O que esperar agora do mercado financeiro e o que fazer com o dinheiro

Regina Pitoscia

08 Outubro 2018 | 00h04

Sem surpresas sobre os candidatos sacramentados para o segundo turno das eleições, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, não há por que apostar em uma reação dos mercados diferente da registrada nos últimos dias.

Os segmentos de ações e de dólar se mostraram em relativa acomodação, no fechamento da última sexta-feira, após iniciar a semana com forte valorização da bolsa de valores e tombo do dólar, que mergulhou abaixo de R$ 4. Foi uma reação ao crescimento do candidato Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, ampliando a vantagem em relação ao segundo colocado na corrida presidencial, Fernando Haddad, do PT.

Uma clara demonstração de que os investidores veem no candidato petista mais do mesmo que jogou o País na crise e preferem dar o benefício da dúvida a Bolsonaro.

E o entendimento é que como Bolsonaro saiu robustecido do primeiro turno, reforçando a chance de vitória no segundo, o mercado de ações tende a retomar uma alta com mais vigor, e o dólar, a escorregar para níveis mais baixos, que teriam como piso cotações em torno de R$ 3,70.

A reação de quase euforia dos mercados, com os dados que já indicavam aumento das chances de vitória de Bolsonaro, não deve ser vista pelos investidores como indicação que o cenário eleitoral caminha para uma definição com promessa de menos turbulência no mercado financeiro.

Analistas mostram cautela com o processo eleitoral que considera de resultados imprevisíveis e preocupação com os nomes que formarão a equipe econômica do presidente eleito e as medidas econômicas propostas para tentar resgatar o País da crise – fiscal, como o rombo das contas públicas, retomada do crescimento econômico e geração de emprego, dentre outras necessidades urgentes do País.

A expectativa é que os mercados reagirão, com alta ou baixa, a cada fato novo que se sucederá até a posse do novo governo em 1º de janeiro. Tudo indica que, até lá, não haverá uma definição mais clara, o que aumenta o risco de quem incursionar pelos segmentos de ações e de dólar para tentar aproveitar valorizações apenas momentâneas de preços e cotações.

O comportamento da bolsa de valores mostra que os negócios têm sido movimentados pelas ações mais líquidas, de fácil negociação, em operações rápidas de compra e venda, as chamadas day-trade, que tiram proveito das bruscas oscilações de preços.

O giro é feito sobretudo com as ações do Ibovespa (Índice Bovespa), principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, formada por 67 ações mais negociadas e, portanto, com maior liquidez, em operações comandadas por profissionais conhecedores do mercado.

Para quem não é do ramo e, por isso, não tem conhecimento desse mercado, mas quer investir em ações porque aposta na valorização da bolsa de valores, a dica de especialistas é um fundo de ações passivo referenciado no Ibovespa.

São chamados de passivos porque esses fundos têm como meta reproduzir o desempenho médio das 67 ações do Ibovespa, diluindo os riscos para o investidor.  Por estar atrelado à variação desse índice, o investidor do fundo pode não tirar proveito integralmente das fortes valorizações de alguns papeis, mas também pode não sentir o impacto total negativo de bruscas quedas.

Dólar

A moeda americana também não tem escapado das variações de expectativas e humor do mercado financeiro em relação à corrida presidencial. O otimismo com a crescente ampliação de vantagem do presidenciável PSL sobre o candidato do PT tirou o suporte do dólar, que veio abaixo de R$ 4 e tem rodado entre R$ 3,90 e R$ 3,85.

Analistas do mercado não descartam a possibilidade de que o dólar deslize para níveis mais baixos, ao redor de R$ 3,60 a R$ 3,50, em um primeiro momento pós-eleitoral, uma vez que foi confirmado nas urnas o favoritismo de Bolsonaro apontado pelas pesquisas.

A partir dessa hipótese, quem esperar poderá comprar a moeda americana mais barata, por preços menores que os atuais e bastante distantes do de R$ 4,10 de um mês atrás.

Além de fatores domésticos, eventual fonte de pressão sobre a moeda americana poderia vir do exterior, onde o dólar ganha força e se valoriza diante da perspectiva de elevação mais forte dos juros nos EUA.

Em águas calmas

Quem pretende navegar por águas mais calmas, tanto quem já está ancorado na renda fixa, como tem dinheiro para investir, deve se voltar para as aplicações que remuneram à base de juros. E aí estão incluídos fundos DI ou renda fixa, CDBs, títulos do governo e a caderneta. Pelo menos até que clareie o cenário político e econômico, algo que deve ocorrer nos primeiros meses de 2019.

O motivo é que agora as atenções estarão voltadas para o segundo turno, em 28 de outubro.  Isso pode representar nova onda de incertezas que deve respingar nos mercados de renda variável com turbulências. Portanto, o mais indicado é que o aplicador continue em renda fixa, por enquanto, e migre para outras opções, na renda variável, quando o horizonte estiver com contornos mais definidos.