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Na pandemia, inovações beneficiam correntistas de banco digital

Regina Pitoscia

17 de junho de 2020 | 02h48

Se até bem pouco tempo atrás poder resolver as questões ligadas a banco pelo celular ou computador, sem necessidade de sair de casa, era simplesmente mais uma comodidade, nos tempos de pandemia essa possibilidade pode representar segurança e proteção da saúde.

É sabido que o isolamento social foi a principal arma usada nos quatro cantos do mundo para conter o avanço da doença. O Brasil foi um dos poucos países em que essa estratégia não foi levada a sério desde o início e, por isso, poderá conviver por meses a fio com a presença do coronavírus. Mas sempre que for possível evitar ir a uma agência ou a um caixa eletrônico, menos risco a pessoa vai correr de contrair o vírus.

Os bancos digitais já vinham oferecendo esses serviços há uns seis ou sete anos no mercado brasileiro, facilitando a vida do correntista, colocando literalmente na palma da mão resoluções da vida bancária. Nesses últimos meses, se dedicaram a formatar novos produtos, que atendam a novas necessidades criadas pela pandemia, acoplando a eles mais funcionalidades ou benefícios. Quem ganha é o consumidor.

O Banco Inter, um dos pioneiros no segmento digital, chegou com diferenciais decisivos, o de não cobrar tarifa para uma série de serviços, e praticar taxas de juros mais camaradas para o bolso do correntista. A partir de julho, o banco passa a oferecer outras vantagens no uso do cartão de crédito, que não cobra taxa de anuidade, o que por si só já é um diferencial.

O correntista terá incentivo para dar o passo conforme a perna, gastar de acordo com suas possibilidades financeiras. Na prática, quem pagar integralmente a fatura no dia de seu vencimento, sem entrar no crédito rotativo, vai receber dinheiro de volta, o cashback. O retorno será de 0,25% para o cartão Gold, de 0,50% para o Platinum, e de 1,0%, para o Black sobre o total da fatura.

“Queremos estimular o consumo consciente, devolvendo parte do que foi gasto ao correntista”, afirma Ray Chalub, diretor de Conta Digital e Meios de Pagamento, do banco. Ao oferecer esse atrativo, explica ele, que funciona como um desconto sobre as despesas da fatura, o banco leva o cliente a controlar mais de perto as suas finanças, evitando gastos acima de sua capacidade de pagamento.

O esquema também ajuda o consumidor a evitar os juros do crédito rotativo do cartão, os que são aplicados sobre o saldo devedor que não foi quitado no dia do vencimento do cartão. Esses juros são os mais altos do mercado e, na média, giram entre 11% e 12 ao mês, mais de 250% ao ano.

Além do cashback, o cartão de crédito passa a ter outra funcionalidade: ficará ligado diretamente à conta corrente do usuário. Assim, o limite de gasto poderá ser determinado pelo saldo de sua conta no momento do gasto. Uma das vantagens é que o cliente poderá comprar, pela internet ou nas lojas, produtos de valores mais elevados, como TV, fogão, geladeira, eletroeletrônicos, etc. Poderá desembolsar valores mais elevados sem precisar superar as barreiras impostas por bancos tradicionais, que colocam limites e não liberam a compra, ainda que o correntista tenha saldo suficiente para cobrir a despesa.

Com a opção de usar o cartão na função débito ou crédito, o cliente  poderá ainda escolher as melhores condições de pagamento: à vista, com a função débito, se houver desconto na compra, ou pelo crédito quando terá o retorno de 0,25% a 1,0% do valor da compra, que equivale a um desconto, desde que pague a fatura integral na data de vencimento.

Fim das maquininhas

O banco também programa a estreia, ainda no terceiro trimestre do ano, de uma nova tecnologia que elimina o uso das maquininhas em que são passados os cartões de crédito/débito e, em alguns casos, até os próprios cartões de plástico, porque a operação poderá ser feita pelo celular.

Batizado de Interpay, o sistema foi desenvolvido em NFC (Near Field Communication), em que comerciantes, pessoa física ou jurídica, poderão receber pagamentos por meio de dispositivos digitais, como Samsung Pay e Apple Pay, com o uso somente do celular. Os cartões contactless que também usam a tecnologia por aproximação, serão aceitos no Interpay.

O sistema vai favorecer, especialmente, pequenos empresários que ficarão livre do custo de compra ou aluguel das maquininhas. Condição que ganha importância em meio à crise da Covid-19, em que muitos tiveram simplesmente de fechar seus negócios em função do isolamento social. Para eles, agora, qualquer ajuda será bem-vinda. Sem essa despesa, o consumidor final poderá também ser compensado com preços mais baixos.

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