Perspectiva de nova queda dos juros pode favorecer a bolsa

Regina Pitoscia

16 de setembro de 2019 | 01h30

Os dois principais segmentos do mercado de renda variável – bolsa de valores e dólar – ultrapassaram e consolidaram níveis considerados emblemáticos pelos investidores. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, rompeu esse patamar na virada do mês e tem avançado degrau a degrau, já encostando em 104 mil pontos. O dólar vem rodando acima da linha de R$ 4, após se aproximar de R$ 4,20 nos primeiros dias do mês.

As cotações nos dois mercados mudaram de patamar, de acordo com a avaliação de especialistas, que já se ocupam em reavaliar as expectativas. A tendência, segundo eles, é que o Ibovespa (Índice Bovespa, principal índice da B3) se afaste gradualmente da marca de 100 mil pontos e o dólar se sustente acima de R$ 4, já visto como piso informal de preço.

A tendência de ambos os mercados continua sob a influência de eventos e expectativas do cenário internacional, com destaque maior para dois deles. O primeiro é a perspectiva de que os Estados Unidos eliminem ou reduzam algumas tarifas cobradas sobre produtos importados da China, decisão que, se adotada, poderia relaxar a tensão e levar a uma trégua na guerra comercial entre os dois países.

O temor de um agravamento dessa disputa, que poderia respingar em uma recessão da economia global, tem preocupado os investidores, já ressabiados com um cenário externo recheado por outras incertezas, como o rumo dos juros americanos e do Brexit (processo de separação da Grã-Bretanha da União Europeia), além dos protestos em Hong Kong que acirram a tensão entre a ex-colônia britânica e a China.

Além da perspectiva de uma trégua no embate comercial entre EUA e China, os mercados, local e internacionais, reagiram bem à decisão do Banco Central Europeu (BCE) de promover novo corte nas taxas de juro já negativas e ofertar mais recursos ao sistema financeiro, mediante recompra de títulos públicos e privados a partir de novembro, para tirar a economia da zona do euro do caminho de eventual recessão.

A ideia que anima investidores e mercados por aqui é que um possível cenário de relaxamento da tensão comercial e aumento de oferta de recursos em ambiente de juros negativos lá fora atraiam capitais externos para investimentos no País, especialmente no mercado de ações.

Parte do otimismo está relacionada também à expectativa de nova redução da taxa básica de juros, a Selic, pelo Copom (Comitê de Política Monetária), na quarta-feira, dia 18.

Movido pela cruzada para tentar reanimar a economia e em meio a seguidas revisões para baixo nas projeções de inflação, tanto para este ano quanto para o próximo, a decisão do Copom não tende a surpreender. Espera-se uma redução de 0,50 ponto porcentual, com a Selic deslizando do atual nível de 6,00% ao ano para 5,50%, de acordo com dados projetados na última edição do boletim Focus.

A expectativa de corte na taxa básica não para por aí, já que as estimativas do mercado apontam, ainda de acordo com o Focus, para uma taxa Selic de 5% no fechamento de 2019, enquanto fora do relatório, no ambiente de negócios, alguns palpites sinalizam uma taxa básica até abaixo de 5%.

Outro fator considerado positivo para o mercado de ações é que juros cada vez mais baixos tende a encorajar a diversificação de investimentos, com migração de recursos da renda fixa para a renda variável, especialmente com a compra de ações. Uma mudança que tira o investidor do conforto da renda fixa e o expõe a maiores riscos, em troca do aceno de rentabilidade mais atraente.

Para investidores iniciantes em bolsa de valores, os especialistas não apontam outra opção senão os fundos de ações que cobram taxa de administração baixa. Especialmente fundos com gestão passiva, como os que miram rendimento de acordo com a variação do Ibovespa, que têm na carteira papeis que compõem o principal índice da B3.

Para o investidor que compra ações individualmente, sem participação em fundos, a estratégia de atuação, segundo especialistas, deve ser a tradicional regra nem sempre fácil de seguir: comprar na baixa e vender na alta. É uma estratégia que tem proporcionado ganhos interessantes no atual momento do mercado, de pregões de alta alternados com os de baixa, ainda sem a definição de uma tendência.

Estratégia semelhante estaria movimentando os negócios no mercado de dólar, com compras quando as cotações se aproximam de R$ 4, considerado novo piso informal, e vendas quando encostam em R$ 4,10.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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