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Por que é preciso conhecer mais os fundos multimercados

Regina Pitoscia

22 de janeiro de 2020 | 00h23

Os fundos multimercados não decepcionaram o investidor com o retorno proporcionado em 2019. Ao contrário, muitos deles renderam mais do que a inflação, oferecendo generosos ganhos reais.

No ano passado, os multimercados tiveram uma captação líquida (depósitos menos saques) de R$ 66,8 bilhões, o que representou um crescimento de mais de 37%, em relação a 2018. Reflexo do movimento de aplicadores que abandonaram a renda fixa, que passou a ter um rendimento pífio com a queda dos juros, e migraram para a renda variável em busca de uma remuneração mais interessante, ainda que tivessem de assumir maior risco.

Na tabela abaixo, é possível conferir a performance vistosa dos 10 fundos com maior rendimento no ano passado, segundo a consultoria Economatica. Sempre é bom lembrar que rentabilidade passada não é, nem nunca foi, garantia de rentabilidade futura. Tudo vai depender da capacidade de seus gestores em escolher os mercados certos na hora certa para aplicar o dinheiro de seus cotistas. Mas quem busca retorno diferenciado nesse novo mercado precisa conhecer melhor como funcionam esses fundos.

Desde conferir o histórico de rendimento dos fundos, até saber quem são seus administradores. Os multimercados podem, de fato, trazer muita alegria a seus participantes, mas podem igualmente fazê-los amargar fortes prejuízos.

Ao mesmo tempo, o aplicador precisa identificar qual o seu nível de tolerância em relação a riscos, se é capaz de suportar eventuais quedas para que os prejuízos possam ser compensados com nova onda de valorização. Esse é um tipo de fundo contraindicado para quem vai querer sair vendendo suas cotas no primeiro prejuízo apresentado.

Em outras palavras, o investidor não pode ter um perfil conservador, mas estar consciente de que terá de enfrentar oscilações, em troca de aproveitar as boas oportunidades que o mercado oferece.

Como funcionam

Os fundos multimercados podem formar a sua carteira com diferentes tipos de investimentos, os chamados ativos, como ações, moedas, juros e índices, entre outros. Tanto em suas posições no mercado a vista como em suas cotações futuras, nos mercados derivativos.

Essa possibilidade de diversificação é interessante porque tende a diluir os prejuízos em determinado mercado com ganhos em outro.  Mas é evidente que o bom desempenho estará ligado à habilidade de seus administradores de fazer uma análise precisa da conjuntura econômica, escolher os melhores ativos, definir o porcentual em cada mercado.

Esses fundos cobram taxas de administração e costumam cobrar também taxas de performance sobre o que o rendimento vier a ultrapassar um determinado indicador. Muitos ainda usam a evolução do DI (juro praticado nos financiamentos entre bancos) para essa cobrança.

O rendimento é tributado pelo imposto de renda, mas as alíquotas variam de acordo com o tipo de fundo. Ao fazer a aplicação o investidor deverá ser informado se o fundo é de longo ou curto prazo, quer dizer, se a maioria de seus ativos tem prazo superior ou inferior a 365 dias.

Para os fundos considerados de longo prazo, o IR será de 22,5% para o dinheiro que ficar aplicado até 180 dias: de 20%, de 181 a 360 dias; de 17,5%, de 361 a 720 dias; e de 15%, para aplicações acima de 720 dias. Nesses fundos, há a cobrança de 15%, uma antecipação de imposto que acontece a cada seis meses (março e novembro), e é chamada de come-cotas.

Nos fundos multimercados de curto prazo, o imposto será de 22,5% para aplicações de até 180 dias, e de 20%, para aplicações de 181 a 360 dias. Neles, o come-cotas é de 20%, também a cada seis meses.

Já os multimercados que tiverem a composição de sua carteira com no mínimo 67% em ações terão a tributação de 15%, a mesma que é aplicada aos fundos de ações.

Composição das carteiras

Os multimercados são classificados em 11 tipos pela Anbima (Associação Brasileira da Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Ainda que o mais indicado seja contar com a ajuda de um consultor financeiro para a escolha de um fundo, não deixa de ser útil conhecer as características desses fundos.

Balanceado – geralmente mescla papeis de renda fixa (CDBs, títulos do governo, debêntures) com ações, com porcentuais pré-definidos em regulamento. Perfil da carteira mais de longo prazo.

Dinâmico – também mescla a carteira com diferentes ativos, mas sem limites pré-determinados em cada um deles no regulamento. Há liberdade para aumentar ou reduzir posições de acordo com as conveniências e riscos de cada mercado.

Capital protegido – forma a carteira com diversos ativos, visando à proteção dos recursos com operações de “hedge”, de modo a reduzir a um grau mínimo os riscos. Sem abrir mão de um rendimento diferenciado.

Long and short neutro – assume posições na ponta de compra e de venda de ações ao mesmo tempo, com operações mais cautelosas, sem expor o fundo a riscos de determinado mercado.

Long and short direcional – também conta com posições simultâneas compradas e vendidas em ações, mas com operações mais arrojadas do que o “neutro”.

Macro – toma posições de longo prazo, com base em análise do cenário macroeconômico, procurando antecipar-se à tendência dos ativos – juros, câmbio, renda fixa, etc.

Trading – suas operações visam a aproveitar a variação de preços dos ativos no curto prazo.

Livres – como o próprio nome diz, esses fundos não traçam uma única estratégia de aplicação, buscando aproveitar de oportunidades geradas pelo ambiente macroeconômico ou da situação específica de determinado mercado.

Juros e Moedas – adota estratégia de longo prazo em ativos de renda fixa atrelados à variação de juros, índices de inflação e moeda estrangeira.

Estratégia específica – assume posições em mercados e riscos específicos como o de índices e de commodities, por exemplo.

Investimento no exterior – busca oportunidades de aplicações no mercado internacional.

                                 Os 10 fundos mais rentáveis em 2019

      Fundo                                                                Gestor                            Retorno

1 – Logos Total Return                                        Logos Capital                           116,14%

2 – Alpha Key Long Biased CSHG                    Alpha Key Capital                    60,90%

3 – Versa Long Biased                                         Versa Fundos de Inv.               51,56%

4 – Canvas Dakar Long Biased CSHG              Canvas Capital                         43,80%

5 – Safari FIC FIM                                                Safari Capital                           43,38%

6 – Safari FIC FIM II                                            Safari Capital                           43,12%

7 – Safari 45 FIC FIM II                                      Safari Capital                            42,24%

8 – Opportunity Long Biased                             Opportunity                              40,56%

9 – Pacífico Long Biased                                     Pacíficio Gestão de Rec.          36,58%

10 – Dahlia Total Return CSHG                         Dahlia Capital                          36,30%

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