coluna

Carolina Bartunek no E-Investidor: 5 tendências prejudiciais para quem investe em ações

O que tem dado gás para alta da bolsa e do dólar

Regina Pitoscia

25 de novembro de 2019 | 00h02

Os dados mais recentes que apontam para uma recuperação mais consistente de atividade econômica têm deixado investidores e mercado financeiro mais animados. Especialmente na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que encerrou a semana com dois pregões seguidos de alta, que somados perfazem uma valorização superior a 2% em dois dias.

A reação da economia, de acordo com especialistas, é o fato novo de que o mercado de ações esperava no cenário de inflação e juros baixos para engatar uma valorização mais forte, após a aprovação da reforma da Previdência Social e do encaminhamento de novas reformas.

O ainda arredio investidor estrangeiro, um participante com que os investidores locais contam para dar impulso à bolsa de valores, também estaria retomando o interesse pelas ações brasileiras, depois que alguns dos grandes bancos internacionais passaram a recomendar a compra de ações brasileiras. Um evento que, segundo analistas, deu suporte à alta da B3 nos últimos dias.

A combinação desses fatores positivos – redução do risco fiscal com a aprovação da reforma previdenciária, expectativa de manutenção de inflação e juros baixos por longo tempo e perspectiva de crescimento da economia – projeta um cenário promissor para a bolsa de valores, de acordo com os profissionais de mercado.

Esses especialistas lembram que os investidores pessoas físicas, que vêm sustentando a alta da bolsa de valores com a compra de ações para a diversificação de investimentos diante da queda dos juros na renda fixa, poderiam passar a contar aos poucos também com um parceiro de peso, a maior participação do investidor estrangeiro no mercado. “Os investidores estrangeiros parecem estar separando o Brasil de outros países da região tomados pela instabilidade política”, comenta Mauriciano Cavalcante, diretor de Câmbio da Ourominas.

Um dos obstáculos ao maior apetite do capital externo pelas ações brasileiras continua sendo as incertezas em relação aos desdobramentos da tensão comercial entre Estados Unidos e China, que tem contribuído para a desaceleração da economia global.

Mesmo assim, as chances de obter um retorno mais atraente com o investimento em ações aumentaram com a mudança do cenário de expectativas nos últimos dias. Isso não significa que fincar o pé no mercado de ações seja suficiente para abrir um caminho fácil e rápido para ganhos.

O mercado de ações é um segmento de renda variável em que o sobe e desce das cotações dos papeis faz parte da rotina do pregão e o investidor só obterá ganho se o preço da ação em carteira estiver valendo mais do que o valor pago na compra. E isso impõe uma dificuldade para o iniciante nesse mercado, qual seja, como escolher a ação mais promissora.

Uma decisão dessas exige uma série de conhecimentos específicos do segmento, do cenário econômico, da empresa emissora dos papeis, dentre outros. Por isso analistas sugerem, em vez de compra direta de ações, que o investimento em bolsa de valores seja feito por meio do fundo de ações.

Uma indicação que também leva a outra dúvida. Fundo de ações ativo ou passivo? No fundo de ações ativo, o gestor escolhe as ações da carteira do fundo, compradas com o dinheiro do investidor, de acordo com o alvo de rentabilidade que estabelece para o fundo.

No fundo passivo, o gestor forma a carteira com ações que levem a um desempenho referenciado em determinado índice. O mais comum é o Ibovespa (Índice Bovespa, o principal indicador da B3).

A preferência por um ou outro tipo de fundo, ativo ou passivo, divide os especialistas. Os que indicam os fundos ativos argumentam que, como o gestor tem liberdade de escolha para selecionar as ações com mais potencial de valorização, esse tipo de produto tende a proporcionar melhor desempenho para o investidor. Reforçam essa preferência afirmando ainda que como o Ibovespa, bastante usado como referência de rentabilidade dos fundos passivos, tem elevada participação de ações de empresas de commodities, voltados à exportação, os produtos de gestão passiva tendem a tirar menos proveito de possível retomada da economia.

Dólar

O diretor de Câmbio da Ourominas afirma que o dólar, que chegou a ultrapassar novamente a linha de R$ 4,20, está sendo pressionado pela remessa de lucros e dividendos de multinacionais para matrizes no exterior. Esse movimento, segundo Cavalcante, é comum nesta época do ano e, passada a pressão, a moeda americana tenderia a fechar 2019 em torno de R$ 4,00. Uma cotação que coincide com a estimada por economistas e analistas do mercado no último boletim Focus, do Banco Central.

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.