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Mercado financeiro: otimismo cauteloso

Regina Pitoscia

06 de julho de 2020 | 01h20

(*) Com Tom Morooka

Alguns dados recentes que sugerem uma resistência maior da economia global, incluída a doméstica, à crise do coronavírus ou uma perspectiva de retomada mais rápida de atividade no período pós-pandemia têm mantido um sentimento de otimismo cauteloso nos mercados.

Embalada por essa expectativa e pelo ciclo recente de valorização superior a 30% acumulada em três meses, após o tombo em março, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, segue em trajetória de alta neste início de julho. Em apenas três pregões, a bolsa acumula valorização de 1,80%.

Outro indicador de mudança de humor dos investidores está no desempenho negativo do dólar, com desvalorização de 2,21% no mês.

O ritmo de valorização da bolsa de valores foi reduzido neste início de julho, um comportamento que não surpreende especialistas e profissionais do mercado. Alguns não descartam até a ocorrência de vendas de ações pelos investidores que, satisfeitos com as recentes altas, estariam interessados em pôr o lucro no bolso.

Afinal, analisam, a bolsa de valores tem reagido mais a expectativas que a fatos concretos que indiquem que o pior da crise do coronavírus já passou. “Embora as projeções para o desempenho da economia brasileira e mundial neste ano sejam bastante negativas, as indicações mais recentes sugerem que o pior pode ter ficado para trás”, avalia José Pena, economista-chefe da Porto Seguro Investimentos.

A falta de um cenário mais claro no presente e do que vem à frente tem levado o mercado financeiro a trabalhar em ambiente de otimismo e cautela. O Índice Bovespa (Ibovespa, o principal da B3) tem zanzado ao redor de 96.500 pontos, quase encostando em 97 mil. Um nível de pontuação onde se encontrava antes do pânico provocado pela crise do coronavírus que fez o mercado de ações despencar em meados de março.

Eventual caminhada da bolsa de valores dos níveis pré-crise, em que se encontra, rumo aos cerca de 120 mil pontos, patamar mais elevado em que encostou em 23 de janeiro, guarda uma distância de cerca de 23%. Um alvo cujo alcance depende, de acordo com especialistas, de um cenário econômico global e local mais claro e confiável.

Ainda assim, sugerem a compra aos poucos, para a recomposição de investimento de quem tem sobra de espaço para ações em carteira, ou para quem vai diversificar em bolsa, convencido de que a fase de vacas gordas na renda fixa é coisa do passado.

Especialistas afirmam também que com os juros onde estão, na mínima histórica, o custo de oportunidade de investimento em ações ficou quase zero. Anteriormente quem investia em bolsa quase sempre deixava de ganhar os juros altos que a renda fixa proporcionava, já que o mercado de ações não tinha competitividade em relação às estratosféricas taxas de juro que fizeram parte da história econômica do País até recentemente.

Com os juros no chão, o investidor não deixará de ter esse ganho robusto na renda fixa. Ao contrário, tendo uma Selic em 2,25% ao ano, e perspectiva de queda adicional, para 2%, uma valorização, ainda que modesta, da bolsa será suficiente para desbancar qualquer rendimento da renda fixa, acreditam especialistas.

As ações que mais se têm destacado durante essa crise do coronavírus, em ambiente de quarentena e confinamento, segundo analistas do mercado, são as de empresas de varejo com atuação focada no comércio on-line, de empresas exportadoras de minério, commodities e carne, além das do setor elétrico e financeiro, como bancos.

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