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Operações P2P: crédito mais barato, aplicação mais rentável

Regina Pitoscia

24 de outubro de 2019 | 00h14

Você já ouviu falar das operações peer to peer lending ou peer to peer ou, ainda, P2P? Em princípio, o nome em inglês pode dificultar o entendimento, mas na tradução literal o termo corresponde a empréstimo entre pessoas ou entre pares. E na prática é isso mesmo. Quem tem dinheiro sobrando e quer aplicar empresta a quem precisa de crédito.

O modelo não representa necessariamente uma novidade, porque é adotado por bancos e financeiras tradicionais desde sempre. O que muda na nova versão é quem oferece esse tipo de operação e a forma de intermediação. Desde 2018, as fintechs, empresas com plataformas tecnológicas, oferecem produtos e serviços financeiros com o spread (diferença entre o juro de captação e o de crédito) mais reduzido.

Essas empresas ainda atuam com a parceria de um banco ou financeira, mas em breve, assim que tiverem autorização do Banco Central, poderão atuar como Sociedade de Crédito Direto (SCD) ou Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEP) de forma independente, melhorando mais as condições de empréstimos ao tomador de crédito, com juros mais baixos, ou da remuneração do aplicador, com retorno mais alto.

Esse formato vem aumentar a concorrência no mercado, atraindo investidores em busca de remuneração melhor do que a da renda fixa, ou como opção de diversificação de investimentos e, ao mesmo tempo, quem precisa de dinheiro para comprar algo ou tocar seus negócios a um custo mais baixo, seja pessoa física ou empresas.

A fintech Mutual, que iniciou suas operações em janeiro de 2018, é uma das que atuam no mercado oferecendo essas transações entre pessoas. Sua carteira de crédito corresponde a R$ 10 milhões atualmente, envolvendo 10 mil tomadores de crédito e cerca de 3 mil investidores. A empresa conta com mais de 500 mil usuários ativos, tanto na ponta do empréstimo como da aplicação. Sua meta é ambiciosa para essa reta final de 2019: dobrar o valor emprestado.

Para isso, investiu firme em sua plataforma mobile, e 100% da transação é realizada por meio de seu aplicativo, garantindo agilidade no processo e redução de burocracia na ponta de concessão do empréstimo. Do ponto de vista da aplicação, a Mutual criou ferramentas que permitem ao investidor adquirir cotas em diversas operações de financiamentos, sem concentrar os recursos em apenas um financiamento.

Como o risco da aplicação está diretamente ligado à falta de pagamento das prestações do compromisso, essa diversificação, portanto, representa mais segurança ao investidor. Com a inovação, a Mutual prevê um faturamento de R$ 2 milhões este ano.

Além da diversificação, o aplicativo usa recursos de inteligência artificial e algoritmos, o que permite uma análise de crédito mais transparente e precisa do perfil do tomador. Com acesso a outros elementos como seu fluxo de caixa, pelo cartão de crédito, e aplicativos dos bancos onde é correntista, a Mutual tem condições de elaborar um score (nota) de crédito do interessado no financiamento.

Todas essas informações são repassadas para o investidor que, por sua vez, terá condições de identificar para qual perfil de tomador quer emprestar. O valor sugerido para cada aplicação pelo estrategista-chefe e um dos sócios da Mutual, Fabrício Sanfelice, fica entre R$ 2 mil e R$ 5 mil.

Os empréstimos são feitos por prazos que variam de 6 a 18 meses e, à medida que vão vencendo, os recursos são reinvestidos ou reemprestados em outras operações. Para quem usa essa prática, segundo e executivo, o rendimento médio pode chegar a 17% ao ano.

Sanfelice afirma que a taxa de inadimplência na empresa, considerando atrasos superiores a 90 dias, está em 14% da carteira. Desse total, a recuperação administrativa está em torno de 30%, sem necessidade de recorrer a ações judiciais. Ele explica que seus funcionários estão treinados para fazer o tomador de crédito saber que o dinheiro emprestado é de outra pessoa física e dos prejuízos imediatos que isso pode provocar.

Além disso, há um programa de educação financeira em que o devedor é orientado a administrar melhor suas finanças de modo a ter condições de cumprir com seus compromissos em dia.

Na concessão do empréstimo o procedimento é bem simples e rápido. Pelo aplicativo, o candidato deve apenas informar os dados solicitados em um rápido cadastro. A partir daí, o processo todo, que envolve a análise e origem da operação, com a emissão do contrato ou Cédula de Crédito Bancário, pode ser finalizado em apenas cinco segundos.

Antes de aprovar a solicitação de empréstimo, a Mutual consegue levantar se cada pessoa já possui financiamentos, de curto ou longo prazo, fazer uma projeção de endividamento para os próximos meses, além de saber se ele está inadimplente em algum outro compromisso.

Se tiver o crédito aprovado, em até 20 minutos poderá ter o dinheiro depositado em sua conta, mas isso vai depender também de a empresa ter o dinheiro disponível do aplicador para o empréstimo naquele momento. “Na média, esse tempo varia em torno de 20 horas”, explica o diretor. E em caso de negativa, o cliente fica sabendo quais foram as barreiras e o que fazer para eliminá-las.

A plataforma conta ainda com soluções antifraude que compreende checagem digital de dados e verificação de autenticidade de documentos e assinaturas, de modo que a aprovação de cadastros possa ser feita de forma confiável e em poucos segundos.

Os valores emprestados variam de R$ 500 a R$ 50 mil e as taxas de juros são a partir de 1,95% ao mês ou 26% ao ano, dependendo do score de crédito do pretendente, podendo chegar a 4,15% ao ano ou 63% ao ano.

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