Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

O crédito consignado e as expectativas no emprego  

Regina Pitoscia

12 de junho de 2020 | 04h11

A pandemia vem afetando o bolso e o orçamento dos brasileiros em diferentes níveis. Para cada situação é preciso identificar o melhor caminho para o enfrentamento da crise. Há uma necessidade urgente de liquidez, dinheiro para tocar a vida, equilibrar o orçamento. Conseguir um empréstimo e em condições razoáveis não está nada fácil. Tudo vai depender se a pessoa está empregada ou não, se trabalha no setor privado ou público, se já teve ou poderá ter a renda reduzida.

Um dos diretores executivos da Consiga+, uma fintech de crédito consignado, Victor Loyola, vem acompanhando esse movimento por meio das demandas de crédito dos clientes e faz suas considerações.

Ele explica, por exemplo, que quem tem emprego, com carteira assinada em regime de CLT, pode estar passando sufoco por não ter recebido seus rendimentos em dia, pode ter tido um corte no salário, ou a suspensão do pagamento, condições previstas na legislação atual e válida durante o período de calamidade pública. Embora essa situação traga insegurança e deixe esse empregado mais cauteloso para recorrer ao crédito, ele sabe que as dificuldades serão passageiras, por alguns meses, porque com a retomada das atividades poderá recompor sua renda.

É claro que isso vai depender também do setor em que atua, ressalta Loyola, porque alguns setores enfrentarão mais dificuldades do que outros para engatar em uma recuperação, o que coloca em destaque o risco de demissão. Para ele, parece claro que nas áreas de turismo (viagens, hotéis), de companhias aéreas, de eventos, tudo o que estiver relacionado a tráfego de pessoas, aglomerações, o risco de ficar sem emprego tende a ser mais acentuado.

Enquanto não houver mais segurança para o reinício desse tipo de atividade, com o surgimento de uma vacina ou tratamento para a Covid-19, a paralisia tende a continuar com a consequente redução de pessoal, ou até extinção do negócio. E não é só isso, os novos hábitos também trarão outros impactos: “Muita empresa descobriu que é possível o trabalho em home office, com reuniões remotas, e isso vai reduzir as viagens corporativas, afetando ainda mais o setor de viagens”, pontua o executivo.

Em uma fase intermediária de normalização das atividades, o diretor inclui bares, restaurantes, e shoppings, que na sua estimativa devem reiniciar com algo entre 30 ou 40% do faturamento anterior à pandemia. Já alguns serviços, como os de segurança, ou alguns setores do varejo, vão atravessar a tormenta de forma mais suave.

Ao mesmo tempo, um funcionário público encontra-se em uma situação mais confortável, não vê ameaças de perda do emprego, quando muito poderá ficar sem reajuste pelo próximo ano. Nesse caso, as chances de tomar um empréstimo e não pode pagar depois são baixas.

Em condições mais precárias ficaram os autônomos, informais, pequenos empreendedores, que foram pegos no contrapé, tiveram interrupção de renda de uma hora para outra. Esses são os que mais precisam e estão à procura de crédito, mas é para quem menos há oferta.

De todo modo, seja qual fora a situação, o especialista afirma que “essa é uma boa hora de olhar atentamente para o orçamento, reduzir gastos, ver quanto pode fazer sobrar a cada mês e partir para um planejamento”.

O crédito consignado para quem recebe seus rendimentos por meio de crédito em conta corrente é uma opção interessante, porque tem uma das taxas mais baixas do mercado. Só que além dos juros, orienta o executivo, é preciso observar o prazo e também o valor da operação.

Essas três variáveis precisam ser cruzadas com as perspectivas de manutenção do emprego. Para alguns será mais interessante encurtar o prazo para ter uma taxa de juro mais baixa se existe a expectativa de retomada mais rápida das atividades em que atua. Para outros, em que o setor pode demorar mais para engrenar no ritmo normal dos negócios, um prazo de 36 meses pode ser o mais adequado, ainda que com juros mais altos.

Além das 3 variáveis, outro fator que ganha relevância na atual conjuntura é a possibilidade de ter uma carência para o início do pagamento das mensalidades. Um tempo necessário, de três a quatro meses, para o reinício dos negócios e restabelecimento do fluxo de entrada da renda. Se as expectativas forem frustradas, e não houver essa reação das atividades, a saída será uma repactuação das condições com o credor.

Em caso de demissão, o contrato do consignado pode prever o abatimento da dívida em até 30% do valor da rescisão trabalhista. A taxa de juro pode ser alterada também, já que a garantia de pagamento acaba, e o pagamento das parcelas restantes será feita por meio de boleto. Essas condições podem variar de instituição para instituição financeira.

Quem não consegue levantar dinheiro pelo consignado, por não receber sua renda por meio de folha de pagamento, Loyola sugere buscar os empréstimos com a oferta de bens como garantia, um automóvel, ou um imóvel, porque os juros serão mais baixos. Há várias opções dessa linha de crédito no mercado.

A Consiga+ oferece empréstimos a empregados do setor privado e é necessário haver uma parceria entre a fintech e a empresa para a liberação do dinheiro. As taxas variam de 1,5% a 5,0% ao mês, mas na média giram em torno de 2,6% a 2,7% ao mês, com prazo de até 60 meses, e carência de 4 meses para início do pagamento. Há opções para quem está com o nome negativado. Para mais informações, o endereço é www.consigamais.com.br.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: