Na Black Friday, entra em fria e cai em fraude quem quer

Regina Pitoscia

23 Novembro 2018 | 01h00

O consumidor conta este ano com novos reforços para aproveitar de modo efetivo o festival de promoções que acontece hoje, na Black Friday. Além dos Procons, que elaboram e mantêm em seus portais uma lista das lojas virtuais não recomendadas, por já terem apresentado vários problemas na comercialização de produtos e serviços, a Proteste, associação de consumidores, desenvolveu uma ferramenta para a comparação de preços, a Proteste Mais Barato.

Pelo serviço do Procon é possível eliminar mais de 400 sites suspeitos e encrenqueiros. Para encontrar a relação, com nome do site, da empresa responsável com respectivo CNPJ e se ainda está no ar, ou não, basta acessar http://sistemas.procon.sp.gov.br/evitesite/list/evitesites.php. Além das informações do site, os Procons em diferentes cidades estarão de plantão nesta sexta-feira para dúvidas e orientação do consumidor.

Pelo da Proteste há condições de saber se o desconto oferecido na Black Friday é real e onde pode ser encontrado o melhor preço. A entidade monitorou as 42 maiores lojas da internet, desde dezembro de 2017, o que gerou uma relação com 800 produtos mais procurados nesta ocasião, como eletroeletrônicos, smartphones, produtos de informática, de beleza, moda e acessórios.

A partir desses dados, foi criada uma ferramenta que pode ser instalada no computador ou smartphone. Com ela, toda vez que o consumidor estiver procurando por um produto ou serviço, nas lojas monitoradas, será aberta uma barra do Proteste Mais Barato, com a comparação de preços, permitindo uma rápida identificação da loja que oferece o mais baixo. Trata-se de um dispositivo útil não somente para a Black Friday, mas para qualquer compra em qualquer época do ano. A ferramenta é gratuita e pode ser acessada pelo www.proteste.org.br/blackfriday-2018.

Ainda em relação à segurança de compra feitas pela internet, valem as dicas do Idec: o consumidor deve verificar se o site dispõe de endereço físico, telefone e canais de contato direto com o consumidor, como chat, email e SAC; imprimir as páginas do anúncio com as características da mercadoria e atentar para a comprovação da oferta. Em relação ao pagamento, é necessário acompanhar a conta corrente e fatura do cartão, para uma rápida comunicação, em caso de anormalidade, à administradora ou ao banco.

A Proteste recomenda também visitar a página da loja nas redes sociais, consultar os sites de reclamação dos consumidores, desconfiar de preços muito reduzidos e verificar as formas de pagamento disponíveis. Vale a pena também observar se o estabelecimento conta com uma política de segurança e de devolução e troca.

O Idec  lembra que o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor assegura que todas as compras realizadas fora do estabelecimento físico – internet, catálogos ou telefone, por exemplo – podem ser canceladas no prazo de sete dias a partir da entrega do produto, mesmo que ele não apresente qualquer defeito.

Caso o consumidor encontre algum abuso, tanto na loja física como online, deve procurar o fornecedor e tentar resolver o problema amigavelmente. É possível também denunciar ao Procon de sua cidade ou através do site da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

O professor Bruno Boris, de Direito do Consumidor e Empresarial da Universidade Mackenzie Campinas, fala da importância de levantar informações sobre o fornecedor, seja em sites especializados ou nos sites dos Procons, que fornecem relações de lojas virtuais não recomendadas para as compras. “ Um bom fornecedor dificilmente deixará de cumprir sua oferta e ainda que possa cometer algum erro, terá interesse em solucioná-lo”.

E o orçamento?

Se ter informações sobre preços, sites fraudulentos e aspectos de segurança, é fundamental para uma boa compra na Black Friday, não menos importante é pensar na capacidade de pagamento das despesas.

Antes de aventurar-se pelo mar de ofertas, não custa nada parar alguns minutos e tentar responder algumas questões. Quanto poderá ser gasto sem provocar desequilíbrio nas contas? Nesse e nos próximos meses se as despesas forem parceladas. Esse dinheiro vai fazer falta para quitar algum outro compromisso? Será preciso entrar em dívidas com essas compras? Quanto o total desses gastos representa da renda mensal?

O sócio e gestor de recursos na Belvedere Investimentos, Ricardo Bueno, reconhece que é mesmo difícil deixar de consumir nessa época do ano com tantas promoções. É tudo bem tentador. Por isso, na opinião do gestor, planejar os gastos com antecedência é fundamental. “Nesses momentos, o melhor que cada um tem de fazer é entender e respeitar a realidade da sua situação financeira” afirma o especialista.

Para ele, embora a situação seja distinta e mude de consumidor para consumidor, não faz sentido uma pessoa endividar-se mais só para aproveitar uma promoção ou os grandes descontos, como os que são oferecidos na Black Friday, “afinal, a Black Friday e o Natal passam, mas a dívida fica”, lembra o especialista.

No caso de a pessoa já ter dívidas que lhe tiram o sono, as compras de fim de ano podem e devem esperar. “Não se pode ir às compras por impulso, mas sim quando a situação permitir”, orienta Bueno.