O que esperar da caderneta de poupança em 2018

Regina Pitoscia

03 de janeiro de 2018 | 01h28

Tudo indica que a caderneta vai pagar um rendimento miúdo, tanto em termos nominais como em relação à inflação, em 2018. No ano passado, a conta do dia 1º apresentou uma rentabilidade acumulada de 6,61%, mas, se for mantida a política de juros baixos, pode ir contando com um retorno abaixo de 5% para este ano.

A conta é simples. Sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança vai ser equivalente a 70% dela. Essa taxa está agora em 7% ao ano, o que gera uma remuneração anual para a caderneta de 4,90%, ou mensal de 0,3994%. Só que esse seria o rendimento se o juro básico da economia permanecesse em 7% ao longo de todo ano.

Em fevereiro, nos dias 6 e 7, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir o rumo da Selic. O mercado financeiro, induzido pelos sinais do próprio Banco Central (BC), aposta em recuo da Selic. A perspectiva, por essa análise, é que ocorra uma redução adicional de 0,25% ponto porcentual, que levaria a taxa básica para 6,75% ao ano. Depois desse corte residual, a taxa seria mantida nesse nível até o fim do ano.

Se confirmada a trajetória de queda dos juros, a caderneta poderá render menos do que os atuais 4,90% ao ano. E isso em um cenário de inflação estimada, também pelo mercado financeiro, em torno de 4,0%. Nesse caso, haveria um ganho real, o que supera a inflação, de 0,87%. Só para comparar, em 2017, a poupança deve pagar um ganho real em torno de 2,5%, dependendo do que vier a ser a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em dezembro e, portanto, do ano fechado.

Trabalhando com essa hipótese, de inflação e juros comportados, o encolhimento do ganho não vai acontecer apenas com a caderneta, mas com as demais aplicações em renda fixa, como CDB, títulos do governo e fundos de renda fixa.

Qual a melhor opção?

É verdade que aplicações em títulos públicos ou do setor privado, emitidos por bancos e empresas, podem render mais do que a caderneta. Principalmente se o dinheiro não for mexido por mais de um ano, quando há uma redução do Imposto de Renda nos CDBS, fundos e títulos do Tesouro.

Por isso, na hora de decidir onde abrigar o dinheiro, é importante saber qual será o rendimento líquido, depois do desconto do imposto e das taxas de administração, se a opção for pelos fundos de renda fixa ou planos de previdência privada. Se a diferença for mínima, não compensa toda uma ginástica para ficar pulando de galho em galho.

Embora criticada por muita gente do mercado financeiro, pela rentabilidade pouco atraente, não se pode ignorar que a caderneta permite o resgate a cada 30 dias sem prejuízo de remuneração, aceita o dinheiro mais picado e conta com um sistema simples de movimentação.

Diante dessas condições, a diversificação tende a ser uma estratégia interessante: os recursos que podem ficar imobilizados por um período mais longo, dois ou três anos, seriam destinados para opções mais rentáveis para esse prazo, como os Títulos do Tesouro, alguns CDBs de bancos médios ou pequenos; enquanto o dinheiro a ser manejado ao longo dos meses seria depositado na caderneta.

Caderneta antiga

A regra que prevê a remuneração da caderneta em 70% da taxa Selic é válida para as contas abertas depois do dia 3 de maio de 2012, as contas novas.

Para os depósitos feitos até essa data em contas já existentes, as chamadas contas antigas, o critério de remuneração é outro, de 0,5% de juros mensais mais variação da Taxa Referencial, a TR. Nesse caso, existe a garantia de que o rendimento nunca será inferior a 0,5% ao mês ou 6,17% ao ano – talvez o melhor retorno dentro do segmento de renda fixa daqui para frente.

Em 2017, o rendimento acumulado pelas contas antigas, com vencimento no do 1º de cada mês, ficou em 6,99%.

 

 

 

 

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