Por que essa pode ser hora oportuna para os fundos multimercados

Regina Pitoscia

26 Outubro 2018 | 00h48

O cenário de tensão política e de instabilidade no mercado financeiro ainda sugere cautela aos investidores que pensam diversificar a carteira de investimentos, em busca de uma rentabilidade mais atraente, com incursões nos mercados de renda variável, como o de ações e de dólar.

Parte dos analistas, contudo, já vê vantagem em antecipar a diversificação, porque avaliam o cenário à frente como favorável aos fundos multimercados. O motivo, avaliam, é que, apesar das expectativas de fortes solavancos, os mercados considerados de alto risco e mais sensíveis às expectativas políticas surpreenderam positivamente no período pré e, principalmente, pós primeiro turno da eleição presidencial. Período em que as bolsas de valores subiram com força e o dólar desabou.

Os fundos multimercados, em sua maioria, surfaram nessa onda positiva, com um desempenho médio que, se não andou no mesmo compasso do Ibovespa (Índice Bovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo ou B3), superou por ampla margem o mirrado rendimento das aplicações de renda fixa. O rendimento de um dia desses fundos correspondeu ao ganho de vários dias de um fundo DI, por exemplo. Ainda que a rentabilidade varie muito entre os diversos fundos que fazem parte da categoria multimercados.

É a partir desse desempenho recente e da expectativa, até reforçada, de manutenção das condições que impulsionaram a rentabilidade desses fundos que especialistas mantêm a aposta na perspectiva positiva para os multimercados. Gestores têm formatado as carteiras de olho, domesticamente, na definição do novo presidente da República no segundo turno da eleição presidencial, no próximo domingo, e, externamente, na perspectiva de avanço maior dos juros americanos.

São eventos que influenciam o comportamento dos mercados de ações e de dólar, dois segmentos em que os gestores de fundos multimercados mais atuam, na formação das carteiras, em busca de melhor rentabilidade aos investidores. Não é uma escolha trivial a alocação dos recursos aplicados, principalmente em momentos de forte turbulência. O gestor precisa acertar a mão para não tingir de vermelho o rendimento.

A eleição do candidato que tem a torcida dos investidores e considerado amplo favorito, o capitão de reserva do Exército Jair Bolsonaro, do PSL, tenderia a continuar dando suporte para novas altas da bolsa de valores e para deprimir ainda mais o dólar, que vem em trajetória declinante. Uma elevação mais forte dos juros americanos, por outro lado, tenderia a tirar o fôlego do mercado de ações e puxar a cotação do dólar para cima.

O pano de fundo principal para a tomada de decisão do gestor é este, mas os fundos multimercados contam com uma flexibilidade na administração de recursos que, em apostas bem calibradas e bem-sucedidas, redundam em ganhos para o investidor, tanto na alta como na baixa dos mercados. Existe uma multiplicidade de fundos dessa modalidade, que empregam os recursos não apenas no mercado à vista de juros, dólar, ações e índices como também em seus segmentos futuros, chamados de derivativos.

Embora a possibilidade de operações simultâneas, chamadas de travas, com posições contrárias em um mercado e outro, possam reduzir o estresse, os fundos multimercados são considerados investimento de alto risco, embora em grau menor, por exemplo, que a aplicação em bolsa de valores, com a compra direta de ações.

Com uma carteira bem balanceada de títulos, representativos de ações, dólar (cambiais), juros e outros, é possível não apenas diluir os prejuízos, como também ampliar as oportunidades de ganho.

Por trás da ideia de antecipar o embarque nesses fundos, sugerida por especialistas em investimento, está a estratégia de aproveitar a possível continuidade da onda positiva dos mercados no período pós-eleitoral, após a escolha do novo presidente.

A expectativa é positiva, embora os especialistas não deixem de considerar prováveis percalços pelo caminho, com o surgimento de novas incertezas, associadas à escolha dos nomes da equipe econômica e definição das linhas de política econômica do presidente que assumirá o comando do País em 1º de janeiro de 2019.