O que esperar das aplicações financeiras em novembro

Regina Pitoscia

02 Novembro 2018 | 01h04

As perspectivas para o mercado financeiro em novembro parecem ser positivas para as ações, com a volta dos investidores estrangeiros que aguardavam a definição das eleições. Se o movimento se confirmar, as cotações do dólar devem cair ainda mais, com a maior oferta da moeda a ser trazida por esses investidores. A renda fixa poderá ser beneficiada e pagar ganho real provavelmente por uma inflação mais baixa.

Renda variável

Esses são alguns fatores concretos que estão sendo considerados pelo mercado, mas é claro que permanecerão no radar os nomes que formarão a equipe de governo do presidente eleito Jair Bolsonaro e as propostas que comporiam as possíveis medidas econômicas, especialmente as de arrumação fiscal para o reequilíbrio das contas públicas. Fatos e ideias que repercutem de imediato, sobretudo nos mercados de renda variável, como o de ações e de dólar.

A aposta é firme no perfil liberal e reformista de Paulo Guedes para as medidas que possam colocar o País de volta à rota do crescimento econômico, com geração de empregos e renda. Guru econômico de Bolsonaro durante a campanha e indicado para o Ministério da Economia – uma fusão dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços -, Guedes é considerado novo homem forte da economia.

A expectativa de economistas e analistas é que possível retomada de confiança com o juste fiscal pela aprovação de reformas, principalmente a da Previdência Social, leve o País à expansão da economia, capaz de atrair capitais externos em grandes volumes.

A ideia é que, independentemente da evolução do cenário externo, em que pipocam incertezas que vão da tensa disputa comercial entre Estados Unidos e China à possível elevação mais forte dos juros americanos, as condições do mercado doméstico poderiam, por si só, conquistar o investidor estrangeiro. A começar pelos preços das ações que continuam muito baixos, apesar da onda de valorização que se sucedeu desde o período pré-eleitoral.

Pode ser prematuro e até precipitado apostar em um cenário otimista, considerando o contorno do novo governo, que está apenas em formação e as ideias e propostas são ainda embrionárias e não raro contraditórias. Mas uma vez materializado, o País poderia receber enxurrada de dólares, principalmente para o mercado de ações.

É a partir dessa perspectiva que alguns analistas apostam que o Índice Bovespa (Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, formado por 67 ações mais negociadas) pode chegar a 100 mil pontos até o fim deste ano. Outros, mais otimistas, que poderá bater 125 mil pontos mais à frente.

O aumento no fluxo de capital estrangeiro para a compra de ações tenderia a reforçar a valorização da bolsa de valores e a deprimir o dólar – como consequência do aumento da oferta de moeda americana no mercado, resultado da conversão do dólar em real ao ingressar no País.

Renda fixa

Enquanto os mercados de risco permanecem em contínuo estado de prontidão e efervescência, sem desgrudar a atenção da política e da economia, o mercado de renda fixa caminha sem sobressaltos. Nem as altas episódicas da inflação alteram a rotina desse segmento.

Em sua penúltima reunião do ano, na quarta-feira, 31, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 6,50% ao ano. Semana em que, indicou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IGP-M recuou de 1,52%, em setembro, para 0,89%, em outubro, e o IPCA-15, prévia de inflação calculada pelo IBGE, avançou de 0,09%, em setembro, para 0,58%, em outubro.

A aceleração do IGP-M, índice que reflete a variação de preços no atacado e sofre forte influência do dólar, foi contida pela acentuada queda das cotações da moeda americana em outubro, principalmente após o primeiro turno da eleição presidencial. Já o IPCA-15 foi pressionado pela elevação das contas de energia elétrica e dos preços de combustíveis.

A inflação oficial de outubro, calculada pelo IPCA, estimado em 0,54% pelos economistas e analistas consultados pelo BC para o boletim Focus será conhecido no fim da segunda semana de novembro.

A boa notícia para a inflação é que essas pressões devem sair de cena em novembro e podem trazer o IPCA até ao campo da variação negativa, segundo especialistas em acompanhamento de preços. O motivo está na energia elétrica mais barata, com a troca da bandeira tarifária vermelha 2 para a amarela na conta de luz, por causa da melhora do cenário hidrológico.

Com a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), anunciada no dia 26 de outubro, não será surpreendente, na previsão de especialistas, se houver deflação ou inflação negativa neste mês e o IPCA fechar bastante baixa em dezembro. Uma trajetória que poderá ser reforçada também com a calibragem de preços de combustíveis mais baixos, pela Petrobrás, com o dólar mais barato.

A perspectiva, portanto, é que o aplicador em renda fixa fique mais alentado nos dois últimos meses do ano e compense parte das perdas sobre o rendimento provocadas pelo repique recente da inflação.

Ranking de outubro

Em outubro, a bolsa de valores nadou de braçada no mercado de investimentos e acumulou valorização de 10,19%. Na avaliação do administrador de investimentos Fabio Colombo, “o fato mais importante foi a eleição de Bolsonaro, que animou os mercados, devido a sua agenda liberal e favorável às reformas”.

As aplicações de renda fixa tradicionais não escaparam, mais uma vez, da mesmice. Pior, o rendimento das principais, como caderneta e fundos de investimento, de renda fixa e DI, apanhou da inflação e o investidor não obteve sequer a correção monetária.

Acompanhe o rendimento das aplicações em outubro de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

 

Corrida das aplicações

Aplicação                                                                           Rendimento

1º – Bolsa de Valores de São Paulo                                         10,19%

2º – Inflação – IGP-M                                                                0,89%

3º – Títulos indexados ao IPCA                                    0,80 a 0,90% – indicativo

4º – Fundos DI                                                                 0,46 a 0,56%*

5º – Fundos de renda fixa                                              0,46 a 0,56% *

6º – Inflação – IPCA                                                                    0,54%**

7º – CDB                                                                             0,40 a 0,50%*

8º – Caderneta                                                                               0,37%

9º – Ouro                                                                                      – 5,20%

10 – Dólar                                                                                     -7,80%

11º – Euro                                                                                     -10,07%

Obs.: * rentabilidade média bruta

** estimativa