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Mercado ensaia reação, mas amarrado à evolução do coronavírus

Regina Pitoscia

13 de abril de 2020 | 03h25

(*) Com Tom Morooka

O mercado financeiro retoma os negócios nesta segunda-feira, após o fim de semana prolongado pelo feriado da Páscoa, com a atenção voltada à evolução do coronavírus, no País e no mundo, nos últimos dias.

Notícias carregadas de tom menos pessimistas sobre a epidemia em países como Itália e Espanha, na semana que passou, até ensejaram uma reação positiva dos mercados, com valorização da bolsa de valores e queda do dólar.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, chegou a sustentar três altas consecutivas, de segunda a quarta-feira, com valorização acumulada de 13,07% no período, para fechar a quinta-feira, último dia útil da semana, com baixa de 1,2%. O dólar comercial perdeu suporte e colecionou quatro baixas seguidas na semana, recuando abaixo de R$ 5,10.

Embora tenha esboçado recuperação, os mercados não sinalizam uma tendência mais positiva, avaliam especialistas e profissionais do mercado, que ainda veem muita turbulência e instabilidade pela frente.

Nesse ambiente, os investidores permanecem cautelosos, sem baixar a guarda. A compra de ações continua sendo comandada pelos grandes investidores, de maior cacife e agilidade, que aproveitam a volatilidade do mercado para negócios rápidos de compra de venda, movimentando as ações de maior liquidez, mais facilmente negociáveis.

São em geral ações que formam a carteira do Ibovespa (o principal índice de referência da B3), que no fim das contas dá ideia da variação média das ações que compõem a carteira e traduz o comportamento do mercado em geral no fim do pregão.

Fora a atuação de investidores de maior porte, os demais permanecem de braços cruzados, fora de compras no mercado de ações. O capital estrangeiro está mais para venda do que compra, como apontam os dados de saída de dólares do mercado.

Com a retração também dos pequenos e médios investidores, que parecem dispostos a sustentar suas posições na bolsa, mas resistem às compras enquanto o mercado não der sinais mais convincentes de recuperação, a tendência é que o mercado de ações permaneça sem uma tendência definida ou clara.

“A perspectiva é que a trajetória do mercado siga em um sobe e desce, em um ambiente ainda de muita instabilidade”, prevê Mauriciano Cavalcante, diretor de Câmbio da Ourominas. Tudo indica que o Ibovespa continue rondando em torno do patamar de 70 mil a 80 mil pontos, afirma, mas sem chance de que venha a se aproximar dos 100 mil pontos, como apostavam alguns analistas até recentemente.

A Bolsa de Valores de São Paulo fechou a semana com o Ibovespa equilibrado em 77.681 pontos e valorização acumulada de 11,71% no período. No mês, até o momento, acumula alta de 6,30%, mas no ano tem ainda perda de 32,83%.

O mercado de dólar também atravessou a semana sem maiores sobressaltos, o que estimulou uma correção de preços para baixo, que por pouco não encostaram de volta em R$ 5. A queda persistente ao longo da semana não é vista, contudo, como indicação de tendência para o diretor de Câmbio da Ourominas.

Em clima de incertezas e instabilidade, que persiste no mercado financeiro, não seria surpreendente se o dólar voltasse para um patamar mais próximo de R$ 5,20, embora tenha fechado a semana abaixo de R$ 5,10, cotado por R$ 5,09.

O dólar acumulou desvalorização de 4,50% na semana e de 2,12% no mês, até agora. A alta acumulada no ano está em 27,50%.

Inflação e renda fixa

A inflação de março, calculada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou para 0,07%, após uma alta de 0,25% em fevereiro. Uma rápida passada de olhos nos itens de produtos e serviços em grupos que os preços mais subiram ou caíram deixa claro a influência da nova dinâmica de atividades e comportamento imposta pelo coronavírus.

A inflação de serviços, um dos setores de atividade mais afetados pela pandemia, recuou 0,14%, com o fechamento de estabelecimentos determinado pela política de isolamento social. Mas nem todos os preços vieram abaixo, em cenário de pandemia e de distanciamento entre as pessoas, para evitar uma propagação acelerada da pandemia. Com as pessoas recolhidas em domicílio, muitas em regime de home office, os preços da alimentação em casa foram um dos itens que pressionaram a inflação, com alta de 1,40%.

O coronavírus produziu reflexos também na coluna de queda de preço, como consequência da restrição à movimentação e deslocamento de pessoas, até com deflação ou variação negativa, sobretudo no grupo de transportes, em itens como passagens aéreas e combustíveis.

A chegada da pandemia está provocando mudanças que vão além de comportamentos e hábitos de consumo das pessoas e geram um realinhamento dos preços de produtos e serviços na economia.

A expectativa é que a desaceleração da inflação mantenha aberto o caminho para nova redução da taxa Selic, na virada de maio, quando o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, se reúne pela terceira vez no ano para deliberar sobre os juros.

Nova redução no juro básico, se ocorrer, achatará ainda mais o rendimento nominal das aplicações referenciadas na Selic, com o risco de neutralizar até mesmo a margem real – a diferença positiva entre o ganho nominal e a inflação que preserva o poder aquisitivo do dinheiro.

E março, poucas aplicações de renda fixa renderam mais que a inflação oficial. Não propriamente por causa do IPCA, que quase zerou, mas pelas suas características, como os fundos de renda fixa, que, com a instabilidade no mercado de juros futuros, proporcionaram rendimento negativo no mês. Caderneta de poupança e alguns fundos DI asseguraram estreita fatia de ganho real em março.

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