Outubro, mês que exige cautela redobrada do investidor

Regina Pitoscia

01 Outubro 2018 | 01h25

(*) Com Tom Morooka

O mercado financeiro terminou setembro melhor do que os analistas esperavam, com ganhos para o investidor em ações e perdas para quem apostou fichas no dólar. Houve melhora recente no humor dos investidores, mas não dá para apostar, que esses resultados serão repetidos em outubro.

A agenda do novo mês marca, logo na largada, o evento político mais importante, o primeiro turno das eleições, já no dia 7. A disputa presidencial, uma das mais polarizadas da história recente, desenha um cenário doméstico de riscos e incertezas, apesar da melhora do ambiente externo que propiciou a recuperação da bolsa de valores e conteve a escalada da moeda americana, cuja cotação chegou a vir abaixo de R$ 4,00.

Um cenário local que exige cautela redobrada na escolha das aplicações. Mesmo porque, além do risco de instabilidade, pode incorporar a expectativa de elevação da taxa básica de juros, a Selic, senão após o segundo turno das eleições, no próximo ano.

Em boa medida, isso dependeria do comportamento do dólar, cuja valorização gera efeitos negativos sobre a inflação, principalmente por causa da alta de preços de produtos importados.

O rumo da Selic é decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que tem mais duas reuniões este ano: a penúltima, nos dias 30 e 31 de outubro, e a última, em 11 e 12 de dezembro.

A perspectiva de aumento de turbulências no mercado financeiro, alimentadas pelo acirramento da disputa eleitoral, e de alta da Selic leva especialistas a insistir em aplicações conservadoras como melhor opção para o investidor até que o quadro político e econômico fique mais claro.

A dica é que o dinheiro fique ancorado em aplicações de risco mais baixo, no mercado de renda fixa, remuneradas por juros. Mais ainda, que a preferência seja pelas aplicações com juros pós-fixados, como o Tesouro Selic, em aplicações pela internet na plataforma do Tesouro Direto, fundos DI e até caderneta de poupança. Opções que têm o rendimento atrelado à Selic e podem ser beneficiadas com possível elevação da taxa básica.

Elas são mais indicadas para o aplicador de menor cacife, que tem volumes baixos de recursos e investe por prazos menos elásticos. Senão para beliscar margem de ganho real, acima da inflação, apenas para ter a cobertura da correção monetária para preservar o poder aquisitivo do dinheiro.

Mais atraente

Para quem dispõe de volume de capital robusto e está de olho em rendimento mais atraente que o proporcionado por juros, até mesmo para aproveitar a possível maré de alta das ações ou das oscilações do dólar, os fundos multimercados são considerados uma opção interessante para o momento. Até para a diversificação de investimentos.

Os fundos multimercados distribuem os recursos do investidor em diversos mercados, da renda fixa à renda variável – neste segmento o risco é maior, mas, dependendo da agilidade e do conhecimento do gestor, a possibilidade de ganho também é mais elevada.

O gestor de um multimercado pode aplicar os recursos do fundo em títulos de renda fixa e em mercados de ações e dólar, tanto à vista como em derivativos negociados no mercado futuro, e também no exterior.

Para quem quer proteger-se de eventual alta da inflação, os especialistas indicam a compra de Tesouro IPCA, versão da Nota do Tesouro Nacional da série B – NTN-B, para aplicação pela internet no Tesouro Direto.

Com rendimento que mescla juro prefixado e correção monetária pós-fixada, o Tesouro IPCA 2024, para vencimento em 15 de agosto de 2024, portanto em pouco menos de seis anos, foi oferecido no Tesouro Direto, na sexta-feira, por juro de 5,77% ao ano mais correção monetária pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

O IPCA é o título preferido pelo investidor que se preocupa com a inflação e quer proteger seu dinheiro contra possível elevação de preços. No caso do IPCA 2024, o investidor teria garantido anualmente um juro real de 5,77%, além da correção monetária pela inflação oficial.

A compra desse papel é recomendada apenas para quem pode deixar o dinheiro aplicado por longo prazo, em geral vários anos, para ter direito ao rendimento previsto no momento da aplicação. Se fizer o resgate antes do vencimento, corre o risco de obter rentabilidade menor, porque haverá recálculo da remuneração em outras bases, de acordo com o valor do título no dia do resgate antecipado.

Balanço de setembro

Confira, a seguir, quem ganhou e quem perdeu com as aplicações em setembro, de acordo com os dados calculados pelo administrador de Investimentos Fabio Colombo.

Aplicação                                                        Rendimento

1º – Bolsa de valores                                         3,48%

2º – IGP-M                                                          1,52%

3º – Títulos indexados ao IPCA                      0,70% a 0,80%*

4º – Fundos DI                                                   0,40% a 0,50%*

5º – Fundos de renda fixa                                 0,40% a 0,50%*

6º – CDB                                                               0,40% a 0,50%*

7º – Caderneta                                                     0,37%

8º – Euro                                                              -0,83%

9º – Dólar                                                             -0,84%

10º – Ouro                                                            -1,91%

Obs.: * rendimento bruto

A inflação de setembro projetada pelo boletim Focus está em 0,40%.  Se essa previsão for confirmada, o rendimento de boa parte das aplicações de renda fixa, incluída a caderneta, pode ser tingida de vermelho, com ganho negativo, abaixo da inflação, para o investidor. A inflação oficial, calculada pelo IPCA, será conhecida na segunda semana de outubro.