O que são e como funcionam os títulos de renda fixa com liquidez diária

Regina Pitoscia

15 de novembro de 2019 | 00h12

Na última sexta-feira, dia 8, eu tratei aqui dos papeis de renda fixa que permitem resgate diário e das vantagens que oferecem em relação à caderneta de poupança. A leitora Liliane Alves reclamou do texto, “mal escrito” e de difícil compreensão, segundo ela. Como o espaço é voltado à prestação de serviço e o objetivo é levar informações que possam de fato ser úteis aos leitores, voltarei ao tema, na tentativa de ser mais clara, e já me colocando à disposição para novos esclarecimentos, se necessários.

Quando falamos de liquidez, falamos da possibilidade de mexer no dinheiro aplicado sem ter prejuízo, sem perder o rendimento prometido. Em aplicações como a caderneta, a liquidez é mensal. Ou seja, é possível fazer saques sem perda da remuneração a cada mês, sempre na data de aniversário da conta, aquela em que foi aberta. O saque fora dessa data faz com que o rendimento seja calculado sobre o menor saldo registrado no mês da caderneta, com perdas para o aplicador.

Em fundos de investimentos, o prazo para saque varia muito, dependendo da composição de sua carteira. De uma maneira geral, os fundos mais conservadores, os que são formados por papeis de renda fixa, proporcionam maior liquidez, quer dizer, permitem a retirada de cotas todos os dias, com rendimento proporcional até o dia em que foi pedido o resgate. Mas, em contrapartida, os fundos formados por ativos de maior risco, os que têm oscilações constantes na cotação, como o de ações e multimercados, podem estipular prazos de até 30 dias para pagar o resgate, depois de o aplicador ter feito o pedido.

Na matéria da semana passada, no entanto, o foco aqui foram os papeis de renda fixa com liquidez diária: os Certificado de Depósito Bancário (CDB), emitido pelos bancos, e o Tesouro Selic, título emitido pelo Tesouro Nacional, pelo governo. O dinheiro empregado nesses papeis podem ser resgatados a qualquer dia, até no dia seguinte ao da aplicação, se o investidor quiser ou precisar.

Expliquei, no entanto, que nas aplicações de renda fixa, inclusive nesses CDBs ou Tesouro Selic de liquidez diária, se o resgate for feito nos primeiros 29 dias da aplicação, há um imposto pesado, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para aplicações de apenas um dia, o IOF come 96% do rendimento obtido, o porcentual vai caindo, e quanto maior o prazo menor o imposto, até chegar em 3% para aplicações de 29 dias. A partir do 30º da aplicação não há mais IOF. Fica claro que o ideal é sempre esperar completar o mês para retirar o dinheiro aplicado em renda fixa, de modo a escapar dessa tributação.

Os títulos de renda fixa com liquidez diária, CDB e Tesouro Selic, além do IOF também são tributados pelo Imposto de Renda. A alíquota a ser aplicada ao rendimento será de 22,5% para aplicações de até 180 dias; de 20% para as de 181 até 360 dias; de 17,5% para as de 361 a 720 dias: e de 15% para aplicações com prazo de mais de 720 dias.

Comparações

Considerando apenas o aspecto liquidez, o CDB e o Tesouro Selic permitem retiradas a cada dia e com rendimento proporcional até o dia da solicitação do resgate, portanto, deixam o dinheiro mais livre do que a própria caderneta de poupança, que possibilita saques a cada mês sem perdas. Embora liberem a retirada já no dia seguinte ao da aplicação, isso é contraindicado por causa do IOF que vai levar quase todo o rendimento. A partir do 30º dia, o saque não é penalizado com esse imposto, mas somente pelo Imposto de Renda.

Considerando o aspecto de rentabilidade, os CDBs e o Tesouro Selic com liquidez diária também tendem a pagar mais do que a caderneta para aplicações superiores a um mês (sem IOF). Embora haja imposto de renda sobre o rendimento, os papeis tendem a levar vantagem sobre a caderneta, que é isenta de impostos.

Vamos aos números: a remuneração atual da caderneta está em 3,5% ao ano, ou 0,29% ao mês; já a rentabilidade dos papeis tem como base a taxa chamada DI (Depósito Interbancário), que é uma taxa praticada em operações feitas entre bancos. Essa taxa anda meio colada e um pouco baixo do juro básico da economia, a Selic, que está em 5% ao ano. Nessa relação, o DI atualmente está perto de 4,8% ao ano. Nos bancos médios, é possível aplicar nos papeis de renda fixa com liquidez diária a essa taxa de 4,8% ao ano (100% do DI). Só que esse é um rendimento bruto, e sobre ele haverá o desconto do imposto de renda.

Tomando como exemplo uma aplicação nos títulos de renda fixa com liquidez diária, superior a 30 dias (sem IOF) e de até 180 dias, haverá o imposto de renda sobre ela de 22,5%, resultando em um rendimento líquido de 3,72% ao ano. Na caderneta, o rendimento seria de 3,5% ao ano. Já para uma aplicação superior a 720 dias, quando o IR cai para 15%, a vantagem dos títulos é ainda maior, porque seu retorno seria de 4,08% ao ano.

Nos grandes bancos, no entanto, que não oferecem a taxa cheia do DI, mas algo mais baixo entre 75% a 80% dele, essa vantagem pode desaparecer. Portanto, vale a pena ir em busca dos bancos que pagam 100% do DI nesses papeis.

Dito isso, a ideia é mostrar que: existem no mercado papeis de renda fixa que permitem resgate diário; eles oferecem liquidez mais alta do que a caderneta; mesmo tendo incidência de IR, podem pagar mais do que a caderneta. Em resumo, são boa opção para aquele dinheiro que precisa estar mais à mão do investidor para ir cumprindo com seus compromissos a cada mês.

Prazo mais longo

Agora que ficou evidente que há aplicações em renda fixa de curto prazo que podem render mais que a poupança, vale verificar como conseguir uma remuneração mais reforçada com os títulos de renda fixa de prazo mais longo. Na pesquisa semanal feita pelo buscador de investimentos Yubb (www.yubb.com.br) há títulos que acenam com rentabilidade bem acima das projeções de inflação, ou seja, com ganho real, para o dinheiro que pode ficar aplicado por 3 anos.

                                                10 títulos mais rentáveis

                                                         Prazo de 3 anos

Emissor/tipo                       Distribuidor             Rendimento (*)          Valor mínimo R$

Bco Máxima-CDB                    Nova Futura                        6,77%                                500,00

Bco Máxima-CDB                    Guide Inv.                            6,75%                               10 mil

Avista Fin-RDB                        Avista Fin.                            6,61%                                  1 mil

Portocred Fin-LC                     Órama Inv                            6,51%                                 3 mil

Credita Fin-LC                          Órama Inv                            6,51%                               10 mil

Bco Indusval-CDB                    Indusval                               6,50%                                 1 mil

Pernambucanas F-LC              XP-Inv                                  6,45%                                 1 mil

Original-LCI                              XP-Inv                                  6,42%                                 1 mil

Agoracred-LC                            Órama Inv                           6,40%                                 5 mil

Bco bs2-CDB                              Guide                                   6,30%                                 5 mil

(*) Rendimento líquido ao ano

Fonte: Yubb

 

 

 

 

 

 

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