade de crédito estará disponível ao consumidor no site da compra, no momento do pagamento.

Para ter a capilaridade dessa linha de empréstimo, a Lendico fez parceria com as plataformas Vtex e Linx, que inclui mais de 3.500 varejistas do comércio eletrônico. “Lançamos o piloto do Boleto Parcelado há quatro semanas, e a ideia é expandir gradualmente o número de parceiros. É um atrativo, bom para o cliente que terá acesso aos grandes varejistas e bom para o empresário que poderá oferecer uma opção a mais de pagamento”, diz o presidente.

O valor do financiamento varia de R$ 200 a R$ 5 mil, com ticket médio de R$ 600. Dentro dessa faixa, a compra poderá ser tanto de itens do vestuário, como roupas e calçados, até produtos de maior valor, eletroeletrônicos e até mobiliário. O parcelamento poderá ser feito de 3 a 24 meses, e a taxas de juros ficarão entre 2,5% a 6,0% ao mês.

A aposta do executivo é firme no crescimento dessa linha de crédito ao consumo, especialmente por essa nova situação trazida pela epidemia: “Até o fim do ano esperamos que o Boleto Parcelado represente 20% dos negócios da empresa, com um total de 25 mil operações. Já para 2021 esperamos chegar em 50 mil contratos”.

Ao optar pelo Boleto Parcelado como forma de pagamento, o consumidor deve informar em quantas vezes quer dividir a despesa. A partir daí, terá a informação de qual será a taxa de juros e o valor da parcela. Ao concretizar a operação, receberá a cada mês o boleto pela internet, que poderá ser quitado pela própria internet, como mais uma facilidade de não ter de sair de casa, ou em bancos.

Para conceder o crédito, a Lendico segue as mesmas regras estabelecidas em sua política de crédito pessoal, com a aplicação de ferramentas antifraude, cruzamento de dados e biometria facial. A análise de crédito é rápida, com uso de algoritmos, em processo muito parecido com a utilização do cartão de crédito.

Inicialmente, a empresa não vai oferecer o crédito a quem estiver com nome negativado, até como forma de conscientizar o consumidor a assumir compromissos dentro de sua capacidade de pagamento. Em seu portal, a Lendico oferece conteúdo de orientação financeira.

No crédito pessoal, a Lendico empresta até R$ 50 mil, abrangendo outros perfis de risco, em que taxas variam de 2,8% até 10% ao mês. Quanto maior o risco e maior o prazo, maior a taxa. O processo é todo feito pela internet e, dependendo do horário em que foi feita a solicitação de crédito, o dinheiro é depositado no mesmo dia em conta corrente do consumidor.

Por não ter custos de bancos tradicionais, os juros cobrados por fintechs costumam ser mais baixos no crédito pessoal. Só para comparar, pela pesquisa do Banco Central, há bancos e financeiras cobrando juros bem mais altos nessa linha de empréstimo: eles chegam em 25,40% ao mês, ou 1.412% ao ano, na JBCred; 21,52% ao mês ou 937% ao ano na Crefisa; e 20,91% ao mês, ou 877% ao ano, na Facta.

 

 

 

 

 

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