Mercado financeiro em pausa no fim do ano, mas sem baixar a guarda

Regina Pitoscia

17 Dezembro 2018 | 11h23

A semana que começa e antecede a do Natal deve ser a última de 2018 que o mercado financeiro tocará os negócios a pleno vapor, antes de se embalar em ritmo de festas de fim de ano. É uma época em que as mesas de operações tradicionalmente põem o pé no freio, mas, desta vez, sem baixar a guarda nem abandonar o estado de prontidão.

Embora o otimismo com o novo governo que se inicia em 1º de janeiro com a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, esteja mantido, o ano termina com uma ponta de frustração com a falta de sinalização do rumo do novo governo e com muitas dúvidas. A principal está ligada às mudanças nas regras de aposentadoria, que farão parte da reforma da Previdência Social, e à receptividade do Congresso para aprovar as mudanças propostas pelo governo.

Tudo isso deverá ficar mais claro apenas partir da virada do ano. A ansiedade é grande entre os aplicadores, que esperam pelo anúncio das medidas logo após a posse de Bolsonaro, ainda que os parlamentares, a quem caberá votar e aprovar os pontos da reforma, iniciem os trabalhos legislativos apenas em 1º de fevereiro.

Antes mesmo dessa data, porém, a atenção de investidores estará voltada às articulações políticas para a eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Um evento marcado tradicionalmente por acirrada disputa e intensa negociação entre partidos e o próprio governo.

Uma das dúvidas do mercado é se o novo presidente, até pelo seu estilo de atuação, terá jogo de cintura suficiente para emplacar na presidência das duas Casas nomes de políticos alinhados com os interesses do novo governo na aprovação das principais reformas econômicas.

O rápido envio e o trânsito acelerado das medidas no Congresso é tudo que os mercados esperam para 2019, a fim de que o novo presidente dê o pontapé inicial de seu governo sustentado pelo otimismo e confiança dos brasileiros, sobretudo dos investidores.

Assim, na retomada dos negócios no novo ano, as expectativas e, principalmente, a reação dos investidores em relação ao novo governo dependerão das propostas de reformas e da rapidez em seu anúncio e, paralelamente, do sucesso da articulação e negociações para sua aprovação pelo Congresso.

Se tudo correr dentro do previsto, a tendência seria de uma reação positiva das bolsas e do reajam positivamente, acreditam analistas de investimento. Nesse cenário, que apontaria para a perspectiva de recuperação mais consistente da atividade econômica, a bolsa de valores teria suporte para valorizações mais fortes e o dólar embicaria para níveis de preço mais baixos.

Pelo roteiro desenhado pelos especialistas do setor, dá para notar que as medidas econômicas serão o principal foco na largada do novo governo, mas o andamento delas dependerá da área política. É, como se costuma dizer, a política comandando a economia e conduzindo as expectativas, para o bem ou para o mal, dos segmentos de ações, dólar, juros…

O sucesso de posições em ações, nesse caso, será resultado de uma aposta bem-sucedida. O investidor que acredita na aprovação das reformas, sobretudo a previdenciária, e comprar ações agora poderá ganhar com elas se as medidas propostas pelo governo forem aprovadas. Ou amargar perdas se elas forem barradas pelo Congresso.

Enquanto as emoções mais fortes são empurradas para 2019, neste fim de 2018, os mercados devem tocar os negócios promovendo apenas ajustes, com trocas pontuais de papeis, em carteiras de investimento de acordo com as novidades do dia a dia. Em especial, com ações de empresas mais facilmente negociáveis e com forte participação na composição do Índice Bovespa (Ibovespa).

São ajustes quase diários que levam ora à valorização das ações, ora à queda, com movimentos repetidos, em geral na direção contrária à da bolsa de valores, também no segmento de dólar, sem indicação, por enquanto, de tendência mais definida dos dois segmentos.