Onde está o rendimento mais alto na renda fixa

Regina Pitoscia

05 de julho de 2019 | 01h11

Uma das principais barreiras para o investidor aceitar um título de renda fixa emitido por instituições financeiras menores e menos tradicionais no mercado está ligada à segurança. O receio é o de que a emissora do papel venha a quebrar e haja problemas para o resgate do dinheiro ali aplicado.

Para muitos casos, essa preocupação procedia e tinha razão de ser até 1995, quando foi criado o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que passou a dar cobertura a aplicações para a grande maioria dos papeis de renda fixa. Até então, se algum banco ou financeira viesse a ter problemas de liquidez, o investidor amarrado a um de seus papeis tinha de entrar numa fila para disputar com outros credores o que lhe cabia dentro da massa falida.

O FGC foi formado para proteger o correntista e também o investidor do mercado de renda fixa, até certo limite de valor. A proteção funciona como seguro para quem aplica em títulos bancários – como CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito Agrícola) – em caso de quebra da instituição financeira que emitiu o título.

O FGC garante ainda a cobertura para aplicações em caderneta de poupança, letras de câmbio, letras hipotecárias, letras imobiliárias e recibos de depósito bancário (RDB) e depósitos em conta corrente.

Entidade privada, o Fundo é formado por contribuições mensais dos próprios bancos e será acionado quando uma instituição financeira vier a quebrar. Só que hoje o sistema bancário demonstra solidez e está à margem de riscos sistêmicos, um cenário que destoa do ano de criação do FGC. Naquela época, que se seguiu à chegada do Plano Real, a forte queda da inflação e, em sua esteira, da correção monetária provocou desorganização do sistema e criou severas dificuldades financeiras para os bancos.

A cobertura é de R$ 250 mil por CPF, quer dizer, para cada aplicador e por instituição financeira, limitada a R$ 1 milhão. Assim, para quem contar com valores acima de R$ 250 mil, o mais indicado é pulverizar o total em várias instituições para ter garantia de até R$ 1 milhão.

Tripé

O manual do investidor reforça que toda boa aplicação deve seguir uma regra de ouro, caracterizada por um tripé formado por rentabilidade, liquidez e segurança.

Nem sempre é possível combinar essas três condições em um investimento, ainda que isso seja aparentemente mais simples em uma escolha na renda fixa. Nestes tempos de juros baixos, o rendimento, em termos nominais, não deixa de ser frustrante para quem estava acostumado com taxas de juro elevadas.

O sentimento de frustração é maior para quem mira a liquidez, de forma a ter a porta aberta para saques com remuneração a qualquer momento, ainda que à custa de ganho menor. Aplicações curtas recolhem mais imposto porque são tributadas por alíquotas mais elevadas.

A cobertura do FGC tem sido um dos motes usados pelos bancos de menor porte e financeiras para atrair investidores para seus títulos, ofertados por taxas de juro mais atraentes, principalmente em aplicações digitais, por internet, nas plataformas de investimento.

Como não têm agências físicas para captação de recursos, diferentemente dos grandes bancos de varejo, e como supostamente os títulos emitidos por elas embutiriam um risco de crédito (de eventual calote) mais elevado, essas instituições menores oferecem títulos com rentabilidade bastante competitivas.

A ousadia na oferta de taxas mais altas pelos menores não é bem vista pelos bancos de rede, que trabalham com taxas de juro mais baixas em seus títulos, porque contam com facilidades na captação em sua ampla rede.

Por contar com o guarda-chuva de proteção do FGC, tem muito investidor dando preferência à rentabilidade dos papeis de instituições menores nesta temporada de juros nominais magros na renda fixa. E boas oportunidades não faltam.

Na seleção semanal feita pelo buscador de investimentos Yubb (www.yubb.com.br), seu diretor-executivo, Bernardo Pascowitch, chama atenção para o fato de que também para valores irrisórios são oferecidas taxas igualmente atraentes. No buscador, há um simulador e o interessado deve informar o valor que pretende aplicar e por quanto tempo. Em segundos, receberá uma lista com as opções mais rentáveis do mercado entre mais de 2.500 opções.

Pequeno aplicador                             

                                                  Prazo 12 meses

                                     

Emissor/tipo             Plataforma                Rend.líq a.a.       Valor mínimo R$

Sofisa (LCI/LCA)          Sofisa Direto                      6,41%                          1,00

Banco Inter (LCI)         Banco Inter                        6,34%                     100,00

Sofisa (CDB)                  Sofisa Direto                      6,22%                          1,00

Bco Pan (LCI)                Banco Pan                          6,21%                      100,00

Bco Pan (CDB)              Banco Pan                          5,89%                      100,00

Bco Inter(CDB)             Banco Inter                        5,51%                       100,00

Nubank (RDB)              Nubank                               5,51%                       100,00

Tes.Nac. (Selic)             Vários (*)                            5,03%                       101,85

Fonte: Yubb

(*) Rico Investimentos, XP, Órama, BTG Pactual Digital, Guide, Nova Futura, Necton, Ativa

Pesquisa feita em 03.07

Prazo mais longo                                    

Para prazos mais elásticos, há opções mais rentáveis, que superam em muito a da caderneta de poupança, e para aplicações mínimas a partir de R$ 1 mil, acompanhe:

Emissor/tipo                   Plataforma       Rend.líq a.a.         Prazo

Bco Máxima (CDB)             Ourinvest                 8,40%                  60 meses

Bco Fibra(CDB)                   Daycoval                  7,89%                   48 meses

Ourinvest(CDB)                  Ourinvest                 7,29%                   24 meses

Pine                                       BTG Pactual             7,13%                   48 meses

Fonte: Yubb

Pesquisa feita em 04.07

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