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O que falta realmente para a bolsa deslanchar

Regina Pitoscia

14 de outubro de 2019 | 00h07

(*) Com Tom Morooka

As idas e vindas nas negociações entre Estados Unidos e China à procura de caminhos que levem a uma solução na disputa comercial entre os dois países, uma sucessão de capítulos de uma novela que dura 18 meses e parece ainda longe do fim, continuam influenciando a trajetória do mercado financeiro. Sem solução, o confronto entre os dois gigantes no comércio global pode provocar estragos na recuperação da economia dos demais países, até com o risco de uma recessão pelo mundo.

A falta de um desfecho conclusivo nas conversas, apesar de uma expectativa mais otimista no fim da sexta-feira, faz o sentimento dos investidores pender ora para o otimismo, em geral com valorização da bolsa de valores e queda do dólar, ora para o pessimismo, com a inversão do rumo das cotações nesses mercados.

É nesse ambiente de incertezas externas que a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, está orbitando ao redor de 100 mil pontos, sem fôlego para alcançar níveis mais elevados, e o dólar rondando perto de R$ 4,10.

O freio ao avanço da bolsa de valores não está associado apenas à influência de fatores externos. Juros e inflação baixos por aqui ajudam, mas o mercado de ações precisa de algo mais para deslanchar de vez, avalia José Pena, economista-chefe da Porto Seguro Investimentos.

Segundo ele, a economia está fraca e a leitura do mercado financeiro e de investidores é que a retomada está difícil. “O fator-chave para que a bolsa busque patamares mais altos, após consolidar os 100 mil pontos, é a retomada do crescimento econômico.”

Para Pena, não precisa ser um resultado exuberante. “Um crescimento de 2% a 3% vai melhorar o desempenho das empresas, que se ajustaram durante a crise, e aumentar a arrecadação e receitas do governo, melhorando a percepção de risco dos investidores em relação ao País.”

Em razão do temor com o risco de possível recessão, que permeia o pano de fundo econômico no exterior, o Brasil teria muito a ganhar, em termos de atração de capital, se passar a crescer nesse ambiente e se destacar em relação aos demais países, acredita Pena.

A análise do economista-chefe da Porto Seguro Investimentos aponta para um cenário positivo para a bolsa de valores no médio e longo prazo, já que, em sua visão, as necessidades do País para crescer vão além dos juros baixos. “O juro baixo é condição necessária, mas não suficiente para o crescimento, já que as incertezas inibem investimento e consumo.” Duas condições de que o Brasil não conta no momento para engatar a retomada, por causa da persistência de incertezas externas e domésticas.

Pena vê, nesse cenário, motivo para um otimismo cauteloso com a bolsa de valores no médio e longo prazo, quando com a casa arrumada e menos incertezas, acredita, o investidor estrangeiro se sentiria encorajado à compra de ações no mercado doméstico.

“Por enquanto, é o investidor local que tem procurado a bolsa de valores para diversificar sua carteira, assumindo mais risco, para tentar ganhar mais.” O investidor estrangeiro, na avaliação de Pena, vai esperar a volta do crescimento para retomar a compra de ações por aqui.

O entendimento de que uma participação agressiva do capital externo na compra é condição para dar maior impulso à bolsa de valores é ideia corrente entre analistas e investidores mais experientes do mercado. Sob esse ponto de vista, a bolsa seria boa opção para o investidor que quer remodelar seu portfólio com expectativa de rentabilidade no longo prazo.

Outro argumento de especialistas em favor da bolsa de valores aponta que o custo de oportunidade de investir em ações ficou baixo com a queda dos juros. Esse custo equivale ao que o investidor deixará de ganhar com eventual desvalorização da bolsa, uma aplicação de renda variável, comparado com o rendimento praticamente assegurado que obteria com os juros na renda fixa.

Com uma Selic de 5,50% ao ano, que poderia recuar para 4,50% no fim de 2019, como projeta o mercado financeiro, perdas com a bolsa no curto prazo seriam apenas um pequeno pedágio que o investidor pagaria no caminho em busca de uma rentabilidade atraente no médio e longo prazo.

Um alívio na tensão entre EUA e China pode estar a caminho e melhorar o humor dos mercados na próxima semana. Em conversa na sexta-feira, os dois países acertaram uma trégua na disputa comercial. Um entendimento em que a China aceitaria algumas concessões agrícolas e os EUA concordariam com alguma flexibilização tarifária.

Nesse clima de expectativas mais positivas com o exterior, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou o pregão de sexta-feira com valorização de 1,98%, em 103.831,92 pontos. A alta acumulada na semana foi 1,25%

Dólar

O dólar continuou zanzando ao redor de R$ 4,10, sustentado pela procura de investidores preocupados com proteção, por motivos pontuais, mais associados a incertezas externas que domésticas.

Analistas não veem motivos para que a moeda americana se afaste muito do atual nível de preços, embora a trajetória esperada para o médio prazo é que o dólar se aproxime mais de R$ 4,00 do que de R$ 4,20.

Cotado por R$ 4,09 na sexta-feira, a moeda americana acumulou valorização de 0,75% na semana.

 

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