Perspectivas e novidades nas aplicações de renda fixa

Regina Pitoscia

05 de janeiro de 2018 | 01h39

(*) Com Tom Morooka

As estimativas do governo e do mercado financeiro sobre inflação e juros dão razoável ideia do desempenho que o aplicador em renda fixa encontrará ao longo deste ano. Bem diferente do que ocorre com as aplicações de renda variável, como ações e dólar, em que o rumo das cotações é definido pelas forças de mercado.

Na renda fixa, a trajetória de inflação e juros depende em boa escala das ações de política monetária do Banco Central (BC). A taxa básica de juros (Selic), que o BC maneja para manter a inflação sob controle e serve de referência à remuneração das aplicações financeiras, dá largada a 2018 em 7% ao ano, mas pode ficar pouco menor logo à frente.

Na virada de fevereiro, no dia 7, o juro primário da economia poderá recuar para 6,75% ao ano, se o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, confirmar, em sua primeira reunião do ano, a aposta de uma corrente de analistas e economistas do mercado. A expectativa dessa ala é que a taxa básica passe ainda por nova redução adicional, de 0,25 ponto porcentual, antes do encerramento do ciclo de reduções iniciado em outubro de 2016.

Embora dependa menos da ação direta do BC, a inflação também não promete surpresas. Projetada acima da de 2017, por causa de supostas pressões de alta dos preços de alimentos, energia e combustíveis, ainda assim a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fecharia 2018 em torno de 4% ao ano – abaixo, portanto, da meta inflacionária central de 4,50%.

Vistas sob perspectiva, a partir da inflação e dos juros estimados para 2018, as aplicações de renda fixa, como CDB e fundos de renda fixa, rodariam com um rendimento real, acima da inflação, ao redor de 2% ao ano. Ou provavelmente menos, como deve ocorrer também com a caderneta de poupança.

Opções

Um dos efeitos dos cortes na Selic é o nivelamento por baixo do rendimento das aplicações que remuneram com juros – CDB, fundos DI e de renda fixa, caderneta. A remuneração de todas elas está bastante parecida sugerindo, à primeira vista, que não existem opções na renda fixa que livrem o aplicador da mesmice da remuneração referenciada na Selic.

Quem sai do circuito dos bancos de rede e lança o olhar para as plataformas de investimento, conhecidas como fintechs, ligadas a bancos ou corretoras, vai se surpreender com títulos de renda fixa diferenciados que rendem bem além da Selic. Sem sair do porto seguro da renda fixa.

O mote desses papeis, emitidos por diversos bancos de pequeno e médio portes, é a remuneração acima do CDI – uma versão privada da taxa básica. É o CDI ou juro DI, sempre acima da Selic, a referência de remuneração dos títulos ofertados pelas plataformas de investimento. No CDB, ele chega a 130%, 140% ou até mais acima do DI, dependendo do valor e do prazo de aplicação. É que esse papel é tributado por alíquotas de 22,50%, 20%, 17,50% e 15%, que variam de acordo com o tempo em que o dinheiro fica depositado: quanto maior o prazo, menor o imposto.

Já no caso de LCI ou LCA, a porcentagem do juro DI é menor porque o rendimento é isento de imposto de renda. Assim, esses papeis proporcionam rendimento competitivo, acima do da caderneta, referência para a comparação de desempenho nesse segmento.

Novidade nas garantias

Além de remunerar melhor, são títulos que, como a poupança, têm a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), um guarda-chuva financeiro que protege o investidor com o ressarcimento de até R$ 250 mil, por banco emissor e CPF, em caso de dificuldade financeira que impeça a instituição financeira que emitiu o título honrar o resgate.

Embora o FGC tenha aprovado em 21 de dezembro o limite de R$ 1 milhão por aplicador para o ressarcimento, a garantia é um apelo a mais nesses títulos que oferecem rendimento diferenciado. Quem tiver 1 milhão – teto de cobertura – poderá dividir essa quantia por quatro e aplicar R$ 250 mil em títulos de quatro bancos diferentes, sem perder a cobertura do fundo.

O processo, desde a abertura da conta, cadastramento até a aplicação, não tem custo algum. É tudo feito pela internet no site de bancos e corretoras. Confira alguns: Rico Investimentos (www.rico.com.vc); banco Máxima (www.bancomaxima.com.br); PoupaBrasil (www.poupabrasil.com.br); Corretora Easynvest (www.easynvest.com.br);

Órama DTVM (www.orama.com.br); banco Daycoval (www.daycovalinveste.com.br)); Guide Investimentos (www.guideinvestimentos.com.br); banco Sofisa (sofisadireto.com.br), Pine Online (www.pine.com).

É possível também usar os aplicativos para celular nos sistemas Android e iOS para acessar os títulos ofertados por essas plataformas, que oferecem ainda uma série de serviços, como simuladores que possibilitam a escolha do título mais adequado e rentável a cada aplicador.

Fundos de investimento

Para quem não abre mão dos fundos de investimento, a dica do administrador de investimentos Fabio Colombo é que os fundos DI ou de renda fixa tendem a ser mais rentáveis que a caderneta, em movimentação de até seis meses (alíquota de imposto de renda de 22,50%), quando cobram taxa de administração entre 1,00% e 1,50% ao ano. Ou com taxa de administração inferior a 1,50% ou 2,00% ao ano para movimentação acima de dois anos, que recolhe 15% de imposto sobre o rendimento.

A aplicação em fundos de investimento não tem a proteção do FGC.

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