Por que apostar em inflação mais baixa em dezembro e janeiro

Regina Pitoscia

24 Dezembro 2018 | 00h38

A inflação oficial de dezembro, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, será conhecida lá pela segunda semana de janeiro. Mas o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), divulgado pelo IBGE na última sexta-feira, trouxe alentadora sinalização.

Considerado prévia de inflação, o IPCA-15 mediu uma deflação ou variação negativa de preços de 0,19% em dezembro, depois de registrar alta de 0,19% do índice em novembro.

Ambos têm a mesma metodologia de cálculo. A diferença está no período de coleta de preços e das regiões pesquisadas. O IPCA-15 calcula a variação de preços entre o dia 15 de um mês e o seguinte – o índice de dezembro, divulgado na sexta, reflete a variação entre 15 de novembro e 14 de dezembro. O IPCA, considerado a inflação oficial, calcula a variação de preços de ponta a ponta de um mês, do primeiro ao último dia.

A deflação de dezembro, apontada pelo IPCA-15, foi beneficiada pela queda de preços de dois importantes grupos que já vinham contribuindo para a desaceleração da inflação: o grupo transporte, pela redução no preço dos combustíveis, e o grupo habitação, pelo recuo da tarifa de energia elétrica.

De acordo com os dados do IBGE, no grupo combustíveis, a gasolina recuou 5,47%, o etanol, 3%, e o óleo diesel, 1,93%. Dois fatores influenciaram o barateamento dos combustíveis: a queda da cotação externa do barril de petróleo e a desvalorização do dólar perante o real.

A conta de luz contribuiu para a desaceleração da inflação pela adoção da bandeira verde desde 1º de dezembro, o que livrou os consumidores da cobrança de valor adicional sobre a tarifa de energia elétrica.

São dois itens de consumo cuja queda de preços foi sentida diretamente no bolso do brasileiro, que, apesar da deflação do IPCA-15 em dezembro, continuou pagando mais pelos alimentos.

Segundo o IBGE, os alimentos in natura mantiveram pressão sobre a inflação. Os destaques foram a cebola, alta de 34,16%; a batata inglesa, de 17,80%; e o tomate, de 8,37%. Na outra ponta, de baixa, caminhou o leite, que ficou 10,39% mais barato em dezembro.

Os fatores de alta que pressionaram o IPCA-15 neste mês, os alimentos, dependem de condições climáticas, que encarecem os preços quando reduzem a oferta de produtos. Pelo lado da baixa, a energia elétrica e os combustíveis, a perspectiva depende da política do governo, já que são preços administrados.

Cenário positivo

Pela situação de momento, os consumidores teriam motivos para contar com a manutenção de preços baixos tanto de combustíveis quanto da energia elétrica. Não há sinais que indiquem uma retomada de alta das cotações do barril de petróleo nem expectativa, por enquanto, de alta mais forte do dólar. Uma combinação favorável que tenderia a manter os atuais níveis de preços dos combustíveis na virada do ano.

A expectativa é otimista também para os consumidores de energia elétrica, cuja tarifa tenderia a seguir com a bandeira verde, sem reajuste adicional. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata, já sinalizou que, com a continuidade de recuperação dos reservatórios, as condições são favoráveis à manutenção da bandeira verde em janeiro. A decisão sobre a mudança ou não de bandeira tarifária cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).