Renda extra

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O que deve fazer o investidor diante da instabilidade do mercado

Regina Pitoscia

07 de outubro de 2019 | 00h11

(*) Com Tom Morooka

O mercado financeiro encerrou a primeira semana de outubro sem antecipar pistas que possibilitem uma ideia do que poderá ocorrer na próxima. O que se viu nos mercados nesta virada de mês, em ambiente de maior instabilidade, foi uma reação e de forma até contraditória tanto a sinais difusos provenientes do exterior quanto aos emitidos internamente.

O cenário internacional esteve permeado por vários fatores de pressão capazes de provocar reflexos no mercado financeiro doméstico. A maioria repetição de capítulos de uma novela que se estende há algum tempo. Os possíveis lances da disputa comercial entre Estados Unidos e China é um deles, mas não o único.

Os investidores permanecem em estado de prontidão em relação às expectativas com o rumo das taxas de juro internacionais. Elas estão negativas nos principais países da Europa e no Japão. Os juros americanos ainda não chegaram lá, mas poderiam recuar um pouco do intervalo entre 1,75% e 2,00%, dependendo do desempenho da economia.

Sinais emitidos pelos principais indicadores econômicos não possibilitam identificar para onde vai a atividade econômica pelo mundo, que desperta até o temor, em momentos de maior tensão, de que venha a ser engolfada pela recessão, um risco que estaria no radar de alguns analistas para 2020.

A fatores de turbulência externa se juntaram incertezas domésticas alimentadas por eventos até agora praticamente ignorados pelos investidores. A reforma da Previdência Social, que passou sem maiores percalços pela Câmara, enfrenta acidentes de percurso na tramitação pelo
Senado.

A votação pelos senadores tende a avançar além do praz previsto, uma demora que provoca preocupação adicional, a inclusão de propostas que reduzam a economia prevista nos cofres públicos. Uma delas foi a mudança nos critérios de pagamento de abono salarial do Pis-pasep que deve redundar em redução de cerca de R$ 80 bilhões na economia prevista.

Causa desconforto ainda nos investidores e nos mercados os sinais de desarticulação política entre governo e Congresso, cristalizado nos desentendimentos entre as partes, um embate em que a divisão de recursos obtidos com o petróleo do pré-sal parece ter-se convertido em uma moeda de troca para o bom andamento da reforma previdenciária.

A Bolsa de Valores de São Paulo ou B3, que perdeu 2,9% em uma só tacada no primeiro pregão do mês, recuperou-se parcialmente ao fechar a semana com desvalorização diluída a 2,09%.

E o investidor?

O investidor novato no mercado ações se assustou com o forte solavanco que varreu o mercado financeiro na virada do mês. Especialmente quem migrou da renda fixa, inconformado com o retorno miúdo dos juros em queda, para o de renda variável, atraído pelo aceno de rentabilidade mais interessante em um mercado de risco, como o de ações.

Se na renda fixa existe certa previsibilidade de rendimento, referenciado na taxa Selic corrente, que está em 5,50% ao ano, na renda variável a rentabilidade depende do desempenho da bolsa de valores, de forma geral, ou das ações que fazem parte da carteira do investidor.

Em meio às oscilações de preço das ações, o desafio de quem é iniciante nesse mercado é resistir aos trancos que, quase sempre, levam à forte desvalorização das ações. Movimento que exige sangue-frio, para não ser tentado às vendas precipitadas que em geral redundam em perdas.

Uma das dicas de especialistas de bolsa é permanecer quieto em um momento desses, indiferente aos movimentos de baixa, à espera de uma reação, que tende a vir em algum momento. Quem vende ações em um dia será comprador em outro, atuando na recompra dos papeis que ficaram baratos após as quedas. Quem estiver vendendo nessa hora estará materializando o prejuízo. Mais ainda, ficará sem as ações com as quais poderia compensar supostas perdas quando o mercado embicar em alta.

Uma das condições para manter esse sangue-frio é que o dinheiro ancorado em ações não tenha prazo de destinação definido, portanto sem data prévia para a venda de ações. Se houver essa vinculação, entre os recursos aplicados em ações e algum compromisso, poderá haver a necessidade de venda em um momento de baixa do mercado.

Vale lembrar que a compra direta de ações ou por meio de fundos é um investimento em que a expectativa de retorno é de longo prazo. Outra dica sempre repetida é que para ser bem-sucedido o investidor deve comprar ações na baixa e vender na alta. Regra básica que muito aplicador em bolsa pode inexperiente ter ignorado na recente turbulência.

O cuidado deve ser redobrado no atual cenário de juros baixos e sinais de retomada da economia em que o caminho de volta para a renda fixa, de juros no chão, não parece fazer sentido. A renda variável, especialmente a bolsa de valores, tende a beneficiar-se desse cenário, mas os esperados ganhos exigirão paciência do investidor. Principalmente em um cenário de agravamento de incertezas externas, ligadas ao desempenho da economia global, que enfrenta o temor de uma recessão.

Dólar

Um movimento de valorização de moedas de países considerados emergentes, incluído o real, levou a uma desvalorização do dólar no mercado doméstico. O dólar recuou 2,40% nos primeiros quatro dias do mês, cotado por R$ 4,06 na última sexta-feira.

O gerente de Tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, atribui a recuperação de moedas de economias emergentes ao tom mais conciliador do presidente americano Donald Trump no diálogo com os líderes chineses que poderia sinalizar para um encaminhamento de solução ao confronto comercial entre os dois países.

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