Coluna

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O que esperar do mercado financeiro em setembro

Regina Pitoscia

02 de setembro de 2019 | 00h45

O mercado financeiro tende a continuar reagindo aos sobressaltos do cenário internacional em setembro, mas nem por isso os analistas parecem ter deixado o otimismo de lado. A reforma previdenciária caminha a contento no Senado e a tributária dá seus passos reforçando a expectativa dos agentes econômicos de que, se aprovada, tende a dar o impulso que falta ao reaquecimento mais vigoroso da economia.

Um ponto em favor da bolsa de valores é o barateamento das ações, após o fraco desempenho do mercado em agosto, o que poderia atrair investidores à compra, especialmente daqueles que, apesar dos percalços, não desistiram de diversificar suas carteiras.

Todos os caminhos parecem levar o investidor que está frustrado com os juros baixos na renda fixa ao mercado de ações, que ganhou um alento adicional. São os sinais de que a economia voltou a crescer e, mais que isso, o surpreendente desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre (abril-junho) tirou o temor de recessão do caminho da economia.

Não se espera a volta do capital estrangeiro tão cedo ao mercado doméstico de ações, mas a torcida é pela continuidade de compra de investidores domésticos que migram da renda fixa e a permanência dos que, apesar dos sustos, vieram em busca de ganhos maiores na bolsa.

O cenário externo de incertezas também tende a permanecer como fonte de pressão sobre o dólar. Especialmente a crise econômica argentina, que poderia levar o país do estágio de um calote seletivo, no momento, a nova moratória da dívida externa. Pela proximidade dos países e pela estreita relação comercial que mantém com a Argentina, o aumento de incertezas traz repercussões negativas por aqui sobre o mercado financeiro, sobretudo o de dólar.

Não significa dizer que, nesse eventual cenário, o dólar teria caminho livre para subir. O Banco Central (BC) deixou claro, na última semana de agosto, que está vigilante e pode usar os instrumentos que tem à mão para agir e corrigir o que considera distorções do mercado.

Distorções provocadas ora pela demanda maior por divisas no mercado à vista, em geral pelas empresas para pagamento de dívidas no exterior, ora pela procura de investidores em busca de proteção para o patrimônio.

Em busca de um equilíbrio entre oferta e demanda por moeda, o BC tem atuado de diversas maneiras no mercado: swap cambial, oferta de dólares com compromisso de recompra, compra futura de dólares, venda direta de dólares no mercado à vista sacados do estoque de reservas internacionais, quando a cotação da moeda americana encostou em R$ 4,20, na última terça-feira.

Diante do farto arsenal do BC para atuar no mercado, seria uma temeridade apostar em uma disparada do dólar, que fechou agosto cotado por R$ 4,14 para a venda e alta acumulada de 8,46% no mês. Para quem precisa de moeda, o mais indicado continua sendo a compra em pequenos lotes, especialmente em momentos de baixa das cotações, para formar um estoque de dólares por preço médio que não seja nem tão alto nem tão baixo.

Como foi agosto

Agosto foi emblemático para quem vê o vaivém dos mercados, principalmente de ações e de dólar, como termômetro das expectativas dos investidores. No mês em que as incertezas com os rumos da economia mundial permearam e ditaram as decisões no mercado financeiro, o ouro, que já vinha em alta, disparou, levando junto o dólar.

O ouro negociado na BM&FBovespa fechou o mês com valorização de 17,95%, no topo das aplicações mais rentáveis, seguido do dólar com avanço de 8,46%, mesmo com as vendas à vista de moeda, pelo Banco Central, sacadas das reservas internacionais. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, acumulou desvalorização de 0,67%, ocupando o último lugar do ranking.

O temor de que a escalada da disputa comercial redundasse em desaceleração econômica que colocasse o mundo à beira de uma recessão levou os investidores a se desfazer de ações e procurar proteção em ativos mais seguros, considerados reservas de valor, como o ouro e o dólar, além dos tradicionais títulos do Tesouro americano.

Em meio a essa movimentação dos investidores em busca de maior segurança, a bolsa de valores perdeu sustentação acima de 100 mil pontos, por onde trafegou durante boa parte do mês. Ao mesmo tempo, o dólar ganhava mais fôlego, impulsionado pela saída de capitais e pela procura de investidores em busca de refúgio e proteção para o patrimônio por causa de insegurança com o quadro internacional.

Quem migrou recentemente para o mercado de ações, para diversificar a carteira de investimentos, sofreu com os solavancos da bolsa de valores, mas quem permaneceu na renda fixa ficou à margem do estresse provocado pela instabilidade.

Confira quanto renderam as aplicações, de acordo com os dados calculados pelo administrador de investimentos Fabio Colombo.

                                        Ranking de agosto

Aplicação                                                                    Rendimento

1º – Ouro                                                                                17,95%

2º – Dólar                                                                                8,46%

3° – Euro                                                                                  7,66%

4º – Fundos DI – bruto                                             0,43 a 0,53%

5° – Fundos de renda fixa – bruto                          0,41 a 0,51%

6º – CDBs – bruto                                                      0,40 a 0,50%

7º – Caderneta                                                                         0,35%

8º – Títulos IPCA – indicativo                                 0,25 a 0,35%

9º – IPCA – estimativa                                                            0,22%

10º – Bolsa de valores                                                           -0,67%

11º – IGP-M                                                                             -0,67%

 

 

 

 

 

 

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