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Mercado financeiro: o que esperar em junho, e como foi maio

Regina Pitoscia

01 de junho de 2020 | 02h48

(*) Com Tom Morooka

O mercado financeiro inicia os negócios de junho nesta segunda-feira com um sentimento de algum alívio com o cenário internacional e renovada insegurança com o ambiente interno, que combina, como fatores geradores de insegurança nos investidores, tensão política e incerteza econômica temperada pela crise da pandemia do coronavírus.

Tudo indica que o mercado tentará seguir um possível tom mais otimista do exterior, derivado da flexibilização e reabertura gradual da economia de alguns países, sobretudo da Europa, e de sinais de crescimento da economia chinesa acima do previsto para o período de saída da pandemia.

Certo alívio com o cenário internacional não parece suficiente, contudo, para que os investidores baixem a guarda diante do agravamento da crise política no País, com choque e acirramento do embate entre os Poderes, que, para analistas, teria potencial de levar a uma crise institucional.

A volta da queda de braço entre os Poderes interrompeu uma trégua desenhada na reunião do presidente Bolsonaro e governadores, no dia 21, que, para muitos, teria sacramentado uma relação de diálogo e entendimento entre os entes. A divulgação, no dia seguinte, do vídeo de uma reunião ministerial realizada no dia 22 de abril reforçou o otimismo de quem considerou que nada do que foi visto no vídeo apontava para uma tentativa de interferência de Bolsonaro na direção da Polícia Federal.

O temor do mercado, até então, era que evidências nessa direção pudessem levar uma ampliação da crise política que pusesse em risco as diretrizes econômicas do governo, de orientação liberal, que deve retomar a agenda de mudanças econômicas. Reformas administrativa e tributária, defendidas pelo ministro Paulo Guedes, são consideradas fundamentais para consertar o rombo nas contas públicas, agravado com as medidas de emergência para o combate aos efeitos do coronavírus.

O clima positivo criado a partir desses fatos novos levou o mercado financeiro a engatar uma reação – com fortes altas da bolsa de valores e quedas acentuadas do dólar –, escorado na crença de que, nessa toada, o mês de junho chegaria em clima de maior alívio para os mercados.

A expectativa otimista, porém, não resistiu a mais que alguns dias, sequer até o fechamento de maio, posta a escanteio pela realização de uma operação sob comando da Polícia Federal envolvendo uma investigação sobre a disseminação de fake news nas redes sociais.

É nesse ambiente de tensão e renovadas incertezas, portanto, que o mercado financeiro dá largada a junho, com redobrada cautela, em meio a expectativa de novas e fortes turbulências nos mercados.

Embora a bolsa de valores tenha passado por recuperação em abril e maio, após a derrocada em março, especialistas dizem que, em ambiente ainda de apreensão, o mercado de ações tem reagido positiva ou negativamente a fatos ou expectativas pontuais, daqui ou do exterior. Com atuação apenas do investidor local, já que o capital estrangeiro virou as costas para o País.

A compra de ações, nessa indefinição de cenário, é sugerida pela maioria dos especialistas apenas para quem avalia que existe espaço para completar a parcela de papeis em sua carteira de acordo com seu perfil.

Ainda na renda variável, os fundos multimercado e de ações não ficam fora das indicações. Uma vantagem dos multimercados para quem gosta de diversificação em um único produto é a flexibilidade do gestor de montar uma carteira com ativos que têm possibilidade de ganhar em ambiente de maior instabilidade, com atuação em vários mercados.

Balanço de maio

O mês foi marcado por uma reviravolta nas posições do ranking de investimentos mais rentáveis. A bolsa de valores reagiu positivamente aos sinais de recuperação de algumas economias no exterior, sobretudo a chinesa, e aproveitou ainda momentos de alívio temporário na crise política doméstica. Fatores que agiram na contramão dos mercados de dólar e ouro.

O mercado de renda fixa teve como destaque a recuperação dos fundos de renda fixa, que amargaram pesadas perdas em março, em ambiente de pânico com a crise do coronavírus, por causa da desvalorização das cotas provocada pelo esticão dos juros futuros. O término de resgate dos títulos com juros prefixados, como os emitidos por empresas privadas, com pedidos feitos durante o período de pânico levou à recomposição do valor das cotas desses fundos.

Merece registro também a perspectiva de aprofundamento da deflação ou inflação negativa, estimada em menos 0,37% para maio, o que, em princípio engordaria o juro real embutido nas aplicações. Um inusitado cálculo que pode converter, em tese, o rendimento nominal negativo de algumas aplicações em margem positiva de ganho.

Veja quanto renderam as aplicações em maio, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Ranking de maio

Aplicação                                                           Rendimento

1º – Bolsa de Valores de São Paulo                      8,57%

2º – Fundos de renda fixa                                     0,20 a 0,30%*

3º – Fundos DI                                                        0,15 a 0,30%*

4º – CDB                                                                   0,15 a 0,30%*

5º – Caderneta                                                         0,22%

6º – IGP-M                                                               0,14%

7º – Títulos atrelados ao IPCA                            -0,30% a -015%**

8º – IPCA                                                                 -0,37%***

9º – Euro                                                                  -0,60%

10º – Ouro                                                               -1,08%

11º – Dólar                                                               -1,90%

* médio bruto

** indicativo

*** estimativa

 

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