Para onde vai o dólar e dicas para quem precisa comprar a moeda

Regina Pitoscia

24 de outubro de 2018 | 00h47

(*) Com Tom Morooka

As cotações do dólar se acomodaram, rodando ao redor de R$ 3,70, após passar por ajuste para baixo antes mesmo do primeiro turno da eleição presidencial e acentuar a queda depois que as urnas apontaram folgada vantagem de Jair Bolsonaro, do PSL, sobre Fernando Haddad, do PT. Nas negociações desta segunda-feira, a moeda foi vendida a R$ 3,6883, nas de ontem voltou para o nível de R$ 3,697.

A relativa estabilidade reflete a percepção dos investidores de que a eleição presidencial, com rodada final em 28 de outubro, está decidida em favor do candidato amigável às ideias defendidas pelo mercado financeiro e apenas um fato novo de graves proporções poderia mudar o resultado esperado para a eleição.

Com Bolsonaro considerado virtualmente eleito, os investidores miram agora os nomes que serão indicados para a equipe econômica do novo governo e as declarações em torno das propostas que comporão as reformas econômicas, sobretudo a da Previdência Social, consideradas necessárias para o ajuste fiscal e o reequilíbrio das contas públicas.

O humor do mercado, com reflexo para cima ou para baixo nas cotações do dólar, vai depender doravante também do alinhamento dos nomes indicados para a equipe em torno das medidas de ajuste fiscal propostas, afirma Robério Costa, economista-chefe do Grupo Confidence.

“Se houver coordenação e sentimento de que os integrantes da equipe de governo marcham juntos na direção de medidas que o mercado considera corretas, o mercado de dólar pode passar por nova onda de ajuste de cotações para baixo”, avalia.

Costa afirma que a tendência de curto prazo é uma acomodação dos preços entre R$ 3,70 e R$ 3,60, um equilíbrio que poderia ser rompido   por alteração nas expectativas provocada, por exemplo, por eventuais declarações favoráveis ou contrárias às ideias liberais do mercado.

As previsões do diretor da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, apontam para uma cotação, por enquanto, no intervalo entre R$ 3,70 e R$ 3,65, a menos que surja algum fato novo que leve a uma revisão de expectativas.

O economista-chefe do Grupo Confidence chama atenção também para fatores externos que rondam o cenário mundial e podem influenciar os rumos da moeda americana internamente. Um deles, com potencial para afetar mais diretamente o País, é o acirramento da disputa comercial entre EUA e China, que pode desacelerar a economia chinesa, com reflexos negativos nas exportações brasileiras para aquele país.

Costa considera ainda como preocupação no cenário externo a perspectiva de que a economia global inicie 2019 em desaceleração, um fenômeno que ampliaria o desafio do governo do presidente eleito para tentar colocar o País na rota do crescimento.

Dicas para a compra

Prognósticos sobre a dança das cotações à parte, Costa afirma que o mais indicado para quem viaja ao exterior é fazer uma programação financeira e ir comprando dólares aos poucos, uma estratégia que, segundo ele, diminui o risco embutido na compra única de lotes maiores de moeda americana. O economista do Confidence estima, em um cenário favorável ao mercado, um piso de preço do dólar em torno de R$ 3,50. Mas há no mercado, apostas em níveis bem abaixo disso, em torno de R$ 3,30.

Lembrando que essas são as cotações do câmbio comercial, usado pelas empresas nas operações de importação e exportação. Para o consumidor pessoa física a cotação é a do câmbio turismo, que é mais alta do que a do comercial.

Esse preço varia entre bancos e casas de câmbio, e a moeda está sendo oferecida na maioria das corretoras acima de R$ 4,00, portanto com uma diferença de R$ 0,30 por dólar, em relação aos R$ 3,70 do comercial no fechamento de ontem. Para encontrar as condições mais interessantes para a compra, vale a pena conferir no site do Banco Central, as cotações em diferentes pontos de venda (https://www.bcb.gov.br/rex/vet/index.asp).

Para ter ideia da diferença, no levantamento de ontem do BC, o preço de venda da moeda variava de R$ 3,96 na Torre Casa de Câmbio a R$ 5,01 no Banco Safra. No Banco do Brasil, um dos mais atuantes no setor, preço de venda era de R$ 4,30. Nesses valores também estão inclusos as tarifas e o imposto que incide sobre a operação, Valor Efetivo Total (VET).

 

 

 

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