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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Mercado em compasso de espera e atento a novidades

Regina Pitoscia

27 de julho de 2020 | 02h10

(*) Com Tom Morooka

Em um ambiente permeado por grandes expectativas e poucos fatos concretos, o mercado financeiro segue em compasso de espera, mas com bastante volatilidade, marcado por intensos vaivéns das cotações, muitas vezes sem motivos relevantes que justifiquem esses movimentos.

O pano de fundo que poderia definir uma trajetória mais cristalina do mercado financeiro continua recheado de fatores difusos e instáveis, sem sugerir ainda um desfecho promissor ou mais otimista que anime os mercados. Tanto no exterior como internamente.

No exterior, a expectativa dos investidores permanece voltada à evolução da pandemia do coronavírus, a seus efeitos sobre o desempenho da economia global e, mais recentemente, ao desenvolvimento bem-sucedido de vacinas que poderiam assegurar imunização contra o vírus.

Atento a esses focos de interesse, ora com acenos ou expectativas mais otimistas outras vezes nem tanto, o mercado financeiro tem tocado os negócios, sem a indicação de uma tendência mais clara.

Senão por outros motivos, porque a esse cenário de incertezas externas se juntou uma outra preocupação, ainda que de certa forma recorrente, o acirramento da tensão diplomática entre Estados Unidos e China, agora com acusações de espionagem sobre pesquisas de vacinas e fechamento de embaixadas.

O cenário externo tem influenciado bastante as decisões e o rumo de negócios no mercado doméstico, de acordo com o diretor de Câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante. “O mercado está em compasso de espera e tem reagido a fatos pontuais, nos últimos dias, como a esse aumento de tensão na relação entre EUA e China.”

De olho no que ocorre lá fora e influencia as decisões dos investidores domésticos, o mercado financeiro acompanha também, sem grande entusiasmo ainda, o pontapé na retomada das reformas econômicas. O governo apresentou seu projeto de reforma tributária, que deve ser fundido e retemperado com as propostas da Câmara e do Senado. As análises e os debates das mudanças tributárias deverão concorrer apenas a partir de agosto. Enquanto isso, tudo deve permanecer em banho-maria.

Sem estímulos no front das reformas econômicas e preocupado cada vez mais com a trajetória do rombo fiscal agravado pelos gastos para o combate à crise do coronavírus, o mercado de ações dá sinais de dificuldades e sem fôlego suficiente para seguir muito além da marca de 100 mil pontos.

Consolidado esse patamar emblemático, parte dos especialistas e profissionais de mercado passou a apostar que o Ibovespa caminharia na direção dos 105 mil pontos, em um primeiro momento, antes de se aprumar para seguir com mais vigor rumo aos 110 mil.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo ou B3 fechou a sexta-feira em 102.381 pontos, após zanzar ao redor de 104 mil nos primeiros dias da semana, o que dá uma desvalorização de 0,49% no período.
Faltando uma semana para o encerramento de julho, a B3 acumula valorização no mês de 7,71%; no ano, contudo, carrega ainda uma perda de 11,47%.

Em trajetória bastante instável e em ambiente de poucos negócios, o dólar passou por fortes oscilações e encerrou a semana cotado por R$ 5,21, com desvalorização de 3,16%, que sobe para 4,23% no mês, até o momento. A valorização acumulada no ano está em 30,25%.

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