Mercado financeiro: como foi o mês, o semestre, e o que esperar agora

Regina Pitoscia

01 de julho de 2020 | 02h44

(*) Com Tom Morooka

O mercado financeiro dá o pontapé inicial a julho, que dá largada também ao segundo semestre, com um sentimento misto de cautela e algum otimismo com a evolução da pandemia do coronavírus, que provocou forte instabilidade e turbulências nos mercados, locais e globais, na primeira metade do ano.

A expectativa de que o pior da pandemia está passando, principalmente em países da Europa, e de que que a reabertura da economia poderia ganhar fôlego maior que o previsto levou a uma recuperação dos mercados no fim do primeiro semestre. Uma reação que compensou parte das perdas, sobretudo do mercado de ações, que desabou em março, pelo pânico dos investidores com a chegada e disseminação do coronavírus.

Em trajetória de recuperação, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, liderou a rentabilidade em junho, pelo segundo mês consecutivo, mas ainda acumula desvalorização de 17,80% no ano. Esse desempenho negativo, contudo, não espelha com fidelidade o que ocorreu em março, quando a B3 fechou o mês com queda de 28,35%, após despencar e cair mais de 38,98% no pior momento do mês.

No segundo trimestre, de abril a junho, a B3 acumula valorização de 37,35%, descontando boa parte da perda de março. Seria precipitação, porém, afirmam especialistas, avaliar essa reação como sinal de que o mercado de ações permanecerá doravante nesse processo de recuperação.

Analistas afirmam que persiste o cenário de incertezas em relação ao avanço da pandemia, apesar da flexibilização e reabertura de algumas economias, lembrando do ressurgimento de focos da doença em certos países que adotaram essa iniciativa.

As dúvidas em relação aos efeitos da pandemia sobre a atividade econômica podem continuar deprimindo a bolsa de valores, porque a   insegurança empurra o investidor para estratégias defensivas. Foi o que impulsionou o dólar, considerado um refúgio para o investidor que procura proteção a seu patrimônio em momento de aumento do risco.

Com efeito, embalado pelo crescimento de procura, ativos de proteção e considerados reservas de valor como ouro e dólar dispararam. Tanto o dólar quanto o ouro ocupam as primeiras posições no ranking de investimentos de junho e do primeiro semestre.

Especialistas não arriscam prognósticos sobre as perspectivas para os mercados no segundo semestre. Eles vinculam a trajetória do mercado financeiro à evolução do coronavírus. Um ponto em comum na análise é que apenas um sentimento de proteção segura pela criação de uma vacina dará uma ideia mais clara sobre a tendência dos mercados.

Em contraste com as incertezas que permeiam os segmentos de risco, como o de ações e dólar, o cenário está mais bem definido no mercado de renda fixa, onde a trajetória dos juros segue os seguidos cortes na taxa básica de juros, a Selic, que está na mínima histórica de 2,25% ao ano.

O achatamento dos juros, que deixou o rendimento nominal e real das aplicações de renda fixa no chão, para não dizer negativo, manteve a migração de investidores da renda fixa para o mercado de ações. Para os especialistas, são os recursos desses investidores, muitos novatos, em busca de um retorno mais atraente que têm sustentado a recuperação da bolsa de valores, mesmo sem a compra de ações pelos investidores estrangeiros no mercado doméstico.

Uma ala de especialistas avalia que a recuperação da bolsa de valores poderia estar mais consistente e o dólar passado por uma correção mais significativa de preços para baixo não fosse o cenário de incertezas domésticas, alimentadas pela crise sanitária, política e econômica.

Veja quanto renderam as aplicações em junho e no primeiro semestre, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Balanço

Junho/2020

Aplicação                                               Rendimento

1º – Bolsa de valores                                 8,76%

2º – Ouro                                                     6,09%

3º – Euro                                                      3,15%

4º – Dólar                                                     1,93%

5º – IGP-M                                                   1,56%

6º – Títulos IPCA                                        0,27 a 0,37% *

7º – Fundos de renda fixa                         0,18 a 0,28% **

8º – IPCA                                                     0,27%***

9º – Fundos DI                                           0,15 a 0,25%

10º – CDB                                                    0,12 a 0,22%

11º – Caderneta                                          0,17%

*  indicativo

** média

*** estimativa

Desempenho no 1º semestre

Aplicação

1º – Ouro                                                    52,97%

2º – Euro                                                    36,04%

3º – Dólar                                                   35,66%

4º – IGP-M                                                   4,39%

5º – CDB                                                       1,67%*

6º – Caderneta                                             1,38%

7º – Fundos DI                                             1,17%*

8º – Títulos IPCA                                        1,12%**

9º – Fundos de renda fixa                         1,06%*

10º – IPCA                                                    0,11%***

11º – Bolsa de valores                              -17,80%

* média

** indicativo

*** estimativa

 

 

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